João Almeida na Volta à Catalunha | Confiram as etapas e os rivais
A Catalunha é o cenário do único mano a mano entre João Almeida e Jonas Vingegaard antes do Giro de Itália. Afonso Eulálio, Remco Evenepoel e muitos craques numa lista de partida de sonho.
De 23 a 29 de março, a Volta à Catalunha coloca João Almeida frente a dois campeões de Grandes Voltas, como Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel.
É o teste mais sério para os candidatos ao Giro de Itália, que se inicia a 8 de maio. O corredor de A dos Francos falhou o Paris-Nice e não corre desde que foi 3º na Volta ao Algarve, enquanto o dinamarquês abriu a época dominando o Paris-Nice.
Na Catalunha, este trio não se apresenta com o mesmo conhecimento específico acerca de uma das sete Voltas de uma semana mais importantes do mundo.
Almeida é o mais experiente, com quatro participações – 3º em 2022 e em 2023, 7º em 2021, 9º em 2024 – e já ganhou no alto de Boí Taull, em 2022; Evenepoel ficou a seis segundos do triunfo (em 2023) numa edição em que ganhou tanto La Molina como Barcelona; e, dos três, apenas Vingegaard é estreante.
Os vencedores dos últimos anos dispensam apresentações: Primož Roglič (em 2025 e em 2023) e Tadej Pogačar (2024).
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Mano a mano Almeida-Vingegaard
O duelo entre Visma-Lease a Bike, vencedora por equipas no ano passado, Red Bull-Bora-Hansgrohe e UAE Emirates-XRG deve monopolizar a luta pela geral. Quanto ao mano a mano Almeida-Vingegaard, basta recordar as palavras do campeão da Vuelta aos jornalistas durante a apresentação da Visma, em janeiro.
“O João é um dos melhores ciclistas do mundo. Vai estar muito forte no Giro. Vamos encontrar-nos também na Catalunha, por isso a preparação para o Giro será parecida. Há uma rivalidade, claro. Gosto de correr contra ele, é forte e bom tipo, gosto de conversar com ele. “É muito forte mentalmente, nunca quebra. Mesmo que um dia o faça descolar é duro abrir vantagem. Tens que lutar por isso. É o mais importante, a força mental dele e o facto de nunca desistir.”
Uns dias antes, na apresentação da UAE, também João Almeida se referiu ao estilo ofensivo e frontal do rival dinamarquês.
“Quando arranca, arranca. Também me pode surpreender, por isso temos que estar atentos. Mas o principal é estar forte, todos são derrotáveis e não tenho medo de ninguém.”
Será que à quinta João Almeida o Giro de Itália?

Foto: A.S.O. Billy Ceusters
Candidatos ao Giro e referências do Tour
Afonso Eulálio também corre a sua primeira prova por etapas na Europa esta temporada, após ter sido 5º no Alula Tour, ter ajudado o amigo Antonio Tiberi a fazer pódio no UAE Tour e de conseguir melhorar na Strade Bianche (de 46º em 2025 para 27º este ano).
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Há mais craques além dos já mencionados. Após vencer o Nacional colombiano, Egan Bernal (Ineos Grenadiers) abre a época na Europa numa prova em que já foi 3º em 2019 e em 2024, antes e depois do acidente que lhe marcou a carreira.
Também estão outros rivais de João Almeida no próximo Giro de Itália, precisamente o 3º e 4º classificados da edição anterior da corrida italiana, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) e Derek Gee (Lidl-Trek). O equatoriano, que foi campeão olímpico em Tóquio, tem história na Catalunha onde foi 2º em 2022, edição liderada por João Almeida até Carapaz se aliar com com Sergio Higuita e juntos lançarem um ataque demolidor que deu a etapa ao equatoriano e a geral ao colombiano.
Nota para as presenças fortes de várias equipas. A Movistar leva o campeão de 2016, Nairo Quintana, e o 3º colocado do ano passado, Enric Mas, já a Red Bull aposta em Jai Hindley (4º na Vuelta a Espanha) e em Florian Lipowitz (3º no Tour de France).
Individualmente, destaque para dois top 5 do passado Tour de France, como Oscar Onley (Ineos) e Felix Gall (Decathlon), para o eterno candidato, Mikel Landa (Soudal Quick-Step), 2º em 2024, e para um dos homens em forma do pelotão, Tom Pidcock (Pinarello-Q36.5), vencedor da recente Milão-Turim e 3º na última Vuelta a España.
É uma lista de partida que junta candidatos ao Giro e referências do Tour.
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A.S.O./ Tony Esnault
Percurso da 105ª edição
Confere o percurso da 105ª edição de uma corrida que se inicia na Costa Brava, passa pelos Pireneus e finaliza em Barcelona, cidade que vai receber a partida do Tour de France.
- 1ª etapa | Sant Feliu de Guíxols | 173 km | 23/03 | 11:50h – 16:00h
A prova arranca logo com uma montanha de primeira categoria a meio da jornada inaugural, reservando um traiçoeiro final em rampa em Sant Feliu de Guíxols.
- 2ª etapa | Figueres – Banyoles | 167 km | 24/03 | 11:55h – 16:00h
Sem um dia garantido para os sprinters, tanto a jornada com final em Banyoles, como a do dia seguinte, em Vila-seca, são o mais parecido que o pelotão terá com dias fáceis e onde o sprint massivo pode acontecer.
- 3ª etapa | Mont-roig del Camp – Vila-seca | 159 km | 25/03 | 12:35h – 16:25h
Possível chegada ao sprint, mas há que ver se algo acontece na subida a La Mussara (10km a 6%), situada no início da etapa e que será o aperitivo para a alta montanha dos dias seguintes.
- 4ª etapa | Mataró – Vallter | 173 km | 26/03 | 11:35h – 16:00h
Primeira de três jornadas de alta montanha com os Pireneus em destaque. Esta clásica etapa começa ao nível do mar e termina a 2143 metros de altitude, em Vallter, após uma subida de 11,4km a 7,6% que leva à estância de esqui que chegou à Volta em 1986. Tadej Pogacar foi o mais recente vencedor em Vallter, há dois anos.
- 5ª etapa | La Seu d’Urgell – La Molina / Coll de Pal | 155 km | 27/03 | 10:35h – 15:00h
O segundo dia nos Pireneus marca o regresso, 50 anos depois, da subida ao Coll de Pal (16,5km a 7,2%), situado acima dos 2000 metros de altitude. Antes, o pelotão sobe os duros Coll de Fumanya (5,5km a 9%) e Collada Sobirana (7,2km a 6,7%). Esta montanha apenas foi passada em 1978 e em 1979, com triunfos do basco Francisco Galdós e do catalão Ricardo Zuñiga. O Coll de Pal foi final de etapa na Vuelta a Espanha femenina do ano passado, que terminou com triunfo de Demi Vollering.
- 6ª etapa | Berga – Queralt | 158 km | 28/03 | 11:45h – 16:00h
O tríptico pirenaico termina no sábado com a etapa que finaliza em alto, no Santuário de Queralt (6km a 7%). Antes, sobem Coll de Pradell (14,5km a 7% com os últimos 5,5km a 11%) e Collada de Sant Isidre (6km a 8%). Esta será o terceiro dia consecutivo com mais de 4000 metros de desnível positivo acumulado.
- 7ª etapa | Barcelona – Barcelona | 95 km | 29/03 | 10:50h – 13:00h
Manda a tradição que o final seja na capital, em Barcelona, onde o circuito do parque olímpico de Montjuic reserva sempre jornadas de ciclismo de ataque. Basta recordar o final da edição passada, quando Roglic arrancou a duas voltas e meia da conclusão da corrida deixando sem resposta o então líder Juan Ayuso. O esloveno ganhou a etapa e a Volta.