Como foi 2025 para os portugueses no Worldtour e quem poderá preencher o vazio deixado pela retirada de Rui Costa do ciclismo?
Na última década do ciclismo, a presença de portugueses no WorldTour tem sido uma constante. De João Almeida a Rui Oliveira, passando por Nélson Oliveira, o mais veterano, e Afonso Eulálio, o recém-chegado ao WorldTour, são vários os atletas que se continuam a afirmar na elite.
Em relação à temporada de 2025 e tendo em conta homens e mulheres, o número passa de nove para sete, ainda sem ser conhecido o futuro de Rúben Guerreiro. Por outro lado, Rui Costa despediu-se do ciclismo profissional após 17 anos de carreira, na qual trouxe para Portugal um sonho em tons de arco-íris.
Analisamos os portugueses que vão estar no WorldTour em 2026 e que poderão competir no principal escalão do ciclismo internacional.

Créditos: EF ProCycling
João Almeida | UAE Team Emirates-XRG
A temporada que agora termina foi de sonho para João Almeida, que aos 27 anos consolidou o processo que o converteu num dos líderes da UAE, além de ter subido um degrau na hierarquia das Grandes Voltas.
Para esta temporada, o Bota Lume optou por manter a presença na Volta a França e na Volta a Espanha, afinando o calendário de início de época, que o trouxe a Portugal. Essa afinação acabou por se revelar acertada, com Almeida a conseguir vencer Volta ao País Basco, Volta à Romandia e Volta à Suíça. Depois de um Tour que abandonou por queda, chegou à Vuelta como candidato à vitória, mas Jonas Vingegaard (Visma | Lease a Bike) atirou por terra as suas aspirações. Ainda assim, levantou os braços no célebre L’Angliru.
O ano de 2025 chegou ao fim com João Almeida a contabilizar um total de 10 vitórias, sendo o terceiro melhor da equipa, atrás de Tadej Pogacar (20) e de Isaac del Toro (18). O português fechou ainda no quinto lugar do ranking UCI, só superado pelos dois colegas além de Vingegaard e de Mads Pedersen (Lidl-Trek).

Créditos: Unipublic / Cxcling / Antonio Baixauli
António Morgado | UAE Team Emirates-XRG
Depois de uma fortíssima temporada de estreia na UAE, António Morgado voltou a arrancar forte em 2025, apesar de ter estado inconstante na segunda metade do ano. Ainda assim, conquistou o Grande Prémio de Castellón-Rota da Cerâmica e a Figueira Champions Classic, tendo revalidado o título de campeão nacional de contrarrelógio.
Para 2026, espera-se que o Bigode Voador consiga mostrar-se mais regular ao longo de todo o ano, estando também no horizonte a estreia em Grandes Voltas, aos 22 anos, que completará em janeiro.

Foto: Igor Martins
Ivo Oliveira | UAE Team Emirates-XRG
O leque lusitano na equipa do Médio Oriente prossegue com Ivo Oliveira, velocista que teve, em 2025, o seu ano mais ganhador, com quatro vitórias: duas no Giro d’Abruzzo, Volta à Eslovénia e prova de fundo nos Campeonatos Nacionais.
Curiosamente, foi a época perfeita de um corredor que há muito tentava mostrar um lado mais vitorioso e que, em entrevista ao TopCycling, se mostrou confiante de que 2025 ia significar um ponto de viragem.
Na próxima temporada, o gaiense entra em ano de contrato e não deverá ter problemas em permanecer no ciclismo de nível WorldTour, onde ainda não venceu, apesar de na Romandia ter ficado a décimos de segundo de o conseguir.

Foto: LaPresse
Rui Oliveira | UAE Team Emirates-XRG
Para a outra metade do clã Oliveira as coisas não sorriram tanto. Podia ter sido diferente não tivesse sido afetado por uma decisão muito rigorosa dos comissários na Volta à Eslovénia.
Rui Oliveira deve abordar 2026 com a mesma prioridade: estrear-se a vencer como profissional.
Em 2025 foi quarto na última etapa do Tour Down Under e ficou 12 vezes no top 10, no entanto, não se conseguiu assumir como alternativa ao sprint a Juan Sebastián Molano. Quatro desses lugares nos 10 primeiros foram obtidos na Volta à Croácia, no final da época, o que será importante repetir para assegurar a continuação na equipa a partir de 2027.
Fica no ar o regresso às Grandes Voltas, já que este ano ficou de fora para poder ter oportunidades em boa parte das 12 corridas de uma semana que fez.

Foto: Matic Klansek Velej / Sportida
Afonso Eulálio | Bahrain-Victorious
Haveria melhor estreia possível no WorldTour? Afonso Eulálio foi um dos ciclistas que saltou diretamente do pelotão nacional para o topo e não defraudou as expetativas dos dirigentes da Bahrain.
Aos 24 anos, o figueirense estreou-se na Volta a Itália, onde conquistou a Montagna Pantani, e conseguiu um nono lugar no Campeonato do Mundo, tendo sido o melhor português.
Em 2026, tudo aponta para que já tenha assimilado a mudança e possa continuar a mostrar a faceta ofensiva da etapa do Feirense. A forma como correu em Kigali e o ataque no GP do Québec, com Pogacar, mostram que o melhor de Afonso Eulálio ainda está por chegar.

Foto: Luca Bettini/Sprint Cycling Agency
Nélson Oliveira | Movistar
É um dos elementos mais antigos na estrutura da Movistar e, em 2026, vai cumprir 11 temporadas na formação espanhola.
Nélson Oliveira é o português com mais presenças em Grandes Voltas (22) e aspira a converter-se no ciclista da história que mais vezes iniciou e terminou uma prova de três semanas. Por agora, está a uma do polaco Sylvester Szmyd, que fez 23 Grandes Voltas e completou todas.
Nélson Oliveira é um dos “capitães” e um dos elementos mais importantes da Movistar, que não hesitou em renovar-lhe o contrato por mais duas temporadas, o que significa que cumprirá os 38 anos na equipa, na temporada de 2027.
Quanto a objetivos, em 2026 deve continuar a acompanhar Enric Mas nos momentos importantes do ano e quem sabe se não coloca um ponto final no jejum de vitórias que dura desde 2016?

Foto: Rafa Gomez/SprintCycling
Maria Martins | Canyon-SRAM zondacrypto
Também no WorldTour feminino se escreve uma das páginas de ouro do ciclismo português.
Aos 26 anos, Maria Martins vai iniciar o segundo ano na Canyon, após um 2025 que serviu para voltar a ganhar ritmo competitivo. O ano que passou sem correr na estrada, optando por se concentrar nos Jogos Olímpicos de Paris e nas provas de pista, resultou decisivo para acumular várias desistências no regresso ao WorldTour.
Ainda assim, houve momentos em que se mostrou no nível que a levou até ao topo da pirâmide, como o 21.º no Giro dell’Appennino e o terceiro posto na prova de fundo dos Campeonatos Nacionais, atrás de Daniela Campos (Eneicat-CMTeam) e de Raquel Queirós (Atum General-Tavira-SC Farense).
Na nova época, Tata terá mais uma oportunidade para crescer numa das melhores equipas do pelotão, que conta com a campeã do Tour de France de 2024, Kasia Niewiadoma.
Com a ribatejana, serão sete os portugueses no ciclismo de nível WorldTour em 2026.

Foto: Tino Pohlmann