Calendário em alta e ProTeams em crise: o que mudará no ciclismo em 2027?

Há um fenómeno a acontecer no ciclismo: por um lado, há mais corridas profissionais, por outro lado, há menos atletas na segunda divisão, situação que se acentuará em 2027 com o desaparecimento de Flanders Baloise, Kern Pharma e TotalEnergie.
O que mudará em 2027 no ciclismo masculino? Começando pelo calendário, no WorldTour os dias de competição estabilizaram em torno a 169-171, pelo que não há margem para alterações sem modificar o formato atual das provas.
Para 2029, a UCI quer revolucionar as competições, reduzindo as Grandes Voltas de 21 para 16 etapas, criando tetos salariais para as equipas, entre outras ideias que serão debatidas em breve. Até lá, tudo se mantém como está.
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Rafa Gomez/Sprint Cycling Agency
Volta a Portugal tentou subir de escalão
Já as provas ProSeries e de classe 1 têm vindo a aumentar e o próximo mês de janeiro é disso exemplo.
O habitual início de época passará da Austrália para Espanha e podemos ainda observar como o pelotão se vai ter que desdobrar pela coincidência de provas em diferentes continentes.
| Nome do evento | País | Data | Classe da prova | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Volta às Canárias | Espanha | 14 a 17 | 2.1 | Estreia |
| Tour Down Under | Austrália | 19 a 24 | WT | Sem alterações |
| Clássica de la República | México | 17 | 1.1 | Estreia |
| Volta ao México | México | 19 a 23 | 2.1 | Estreia |
| GP Castellón | Espanha | 23 | 1.1 | Sem alterações |
| GP Comunitat Valenciana | Espanha | 24 | 1.1 | Sem alterações |
| AlUla Tour | Arábia Saudita | 25 a 29 | ProSeries | Sem alterações |
| Volta à Colômbia | Colômbia | 26 a 31 | 2.1 | Regress |
| Pune Grand Tour | Índia | 26 a 31 | 2.1 | Sobe de classe |
| Challenge de Maiorca | Espanha | 27 a 31 | 1.1 | Sem alterações |
| Surf Coast Classic | Austrália | 28 | ProSeries | Sobe de classe |
| GP La Marseillaise | França | 31 | 1.1 | Sem alterações |
A tendência dos organizadores é de criar, reformular ou recuperar corridas. Os exemplos acima citados concentram-se no primeiro mês do ano, mas ao longo da época encontramos mais modificações.
A Volta à Noruega, por exemplo, regressa ao calendário ProSeries entre 27-30 de maio após não se realizar …); Voltas como Eslovênia (17-30 de setembro) e Croácia (22-26 de setembro) sacrificam uma etapa para adicionar uma clássica prévia ao evento principal – os eslovenos criaram a Premium Alpine Race (dois dias antes da Volta) e os croatas a CRO Race Classic na véspera da corrida principal.
Tratam-se de provas de um dia da classe 1 e o objetivo é colocar mais pontos UCI em jogo: aos 250 pontos da prova por etapas somam 125 pontos da prova de um dia.
A Volta a Portugal tentou subir de escalão, mas, segundo o Diário de Notícias, o pedido foi rejeitado e caso venha a ser aceite só entrará em vigor para o período 2029-2031. No próximo ano realiza-se entre 4-15 de agosto.
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Foto: Igor Martins – Volta a Portugal
Faltam equipas para tantas corridas
Em tendência inversa à do calendário, que tem crescido ano após anos, o pelotão tem vindo a encolher.
Os dados da última década, no que ao número de ProTeams diz respeito, indicam que perdemos 10 estruturas e qualquer coisa como 250 a 300 ciclistas na segunda divisão. Sem falar de membros de staff, que também são às dezenas – por outro lado, alguns destes profissionais foram parar a equipas de desenvolvimento, ao ciclismo feminino ou a projetos Continentais (terceira divisão).
Basta analisar o número de ProTeams ao longo da última década:
- 2016: 23
- 2017: 22
- 2018: 27
- 2019: 25
- 2020: 19
- 2021: 19
- 2022: 17
- 2023: 18
- 2024: 17
- 2025: 17
- 2026: 16
- 2027: 13 (por confirmar)
A Flanders Baloise e a TotalEnergie desaparecem após mais de 20 anos de atividade, enquanto que a Kern Pharma nao chegou a cumprir 10 no pelotão.
Das tres, apenas a formação belga confirmou que fecha mesmo portas, enquanto Total e Kern mantêm uma réstia de esperança, embora tenham já perdido a maioria dos principais corredores por lhes terem dado carta branca para procurar equipa.
O menor número de ProTeams dificulta a tarefa dos organizadores, pelo que podemos esperar pelotões mais curtos e com menos qualidade em provas ProSeries e de classe 1, já que nestas corridas só podem estar 70 e 50 por cento de equipas do WorldTour, respetivamente.

Créditos: Miguel Simão
Outra questão é o interesse que um projeto de primeira divisão terá em disputar provas com poucos pontos UCI, dado que as 18 WorldTeams têm equipas de desenvolvimento – com licença Continental – que as podem representar.
E com isto encontramos parte da explicação para a drástica redução das ProTeams: na ânsia de acelerar a profissionalização dos atletas sub-23, as WorldTeams criaram equipas de desenvolvimento e até de juniores, recrutando os melhores talentos disponíveis e oferecendo-lhes prioridade no acesso ao topo da pirâmide do ciclismo.
Há exceções, como a Tudor ou a Pinarello Q36.5, que correm como ProTeams quando realmente são superestruturas e trabalham com orçamentos de nível WorldTour.
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