Três atletas com algo a provar no ciclismo em 2024

Três atletas com algo a provar no ciclismo em 2024

Um super atleta que falhou em 2023, um sprinter em horas baixas e dois bad boys. Van Aert, Ewan, Moscon e Tiberi têm algo a provar em 2024.

Ao longo de uma carreira há altos e baixos. A forma como os atletas encaram o êxito e a decepção marca a sua trajetória na alta competição.

Por terem um enorme talento e muito para oferecer ao ciclismo destacamos três atletas com algo a provar em 2024.

Todos têm distintas motivações e contextos que os fizeram chegar a este momento de certo impasse no pelotão. Saibam porque a época que agora se inicia será importante para Wout Van Aert, Caleb Ewan, Gianni Moscon e Antonio Tiberi.

Créditos: A.S.O. Pauline Ballet

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Desafio gigante para Van Aert

Aos 29 anos, Wout Van Aert prepara-se para fazer uma modificação importante no calendário. Pela primeira vez que apresenta-se no Giro, embora sem ambição de batalhar pela classificação geral.

A Bélgica não tem tradição recente na prova: na última década só Laurens de Plus fechou top 10 no Giro e na passada edição.

Van Aert é multifacetado e basta olhar para 2023 para o comprovar: nove vitórias na época de ciclocrosse, triunfos na E3 Saxo Classic e no Nacional de contrarrelógio como pontos altos da temporada de estrada!

Ótimo para outro qualquer, mas não será pouco para tanto talento? Faltam as vitórias que definem uma carreira como obteve Mathieu van der Poel, que tem mais Monumentos, mais vitórias UCI e mais títulos mundiais no ciclocrosse e na estrada. O facto de o neerlandês já ter Sanremo, Roubaix e Mundial marca a diferença.

É uma boa notícia que Van Aert não abdique da faceta de classicómano, mesmo abrindo um novo capítulo na carreira. Faz-me recordar outro herói de Herentals, Rik Van Looy, o primeiro a vencer os cinco Monumentos. O “Imperador” venceu etapas nas três “grandes”, dois títulos mundiais e marcou os anos 60. Poderá o conterrâneo Van Aert fazer algo parecido?

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O apagão de Caleb Ewan

Quando entrevistei Caleb Ewan em janeiro de 2023 tudo parecia bem. O australiano estava a treinar bem, tinha sido pai e estava em casa depois de nos anos da pandemia ter tido que permanecer na Europa.

O certo é que a época não podia ter corrido pior ao Pocket Rocket ao ponto de ter saído da Lotto Dstny quando ainda tinha um ano de contrato.

Em 2024 Ewan vai correr na Jayco-Alula, regressando à estrutura que o lançou na alta roda do ciclismo em 2015 e ao serviço da qual obteve 30 das 69 vitórias que ostenta no curriculum.

Foram cinco anos agridoces na Lotto, aonde chegou para substituir André Greipel. As três primeiras épocas foram boas: quatro etapas no Giro de Itália, cinco no Tour de France e 23 triunfos. O problema veio nas duas últimas onde só venceu em oito ocasiões.

Ewan perdeu fulgor e a Lotto também, tanto que foi despromovida à segunda divisão. Talvez o mais feio tenha sido a forma como saiu, acusado de falta de profissionalismo pelo diretor-geral, Stéphane Heulot, quando abandonou o Tour de France na 13ª etapa.

Ewan contemplou retirar-se, mas felizmente decidiu continuar na Jayco. Oxalá o regresso à zona de conforto recupere um dos grandes sprinters desta geração.

Gianni Moscon parecia ir a caminho da vitória na Paris-Roubaix até que tudo lhe correu mal.

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Moscon e Tiberi têm tudo para ser felizes

Dois italianos têm muito a mostrar em 2024 por diferentes motivos: Gianni Moscon e Antonio Tiberi.

É mais complexo o caso de Moscon, que vem de dois anos fracos na Astana. Nada a ver com os anos da Ineos, onde venceu 11 vezes e só não ganhou a Paris-Roubaix de 2021 porque furou e caiu quando ia a caminho da glória.

Moscon tem 29 anos e é um classicómano numa equipa que adora as clássicas, mas que perdeu referências e foi superada por Jumbo-Visma e UAE-Emirates neste terreno.

A Quick-Step recruta Il Trattore e parece um casamento perfeito. Moscon é de Trento, tem uma quinta onde produz maçãs e é fascinado por tratores. Encaixa no perfil de flandrien por estilo e cultura. Vencendo na Flandres ou em Roubaix pode-se retirar em paz.

Antonio Tiberi foi campeão mundial júnior de contrarrelógio de forma épica.

Tiberi já mostrou que sabe dar a volta por cima

Para Antonio Tiberi a prioridade é relançar a carreira. Trata-se de um miúdo cheio de potencial, que foi campeão mundial de contrarrelógio em 2019 dando a volta a um azar mecânico que parecia sentenciá-lo à derrota.

Em sub-23 também fez uma excelente progressão. No emblemático Troféu Cidade de San Vendemiano fez um solo de 55 km… a mesma corrida onde venceu Gianni Moscon em 2015.

Tiberi já mostrou que sabe lidar com as pedras no caminho e bem vai precisar depois de ter matado um gato com uma espingarda de chumbo. É uma daquelas coisas estúpidas que estraga uma vida, mas o jovem de Frosinone recebeu uma segunda oportunidade na Bahrain Victorious.

É uma estrutura com muitos italianos, corredores veteranos e diretores que apostam nele ao ponto de ter assinado em junho e ainda ter feito 39 dias de competição. O 18º posto na Vuelta e o facto de ter fechado forte a terceira semana mostram que temos ciclista.

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