Três talentos que vão explodir no ciclismo em 2024

Três talentos que vão explodir no ciclismo em 2024

Será 2024 o ano do Touro De Lie? Terá a Noruega um classicómano de topo mundial em Wærenskjold? Poderá Martinez salvar a França no Tour?

Na temporada passada vários atletas atingiram patamares altos em termos de rendimento. Neilson Powless, Mathias Skjelmose, Fred Wright, Ethan Vernon, Matteo Jorgenson são exemplos de corredores que se apresentaram nas suas melhores versões.

Como será em 2024? Quem são os talentos que vão explodir no ciclismo? Optei por selecionar um sprinter, um classicómano e um voltista.

O triunfo insólito de Arnaud De Lie na Famenne Ardenne.

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De Lie é tão forte que ganhou só com uma perna

Com perto de 1,80 de altura e pesando 77 quilos… o Touro de Lescheret!

Imaginem um ringue de boxe e um lutador com cara fechada e punhos de aço. Arnaud De Lie apareceu de rompante no ciclismo de elite, como uma espécie de touro enraivecido que a Lotto-Dstny preparou na equipa de sub-23.

Em dois anos como profissional somou 24 vitórias e em 2023 subiu o nível ganhando pela primeira vez no WorldTour, no GP Québec. Foi um ano excelente do sprinter que totalizou 55 dias de competição, 13 vitórias e 38 top 10.

No Québec – prova com 201 km e um circuito rompe pernas com 3000 metros de desnível positivo acumulado – o Tour impôs-se a Corbin Strong e Michael Matthews, bicampeão no evento québécois.

De Lie é tão forte que ganhou só com uma perna a Famenne Ardenne! A potência trabalhou-a ajudando o pai exploração agrícola em Libramont, onde cresceu e onde criam vacas.

Se há uma exibição que fica de 2023 foi a do Europeu. Num percurso duro com várias ascensões ao inclinado Vamberg, De Lie rebentou com o grupo dos favoritos na última volta e serviu a vitória ao colega Wout Van Aert… que falhou e perdeu para Christophe Laporte. Nesse dia viu-se que De Lie é muito mais do que sprinter e pode aspirar a grandes coisas, incluindo a ganhar a Volta à Flandres!

Norueguês Wærenskjold brilha no Saudi Tour ganho por Rúben Guerreiro.

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Soren Waerenskjold está em fase de consolidação

Tem 23 anos e desde os 18 que corre entre profissionais. Soren Waerenskjold está em fase de consolidação depois de fechar 2023 com seis vitórias.

Começou a ganhar em fevereiro, no Saudi Tour, despachando Jonathan Milan e Ces Bol num final em subida e rampas de 13 por cento. Terminou a levantar os braços em agosto, como campeão do Tour Poitou-Charentes. Pelo meio deu o triunfo a Alexander Kristoff em Lagos lançando o veterano sprinter na Algarvia.

Waerenskjold é natural de Mandal, no sul da Noruega. Tem um físico impressionante (mede 1,95 e ronda os 90 quilos) que lhe permite adaptar-se a vários terrenos. É dos melhores roladores do pelotão, tem um bom sprint e defende-se nas subidas curtas e explosivas.

Nos invernos aproveita para regressar ao ciclocrosse, onde foi campeão nacional em juniores e em elites. Waerenskjold é um todo o terreno que reúne as características para se mostrar nas clássicas do pavê.

Em 2018 foi 2º na Gent-Wevelgem júnior ganha num sprint a dois por Samuele Manfredi. O italiano era campeão europeu de perseguição, foi 2º em Roubaix e já estava na FDJ. Um choque frontal com um carro acabou-lhe com a carreira.

Dois júniores destinados ao êxito tiveram destinos diferentes. Manfredi nunca mais pegou numa bicicleta enquanto Waerenskjold teve uma passagem espetacular em sub-23 (título mundial de contrarrelógio e três etapas no Tour de l’Avenir) e é um dos líderes da Uno-X.

Lenny Martinez, um talento forjado no Mont Ventoux.

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Lenny Martinez tem ADN de campeão

É muito difícil chegar ao WorldTour e causar o impacto que causou Lenny Martinez. O neo-pro da Groupama-FDJ tornou-se o mais jovem líder da história da Vuelta a Espanha aos 20 anos e 51 dias superando o recorde de Miguel Indurain.

Martinez teve um trajeto prometedor na equipa de desenvolvimento da Groupama-FDJ e tem genes de ciclista – o avô Mariano ganhou a medalha de bronze no Mundial de 1974 atrás de Eddy Merckx e de Raymond Poulidor, enquanto o pai Miguel foi campeão olímpico de mountain bike em 2000, em Sidney.

Lenny Martinez tem ADN de campeão. A terceira geração da família de ciclistas não demorou a mostrar serviço e na Mercan’Tour Classic, em maio, obteve o primeiro top 10 como profissional (foi 4º). Antes, na Volta à Catalunha, já tinha sido 12º.

Em abril foi batido por Victor Lafay na clássica Grand Besançon Doubs. Em evidente boa forma, Lenny Martinez estreou-se a ganhar em junho após dupla subida ao Mont Ventoux. Sucedeu a Rúben Guerreiro como campeão!

Depois veio a glória na Vuelta a Espanha. Chegada ao Observatório de Javalambre, vitória de Sepp Kuss. O 2º na meta foi Lenny Martinez – novo líder da corrida. Comandou dois dias até que Kuss agarrou na vermelha definitivamente.

Terá a França encontrado o sucessor de Bernard Hinault? A Groupama-FDJ vai ter missão difícil para proteger o talentoso trepador da ânsia dos franceses em encontrar um campeão e 2024 não será o ano ideal já que teremos dois contrarrelógios individuais.

Mesmo assim, o calendário é suficientemente vasto para permitir a Lenny Martinez consolidar-se como voltista.

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