Três vitórias icónicas no ciclismo em 2023

Três vitórias icónicas no ciclismo em 2023

Vingegaard no contrarrelógio do Tour de France, Pogacar na Volta à Flandres e Almeida no Monte Bondone são três momento que marcam a época de ciclismo de 2023.

Icónico vem do grego (eikónikos) e designa o que representa, que reproduz, que foi copiado. Se algo representa o ciclismo moderno é a forma como alguns corredores têm tornado possíveis prestações que pareciam impossíveis.

Diferenças inacreditáveis no contrarrelógio, voltistas que ganham clássicas, nada parece estar fora do alcance dos fenómenos que dominam a modalidade. João Almeida não mostrou ainda ter a capacidade de Jonas Vingegaard ou Tadej Pogacar, mas a vitória no Monte Bondone é histórica para Portugal.

Por nos terem deixado de boca aberta destacamos estas três vitórias icónicas no ciclismo em 2023.

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Como é que Vingegaard vaporizou Pogacar?

O único contrarrelógio individual do Tour de France decorreu na 16ª etapa, que uniu Passy e Combloux. O timing não foi escolhido ao acaso já que se tratou da jornada após o segundo dia de descanso nos Alpes.

Num percurso de 22,4 km com quase 650 m de acumulado e subida ao Côte de Domancy tudo por decidir: Jonas Vingegaard partiu com 10 segundos sobre Tadej Pogacar na classificação geral!

Como é que Vingegaard vaporizou Pogacar? Em entrevista ao site Escape Collective, Mathieu Heijboer, diretor de performance da Jumbo-Visma, explicou que Vingegaard tem uma posição aerodinâmica perfeita, treina duas a três vezes por semana com a cabra e produziu 380 watts de média no contrarrelógio (tinham projetado 360 watts).

“Comecei a ter dúvidas e pensei que o Garmin estivesse estragado. Tinha grandes pernas.”

Jonas Vingegaard ao Eurosport.

O artigo tenta encontrar explicação para algo difícil de explicar: como é que Vingegaard ganhou 1:38 a Pogacar, isto é, 4,4 segundos ao quilómetro? Os céticos dirão que é impossível e os crentes que se deve à metodologia aplicada pela Jumbo.

Uma coisa é certa: a Jumbo ganha à UAE na preparação. Para este crono pediram à Cervelo um quadro sem pintura poupando cerca de 100 gramas face ao modelo P5 convencional, além de que todos os componentes foram otimizados no túnel de vento. Ao nível do staff têm especialistas de diversas áreas – o investigador Bert Blocken, por exemplo, coordenou estudos de aerodinamismo aplicado ao ciclismo.

Na UAE não há a mesma profundidade em termos de staff já que David Herrero é ao mesmo tempo responsável pela aerodinâmica, análise e performance.

Um dia de inspiração de Vingegaard aliado à preparação meticulosa da Jumbo permitiram a estreia do dinamarquês a ganhar um contrarrelógio no WorldTour!

O Tour de France de 2024 vai acabar com um contrarrelógio duro em Nice. O precedente foi estabelecido por Jonas Vingegaard, cabe a Tadej Pogacar responder.

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Pogacar foi à Flandres tirar a pedra no sapato

Aos 24 anos e após nove vitórias em fevereiro e em março, Tadej Pogacar foi à Flandres tirar a pedra no sapato. Em janeiro já o esloveno tinha dito ao TopCycling que a Flandres era pura diversão e um objetivo de carreira, sobretudo após ser 4º em 2022 num sprint tosco.

Porque é que a vitória de Pogacar no segundo Monumento do ano é icónica? Ao dominar o pavê da Flandres o esloveno converteu-se no terceiro corredor a juntar Volta à Flandres e Tour de France, algo que só Louison Bobet e Eddy Merckx tinham feito.

O triunfo foi cozinhado nas três passagens por Oude Kwaremont, onde Pogacar acelerou sem piedade. Na última, soltou Mathieu van der Poel. Antes, no Kruisberg, os dois tinham deixado Wout Van Aert para trás.

Depois da Flandres viriam duas vitórias nas Ardenas, o 2º lugar no Tour de France, a terceira Lombardia consecutiva e o número um do ranking UCI. Cinco Monumentos ganhos aos 25 anos!

Muitos consideram que 2023 é o ano em que Pogacar perdeu o Tour, para mim foi a época que transformou o esloveno numa lenda na Flandres.

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João Almeida no Monte Bondone

Não é todos os dias que um português ganha no Giro de Itália. Ao longo da história só em sete ocasiões um corredor nacional se impôs e o pioneiro foi Acácio da Silva. Só à conta do antigo craque da Carrera e da Kas foram cinco etapas entre 1985 e 1989.

A nova geração tem continuado o trabalho de Acácio: em 2020 Ruben Guerreiro deu um tiro certeiro em Roccaraso, nos Abruzos, e em 2023 João Almeida conquistou o Monte Bondone, nas Dolomitas.

Ocorreu na 16ª etapa do Giro de Itália e ficará para sempre no imaginário dos aficionados. Após 12 dias de chuva houve sol à partida nas margens do Lago Garda. Pela frente 203 km com 5200 m de acumulado e quase seis horas de etapa.

Batalha em perspetiva entre João Almeida, Primoz Roglic e Geraint Thomas, só que o esloveno entrou em crise e só não perdeu o Giro porque Sepp Kuss salvou o dia.

Dia incrível de João Almeida que venceu na mesma subida que consagrou Charly Gaul em 1956. A receber o português esteve Fabienne Gaul, filha do Anjo das Montanhas.

Estreia do caldense a vencer em grandes Voltas e a mais potente das 13 vitórias UCI obtidas pelos ciclistas portugueses no estrangeiro em 2023.

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