Mundial de Gravel 2026: Austrália recebe a edição mais dura e com menos “WorldTour’s” de sempre

Pela primeira vez, o Campeonato do Mundo de Gravel sai da Europa. Nannup, na Austrália Ocidental, recebe este fim de semana a quinta edição da prova, com um percurso mais exigente e um maior rácio de especialistas da disciplina, face aos habituais ciclistas do pelotão WorldTour.
Os Campeonatos do Mundo de Gravel 2026 realizam-se este sábado e domingo, 10 e 11 de outubro, em Nannup, na Austrália. Depois de quatro edições disputadas na Europa, o Mundial atravessa pela primeira vez o continente europeu, razão que leva a estarem presentes os atletas que realmente dão importância a esta vertente, havendo logo à partida mais menos corredores provenientes de estrada e mais especialistas de gravel.

Um percurso diferente: mais gravel, mais desnível, menos ciclistas do pelotão WorldTour
Nannup fica a cerca de 300 quilómetros a sul de Perth e é uma região já conhecida pelos praticantes de gravel, graças à SEVEN Gravel Race, integrada na UCI Gravel World Series desde 2022.
O percurso atravessa florestas, zonas agrícolas e o vale de Blackwood, alternando entre uma terra batida compactada e outros tipos de piso com gravilha mais solta.
As subidas não são muito longas, mas também não são pequenos topos (como foram nos mundiais disputados na Europa), sucedem-se ao longo do percurso, causam desgaste e não permitem muito tempo de recuperação entre elas.
A corrida masculina terá 144 km, 3.713 metros de desnível positivo e 85% de gravel. As mulheres enfrentam 125,6 km, 3.179 metros de desnível e 84% de gravel.
A diferença em relação aos Mundiais anteriores não está apenas na distância ou na altimetria. A elevada percentagem de estradões não asfaltados e a sucessão de subidas favorecem corredores capazes de manter um esforço elevado durante várias horas, mas também com experiência em terreno irregular.

Este cenário pode beneficiar nomes como Mads Wurtz Schmidt, Florian Vermeersch, Marianne Vos e Sofia Gómez Villafañe, nomes com provas dadas tanto fora da estrada asfaltada, como em provas de longa duração.
Vídeo de reconhecimento ao percurso
Favoritos masculinos: Mads Wurtz Schmidt persegue o sonho e a consagração de uma época perfeita, mas terá que vencer o campeão em título, Florian Vermeersch
Mads Wurtz Schmidt
O dinamarquês Mads Wurtz Schmidt parte como um dos principais candidatos ao título. A sua temporada de 2026 tem sido marcada por vitórias em provas de referência, escolhidas metodicamente no calendário do Gravel Mundial, incluindo a Unbound Gravel, o Traka 360 e o Campeonato da Europa de Gravel.

O corredor de 32 anos também passou pelo WorldTour, mas desde 2025 decidiu focar-se totalmente no Gravel, depois de terminar contrato com a equipa da Israel Premier Tech.
Florian Vermeersch
O campeão do mundo em título, Florian Vermeersch, tentará defender a camisola arco-íris. O belga dispensa apresentações, é um dos principais escudeiros de Tadej Pogacar na Paris-Roubaix, prova onde já terminou no pódio em 2021.

Quanto ao Gravel, já demonstrou ser capaz de competir ao mais alto nível numa disciplina onde já conta com duas medalhas de prata e uma de ouro em mundiais.
Keegan Swenson e Mathew Beers
O norte-americano Keegan Swenson e o sul-africano Mathew Beers são dois nomes a ter em conta, mas será interessante ver se vão correr pela seleção ou pela equipa Specialized Off-Road com o objetivo de levar Schmidt ao tão desejado título mundial.

São especialistas de gravel e BTT, têm experiência em corridas longas e exigentes, como a cape Epic, características que poderão ser importantes em Nannup.
Connor Swift
Connor Swift é outro dos pouco ciclistas do World Tour que viajaram até à Austrália na perseguição do título mundial de Gravel, o terreno não é o que o favorece mais, mas o britânico vem numa excelente forma após pódio na prova de linha e contrarrelógio nos Campeonatos Nacionais e já se sabe que os ciclistas do World Tour têm um ritmo competitivo acima da média nas provas de gravel.
Favoritas femininas: Marianne Vos é super favorita
Marianne Vos
A neerlandesa Marianne Vos, campeã mundial em praticamente todas as disciplinas do ciclismo, campeã mundial de gravel em 2024, é a candidata a bater na corrida feminina. A experiência, capacidade física e inteligência táctica fazem dela a principal favorita a vencer aquele que seria o seu segundo título mundial nesta disciplina.

Sofia Gómez Villafañe
Sofia Gómez Villafañe surge também como um nome a ter em conta. A argentina teve vitórias importantes em 2026, como no Unbound Gravel e Traka 200, não correu muito mais, mas apresenta um perfil particularmente adequado ao percurso australiano.

Australianas correm em casa
Aos seus 38 anos de idade, Tiffany Cromwell ainda vence no calendário do gravel, principalmente no terreno de Nannup, onde venceu a SEVEN Gravel Race em 2023, 2025 e 2026. Não há ninguém no pelotão feminino que conheça melhor o terreno em ritmo de competição do que ela.
A australiana Nicole Frain também poderá ser uma das mulheres a marcar as favoritas. Frain conta com várias vitórias na UCI Gravel World Series esta temporada, corre em casa e também conhece bem as exigências deste tipo de terreno.
Outsiders
Também merecem atenção Geerike Schreurs, segunda classificada no Unbound Gravel 2026, e a belga Larissa Hartog com resultados muito interessantes na presente temporada.
A campeã de 2025, Lorena Wiebes, não estará presente, deixando o título feminino em aberto.
Onde ver o Mundial de Gravel 2026?
A prova feminina disputa-se no sábado, com 125,6 quilómetros, enquanto os homens enfrentam 144 quilómetros no domingo. Em ambas as corridas, o desnível acumulado ultrapassa os 3.000 metros, numa edição que promete ser uma das mais exigentes da curta história da competição.
As duas corridas de elite podem ser acompanhadas no Eurosport 1, nos seguintes horários de Portugal continental:
– Sábado, 10 de outubro, às 16h15: prova feminina, 125,6 km.
– Domingo, 11 de outubro, às 13h00: prova masculina, 144 km.
Start-list do Campeonato do Mundo de Gravel 2026
As listas abaixo correspondem aos corredores identificados na lista de partida publicada a 8 de outubro de 2026 pela UCI, mas podem existir alterações de última hora.
Start-list Elites Femininas
Argentina: Pamela Martino, Sofia Gómez Villafañe
Austrália: Ella Bloor, Fiona Morris, Holly Harris, Kate Bonner, Nicole Frain, Peta Mullens, Sophie Byrne, Tiffany Cromwell, Victoria Rose Channing Barry
Áustria: Jana Gigele, Theresa Rindler-Bachl
Bélgica: Joyce Vanderbeken
Canadá: Dylan Baker, Francesca Seal, Haley Smith, Holly Henry, Kaitlyn Rauwerda, Laetitia Bilodeau, Lucy Hempstead, Mikayla Arends, Sarah Diekmeyer
Taipé Chinês: Shuwei Hsu
Colômbia: Valentina Ovalle Calero
Dinamarca: Janni Spangsberg, Karoline Risager Schmidt
Alemanha: Carolin Schiff, Jade Treffeisen, Kira Stock, Nele Laing, Romy Kasper, Rosa Klöser
Grã-Bretanha: Elizabeth Hermolle, Flora Johnson, Hayley Simmonds, Madeleine Nutt, Sophie Wright
Irlanda: Gabrielle Fox, Nicole Schafer
Itália: Erica Magnaldi
Japão: Chiharu Ukai, Mutsumi Hara, Yuki Kataoka
México: Andrea Loza Fiol, Anet Barrera Esparza
Países Baixos: Elisa Serné, Geerike Schreurs, Larissa Hartog, Marianne Vos, Riejanne Markus, Tessa Neefjes, Wendy Oosterwoud
Nova Zelândia: Maria Laurie, Michaela Rogan, Sharlotte Lucas
Filipinas: Althea Mae Campaña, Shagne Paula Yaoyao
África do Sul: Ashleigh Moolman-Pasio, Lisa Bone
Suécia: Hanna Johansson
Suíça: Irina Luetzelschwab
Start-list Elites Masculinos
Austrália: Brent Rees, Cameron Scott, Connor Sens, Freddy Ovett, Garry Millburn, Harrison Bebbington, Joel Green, Jordan Enright, Mark Chong, Mark O’Brien, Oliver Johnston, Oliver Stenning, Tasman Nankervis
Áustria: Lukas Pöstlberger
Bélgica: Aaron Van der Beken, Daan Soete, Florian Vermeersch, Jo Pirotte, Lawrence Naesen, Stan Dewulf, Wout Alleman
Brasil: Henrique da Silva Avancini
Canadá: Benjamin Perry, Charles-Antoine Forest Leblanc, Guillaume Fiset, Kyle Fry, Logan Cobham, Léonard Péloquin, Raphael Couturier, Theodore Kincaid
Chéquia: Martin Stosek, Petr Vakoč, Tomáš Kalojiros
Dinamarca: Andreas Stokbro Nielsen, Casper Ingerslev Nielsen, Jonas Lindberg, Karl-Erik Rosendahl, Mads Würtz Schmidt, Magnus Bak Klaris, Morten Örnhagen Jørgensen
Finlândia: Jaakko Sillankorva, Sampo Malinen
Alemanha: Jasper Britz, Luis Neff, Ole Theiler, Paul Voss
Grã-Bretanha: Connor Swift, Jenson Young, Travis Bramley
Israel: Ayal Kline, Daniil Igumnov, Jonathan Baron, Roi Milman, Salman Nabwani, Yoav Ashkenazi
Itália: Alessandro Pellegrini, Elia Tovazzi, Gianluca Cordioli, Tommaso Daniel
Japão: Issei Matsumoto, Koki Shirakawa, Takashi Kataoka, Takayuki Abe, Toki Sawada
Lituânia: Martynas Tomkus, Valdemar Volodko
Luxemburgo: Loïc Bettendorff
México: Santiago Velarde Esparza
Países Baixos: Adne Koster, Jake Griffin, Jordan Habets, Martijn Braspenning, Mathijs Loman, Peter Schulting, Piotr Havik, Rick Nobel, Rick Ottema, Ruud Junior Nagengast, Thijs Wemmers
Nova Zelândia: Jeremy Presbury
Noruega: Anton Stensby, Jonas Orset
Filipinas: Christian Timbang, Dave Roa, Edmhel John Flores, Emmanuel Dave Montemayor, Jerico Rivera, Joshua Alano, Lugi Mamburan, Mark Louwel Valderama, Mike Piolo Lugtu, Nash Joshua Lim
Polónia: Kacper Wielgosz
África do Sul: Daniel Van Der Watt, Jaedon Terlouw, Marc Pritzen, Matthew Beers
Suécia: Michael Tjulander
Suíça: Casey South, Felix Stehli, Pascal Pensa, Roman Holzer
Estados Unidos: Brandon Lee, Griffin Easter, Keegan Swenson, Wyatt Gaulke
Aleksandr Grigorev
Nota: as listas podem ser atualizadas pela organização. Para a versão oficial mais recente, consulta a página dos Mundiais de Gravel 2026 da UCI.
Subscreve a newsletter semanal para receberes todas as notícias e conteúdo original do TopCycling.pt. Segue-nos nas várias redes sociais: Youtube, Instagram, “X” e Facebook.