Jasper Philipsen pisca o olho a Ivo e Rui Oliveira

Jasper Philipsen pisca o olho a Ivo e Rui Oliveira

Sprinter belga da Alpecin-Deceuninck correu com os irmãos Ivo e Rui Oliveira tanto na Axeon como na UAE-Emirates. TopCycling foi à costa de Alicante entrevistar o colega de Mathieu van der Poel.

Não foi o sprinter mais vitorioso do ano 2022, mas foi dos que mais cresceu. Jasper Philipsen venceu duas etapas no Tour de France, incluindo uma das chegadas míticas – nos Campos Elísios foi mais rápido do que Dylan Groenewegen e Alexander Kristoff.

O belga parte para a terceira época na Alpecin-Deceuninck, mas o TopCycling quis quebrar o gelo e falar-lhe ao coração, recordando a vitória em Puebla de Sanabria, na Vuelta de 2020, a primeira de Jasper Philipsen em grandes Voltas.

Foi um momento bastante emocional porque corri muito tempo com os irmãos Oliveira [na Axeon e na UAE] e sabíamos que era a nossa última corrida juntos. Ficamos muito emocionados, são tipos impecáveis.” Então e reunirem-se no futuro? “Estou aberto a isso. São corredores fortíssimos; o Rui mais explosivo, o Ivo mantém ritmos altos durante muito tempo, portanto são uma boa mescla para o comboio de um sprinter. Não sei se têm o melhor ambiente para fazer este trabalho de preparação do sprint porque nós somos uma equipa focada nos sprints e a UAE está mais focada em classificações gerais”, analisa o belga.

A escolha da equipa é crucial para a carreira de um ciclista. Jasper Philipsen sabe-o bem porque em 2021 trocou o WorldTour pelo segundo escalão, isto é, a UAE pela Alpecin. O que pareceu um passo atrás veio a revelar-se uma ótima decisão: “Foi um bom passo sair para uma equipa que tem o foco nos sprints e nas clássicas. Não temos um corredor para as grandes Voltas e isso faz a diferença porque quando vamos podemos focar-nos em disputar etapas.

Os gémeos da UAE estão em final de contrato com a estrutura dos Emirados e o amigo Jasper Philipsen pisca o olho a Ivo e Rui Oliveira, mas reflete sobre o momento dos antigos colegas.

Para o Ivo e para o Rui não sei onde está o foco atualmente. Se em serem corredores de apoio durante as grandes Voltas ou mais nas etapas para os sprinters. Podem fazer ambos os trabalhos porque sobem bem e os dois são rápidos, têm várias cartas para jogar e só têm que escolher o caminho que querem seguir.”

Jasper Philipsen manda abraços aos leitores do TopCycling e fãs portugueses

Repetir o Tour de France e testar-se na Milão-Sanremo

Há muito para conversar com Jasper Philipsen, desde logo acerca das duas etapas que ganhou no Tour de France. A última delas nos Campos Elísios.

Esse objetivo “ainda está longe, mas quero voltar a estar no máximo nível”. Sobre o triunfo na etapa final ainda tem que assimilar o feito, mas é algo que “fica para o resto da vida e do qual me posso orgulhar. Sou ambicioso e espero que seja o início de uma boa sequência no Tour de France. A equipa é ambiciosa, gosta de ganhar as maiores corridas. Eu tenho muitos objetivos como tentar ser campeão do mundo, europeu, nacional… um dia. Um Monumento e um Mundial são objetivos de carreira, mas uma camisola verde no Tour de France também. Se conseguir pelo menos um dos itens na lista já seria bom”.

No Tour coincidiu com Mathieu van der Poel, tal como coincidirá em algumas clássicas. A coliderança não é um problema. Conta-nos o belga que “Mathieu é um bom jogador de equipa, mais forte do que eu nas provas mais duras, enquanto eu sou mais forte a fechar ao sprint. Ele tem muitas qualidades, depende dos objetivos que tenha e como conciliar com os meus. Nunca tivemos problemas e no futuro diria que também não teremos.

Enquanto um dos líderes da estrutura montada pelos irmãos Philip e Christoph Roodhooft, o sprinter natural de Ham, no Limburgo belga, está contente com o salto para o WorldTour e elogia o trabalho dos dirigentes. A Alpecin-Deceuninck tem um ambiente familiar, a maioria do staff é próxima dos corredores, conta com uma base de corredores belgas e tem vindo a aumentar a presença de outras nacionalidades, mas no fundo o idioma que se fala é o flamengo, uma variante do neerlandês.

Para 2023 o calendário de Jasper Philipsen sofre algumas alterações, começando mais tarde. O objetivo é simples: repetir o Tour de France e testar-se na Milão-Sanremos. Para isso vai arrancar com Omloop Het Nieuwsblad e Kuurne-Bruxelas-Kuurne, segue-se um périplo italiano com Tirreno-Adriático e Milão-Sanremo, regresso à Bélgica para correr Brugge-De Panne, Gent-Wevelgem, Dwaars door Vlanderen e Scheldeprijs. Isto até abril, já que depois o foco será colocado na preparação para o Tour de France.

Face a 2022 não repete a Volta à Flandres. A aposta é subir o nível na Sanremo (66º) e na Gent (21º). “Seria um grande passo tentar ganhar ou ser competitivo. É duro ganhar um Monumento, primeiro vamos tentar as clássicas e ver se um Monumento é possível. Milão-Sanremo e Gent-Wevelgem são corridas duras que se adaptam a mim”, explica o belga que em juniores ganhou Harelbeke e em sub-23 foi 2º na Flandres e 4º em Roubaix.

Terá Philipsen a capacidade de sprintar na prova mais longa do calendário? Em teoria “ainda tenho muita gasolina no tanque e não devo ter problemas, mas é uma corrida especial onde tens o stress de um Monumento. Isso também pode alterar as sensações. Veremos se as minhas ambições são realistas para a Milão-Sanremo”.

Media Day da Alpecin-Deceuninck em janeiro de 2023

Para já o ano tem decorrido sem percalços e Jasper Philipsen até teve tempo para uma brincadeira com o grupo com quem treina em casa. Junto com os amigos Ward Vanhoof (Flanders-Baloise) e Jordi Meeus (Bora-Hansgrohe) foi aos Campeonatos da Bélgica de Ciclismo de Praia: “Nunca tinha feito. Foi uma corrida dura [54km], mas divertimo-nos. Também foi bom ter a sensação de competir porque não o fazíamos há algum tempo”, conta sobre o evento que decorreu na praia de Bredene, junto ao mar do Norte.

O mau tempo não afastou valentes profissionais da estrada como Sep Vanmarcke (Israel), Jens Keukeleire (EF Education), Oliver Naesen (AG2R), Yves Lampaert, Tim Declercq, Bert Van Lerberghe e Tim Merlier (Quick-Step). O vencedor foi Jordi Warlop, que trocou a defunta B&B Hotels pela Soudal-Quick-Step (equipa Continental criada este ano que apoiará a estrutura WorldTour). Os belgas são mesmo assim… loucos por ciclismo!

As melhores vitórias de Jasper Philipsen

  • Duas etapas no Tour de France
  • Três etapas na Vuelta a Espanha
  • Clássica de Frankfurt
  • Scheldeprijs

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