História e estatística do Mundial | McNulty e o “resto do mundo” batem a Europa

Há 33 anos que os EUA não venciam o título mundial de estrada, até que Brandon McNulty acabou com a seca, numa prova onde se estabeleceram registos curiosos para nações com menos tradição no ciclismo face às potências da Europa.
Para as seguintes estatísticas tenham em conta que só está em análise a prova de fundo dos elites masculinos, onde, por exemplo, nunca quatro dos cinco primeiros classificados tinham sido atletas não europeus:
- Brandon McNulty (EUA)
- Michael Matthews (AUS)
- Mathieu van der Poel (NED)
- Quinn Simmons (EUA)
- Isaac Del Toro (MEX)
O anterior Mundial com tanta presença de ciclistas provenientes de fora da Europa datava de 2004, quando os os australianos Stuart O’Grady e Allan Davis foram 4.º e 5.º, atrás de Oscar Freire, Erik Zabel e Luca Paolini.
Também no pódio se deu algo inédito, já que em toda a história do Mundial o ouro e a prata nunca tinham ido para ciclistas de fora da Europa. Graças a Brandon McNulty e a Michael Matthews, isso não só sucedeu, como também o estadunidense logrou um quinto título para os demais continentes:
- 1983: Greg LeMond (EUA)
- 1989: Greg LeMond (EUA)
- 1993: Lance Armstrong (EUA)
- 2009: Cadel Evans (AUS)
- 2026: Brandon McNulty (EUA)

Foto: A.S.O./Charly López
Exibição coletiva espetacular
A forma como a prova foi ganha em Montreal seguiu a tendência das últimas sete edições, que foram ganhas com ataques a solo a mais de 10 km do final, isto é, com o campeão a entrar isolado na meta após atacar.
A movimentação de McNulty a 32 km da meta superou os ataque de Remco Evenepoel (2022 – 26 km) e de Mathieu van der Poel (2023 – 22 km). Só as duas vitórias de Tadej Pogacar (2025 – 67 km e 2024 – 52 km) foram construídas de mais longe.
Para este dado estatístico conta somente o momento em que o corredor ficou sozinho na frente. O maior solo num Mundial continua a ser do italiano Adorni que, em 1968, atacou a 90 km e chegou sozinho.
Para os EUA o Mundial também foi histórico, já que colocaram três ciclistas nos oito primeiros – além do campeão McNulty, Quinn Simmons foi 4.º e Matteo Jorgenson 8.º. Não só é a primeira vez dos EUA, mas também uma exibição coletiva espetacular de uma nação que não víamos desde 2008, por parte da Itália.
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Ciclistas com mais medalhas sem um título
Além dos norte-americanos, houve outra nação que fez história em Montreal: a Austrália.
Michael Matthews, 2.º classificado, fez o poker de medalhas ao conquistar a quarta (2.º em 2015 e 2026, 3.º em 2017 e 2022). Falta-lhe o ouro, tal como aconteceu com Raymond Poulidor em 1961, 1964, 1966 e 1974; ambos partilham o facto de serem os ciclistas com mais medalhas sem um título.
O australiano, que em março partiu os dois pulsos e esteve hospitalizado, igualou também Greg LeMond como o não europeu com mais metais na corrida.
Como pudemos constatar, Montreal 2026 ficará para a história por vários motivos, sobretudo pela superioridade invulgar do resto do mundo face à Europa.