Ayuso e as máquinas que vão aquecer o ciclismo em 2026

Ayuso e as máquinas que vão aquecer o ciclismo em 2026

Propomos cinco nomes que se querem impor no ciclismo em 2026, numa lista encabeçada por Juan Ayuso, reforço da Lidl-Trek.

Dois anos após fazer pódio na Vuelta, Juan Ayuso tem nova oportunidade para deixar uma marca no ciclismo, agora como líder da Lidl-Trek para 2026.

No ano passado, por esta altura, antecipamos que ia ser o ano de Arnaud De Lie, Soren Waerenskjold e Lenny Martinez. O Touro belga mergulhou numa crise profunda, mas fechou 2025 forte; o norueguês ganhou a Omloop Het Nieuwsblad e a Volta à Alemanha; o francês bateu João Almeida na Romandia e Jonas Vingegaard no Dauphiné.

É aleatória a tarefa de antecipar os acontecimentos, mas este ano quisemos ir mais longe e lançamos cinco nomes que vão dar passos firmes nas respetivas carreiras.

Juan Ayuso impôs-se no Tirreno-Adriático de 2025.
Foto: Massimo Paolone/LaPresse

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Juan Ayuso | Lidl-Trek

Passam os anos e Juan Ayuso continua a ser tema recorrente. Poderá suceder a Alberto Contador nas Grandes Voltas? Talvez a Valverde em corridas de um dia? Será capaz de sentar-se à mesa com Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard?

Com o talento de Jávea têm surgido mais perguntas do que respostas. O potencial é óbvio, mas desde que fez pódio na Vuelta a Espanha de 2022, logo na estreia em três semanas, nunca mais vimos essa versão consistente.

Ter a arte de convencer craques mundiais a deixarem a pele na estrada e abdicarem da ambição individual é uma das marcas dos líderes. Neste capítulo, Juan Ayuso falhou no Tour de 2024 e na Vuelta de 2025, quando mostrou a Tadej Pogacar e a João Almeida que não era capaz de se sacrificar por eles.

Um individualista nunca receberá dos colegas o altruísmo que é essencial numa Grande Volta. Haverá furos e quedas, dias bons e maus, calor e frio – Ayuso vai precisar de colegas nestas situações.

Se há uma equipa que privilegia o coletivo é a Lidl-Trek. Mads Pedersen é o kingmaker da estrutura germânica: destruiu o pelotão na Paris-Nice para ajudar Mathias Skjelmose, lançou Carlos Verona para a vitória no Giro de Itália e fartou-se de trabalhar para Giulio Ciccone na Vuelta a Espanha.

A relação que se estabeleça entre os dois, mesmo que não venham a correr juntos, pode ditar o sucesso desta contratação. Por agora, quem não encaixou bem a chegada de Ayuso foi Skjelmose.

O dinamarquês passou de ser o plano A para o Tour de France a ser colíder. Ayuso tem melhor registo global: ganhou etapas no Giro, na Vuelta, foi 3º e 4º na prova espanhola, ganhou País Basco e Tirreno; Skjelmose foi 5º na Vuelta e ganhou Suíça e Amstel.

Quis o destino que se encontrassem no final de 2025; no Europeu Ayuso bateu Skjelmose (6º vs. 7º) e no Mundial foi o dinamarquês a impor-se (4º vs. 8º). Em 2026 tiramos as teimas sobre quem é o melhor.

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Foto: LaPresse

Jarno Widar | Lotto

É o voltista mais empolgante da nova geração e é belga! O país sem montanha voltou a produzir um potencial campeão de Grandes Voltas e, ao contrário de Remco Evenepoel, este é trepador.

Jarno Widar é produto da formação da Lotto e acaba de renovar até 2027. Foi júnior na Crabbe-Dstny, tal como Arnaud De Lie, subiu a sub-23 na Lotto e só não passou a profissional antes porque quis tentar ser campeão do mundo – nem em Zurique nem em Kigali foi bem-sucedido.

A timidez no trato contrasta com a forma vistosa de correr. É capaz de ganhar nas Ardenas, no pavê e na alta montanha.

O primeiro belga a vencer o Giro Next Gen em 47 edições, em 2024, colecionou outras vitórias importantes nas camadas jovens: Volta à Flandres, Liège–Bastogne–Liège, Flèche Ardennaise, etapa e geral no Circuito das Ardenas, Ronde de l’Isard, três etapas e geral no Giro della Valle d’Aosta, duas etapas e 2º no Tour de l’Avenir (que perdeu para Paul Seixas) e o Campeonato da Europa.

Após vencer a segunda Bicicleta de Cristal, prémio para o melhor jovem belga do ano, o miúdo do Limburgo já aponta a corridas importantes em 2026: Strade Bianche, Liège e Vuelta.

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Paul Magnier ganhou a Heistse Pijl para a Soudal Quick-Step.
Foto: Luc Claessen/Getty Images

Paul Magnier | Soudal Quick-Step

É justo dizer que o francês já marcou o ciclismo em 2025, mas tendo em conta a espetacular confiança que ganhou na reta final do ano antecipamos que ainda pode subir mais um patamar.

Foram 19 vitórias, só Tadej Pogacar o superou em número de triunfos, e o mais impressionante é que até junho só tinha uma. Chegou o verão e o miúdo nascido no Texas abriu o frasco do ketchup com três provas de um dia na Bélgica.

Depois de aquecer, veio a vitória no WorldTour, na Polónia. O período mais espetacular foi vivido em corridas por etapas dominando os sprints na Eslováquia (quatro), Croácia (quatro) e Guangxi (cinco).

Com um também incrível Tim Merlier na equipa – o belga venceu 16 corridas e é o titular para o Tour de France – deve ser Paul Magnier o líder no Giro de Itália, que abandonou este ano no segundo dia de descanso e já só com alta montanha pela frente.

Magnier ainda não concluir uma prova de três semanas, não venceu em Grandes Voltas nem ganhou uma clássica de topo. São estas as prioridades para 2026; o Tour pode esperar.

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Foto: Charly Lopez

Cian Uijtdebroeks | Movistar

O fácil era pegar em Isaac Del Toro (UAE Emirates) e dizer que é o corredor que em 2026 mais água na boca gera no que às corridas por etapas diz respeito. Afinal, o mexicano ganhou 18 corridas, duas Voltas (Áustria e Burgos) e foi 2º no Giro, que só perdeu por inexperiência para Simon Yates.

Del Toro é fabuloso, mas não é o voltista que mais quero ver na próxima época. Escolho Cian Uijtdebroeks, o reforço da Movistar que nem a imprensa espanhola viu chegar.

Para trás ficou uma quebra de contrato polémica com a Bora, que o recrutou ainda júnior, e a passagem complicada pela Visma marcada por lesões sucessivas. Em quatro anos como profissional quase não o vimos; a boa notícia é que ainda tem 22 anos.

Quando era júnior, na Acrog-Tormans Balen BC, comentava-se que tinha melhores dados de potência do que Remco Evenepoel nos testes de pré-época feitos na Comunidade Valenciana. Ao terem passado pela mesma estrutura entende-se que sabem do que falam.

Só que o ciclismo moderno vive obcecado com dados e esquece o importante que são o instinto, a capacidade de lidar com a pressão e a personalidade. Evenepoel é mentalmente fortíssimo e essa parece ser a debilidade de Uijtdebroeks, que não soube lidar com o estatuto de campeão da Volta à França do Futuro.

Duas vitórias como profissional, em quatro épocas, e dois abandonos em Grandes Voltas após fazer 8º na Vuelta a Espanha em 2023. O potencial está lá e o belga terá que o mostrar primeiro em corridas de uma semana antes de avançar para as de três.

Cian Uijtdebroeks assinou por quatro anos e a Movistar pode ser o ambiente de baixa pressão que precisa. O líder continua a ser Enric Mas, mas o jovem de 22 anos recuperou o golpe de pedal vencendo o Tour de l’Ain, sendo 2º na Chéquia, 5º na Eslováquia e 6º Guangxi, além de em provas de um dia ter fechado 10° na Lombardia e 8º no Giro de Emilia.

Vitória de Kooij no Giro na etapa que ligou Modena a Viadana.
Foto: Fabio Ferrari/LaPresse

Olav Kooij | Decathlon CMA CMG

Olav Kooij desperta interesse não porque não saibamos o forte que é, mas pelo projeto ambicioso que vai liderar na Decathlon.

Trocar a Visma pela equipa francesa é chamativo, afinal, quem é que deixa uma das superestruturas do ciclismo? A resposta é fácil: os sprinters.

No ciclismo moderno deixou de haver espaço para os velocistas nas equipas que privilegiam as Grandes Voltas. Jasper Philipsen passou pelo mesmo quando saiu da UAE para assinar pela Alpecin-Deceuninck, ainda a equipa dos irmãos Roodhooft estava na segunda divisão.

Kooij já faz parte do grupo de grandes sprinters, como atestam duas épocas seguidas a ganhar no Giro de Itália e as 47 vitórias em cinco anos. Só que nunca ganhou uma grande clássica – em Hamburgo, em 2024, bateu Jonathan Milan numa corrida que é WorldTour, mas não tem o peso histórico de outras clássicas.

A Decathlon converteu-o no sprinter mais bem pago do mundo e o homem dos três milhões de euros por época vai ter que responder no Tour de France, que nunca correu, motivo principal que o levou a deixar a Visma.

Olav Kooij e Paul Seixas são os líderes da nova Decathlon. Se ambos estarão no Tour depende apenas do fenómeno com raízes portuguesas, já que o neerlandês está garantido e para tal os franceses abriram os cordões à bolsa para montar um leadout top com Cees Bol (Astana XDS), Robbe Ghys (Alpecin-Deceuninck) e Daan Hoole (Lidl-Trek).

Com Magnier, De Lie e Brennan forma um quarteto de aspirantes que se propõe destronar o triunvirato do sprint mundial (e das clássicas da primavera) composto por Philipsen, Milan e Merlier.

Ler mais | Kooij e Seixas lideram a nova Decathlon

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