Guia do Mundial | O que esperar de Kigali 2025?

Guia do Mundial | O que esperar de Kigali 2025?
Foto: LucaBettini/LaPresse

Chegou o Guia do Mundial Kigali 2025. Quem vai representar Portugal? Onde posso ver as provas? Como são os percursos?

O continente africano recebe, a partir de domingo, dia 21, o Mundial de ciclismo de estrada em Kigali( Ruanda); em 2026 serão os Jogos Olímpicos da Juventude (Dakar, Senegal) e em 2030 o Mundial de futebol (organizado a meias entre Marrocos, Portugal e Espanha).

África vive um momento desportivo sem paralelo. No ciclismo é a primeira vez em mais de 100 anos que o Mundial visita o continente; fá-lo num país que em 1994 viveu 100 dias infernais, que resultaram em 800 mil mortos, saldo trágico do conflito entre extremistas do grupo étnico hutu e a minoria tutsi, que quase foi exterminada.

O genocídio do Ruanda é uma verdade inconveniente, daquelas que a Humanidade varreu para debaixo do tapete e que surge na agenda dias após o final de uma Vuelta a Espanha marcada por protestos contra o genocídio que se está a perpretar em Gaza.

Há críticos deste Mundial e do facto de a UCI ter aceite como parceiro um país que tem um conflito ativo com a vizinha República Democrática do Congo, a menos de 250 km de Kigali.

A prova será transmitida em 124 países para uma audiência global estimada de 330 milhões de espetadores. Em Portugal, o Eurosport garante a cobertura do evento em direto, exceção feita a duas corridas femininas que dão na plataforma de streaming HBO Max.

  • Contrarrelógio de elites femininas (dia 21, às 9:00, em direto, no HBO Max)
  • Contrarrelógio de elites masculinos (dia 21, às 13:30, em direto, no Eurosport 1)
  • Contrarrelógio de sub-23 femininas (dia 22, às 9:25 em direto, no Eurosport 1)
  • Contrarrelógio de sub-23 masculinos (dia 22, às 12:25 em direto, no Eurosport 1)
  • Contrarrelógio de juniores femininas (dia 23, às 9:35 em direto, no Eurosport 1)
  • Contrarrelógio de juniores masculinos (dia 23, às 12:50 em direto, no Eurosport 1)
  • Contrarrelógio estafeta mista (dia 24, às 11:20 em direto, no Eurosport 1)
  • Prova em linha de sub-23 femininas (dia 25, às 11:55 em direto, no Eurosport 1)
  • Prova em linha de juniores masculinos (dia 26, às 6:50 em direto, no Eurosport 1)
  • Prova em linha de sub-23 masculinos (dia 26, às 10:50 em direto, no Eurosport 1)
  • Prova em linha de juniores femininas (dia 27, às 7:10 em direto, no Eurosport 1)
  • Prova em linha de elites femininas (dia 27, às 10:45 em direto, HBO Max)
  • Prova em linha de elites masculinos (dia 28, às 8:30 em direto, no Eurosport 1)

Mundial mais duro da história

O que esperar do Mundial Kigali 2025 em termos de percursos? Dureza, altitude e certa dose de imprevisibilidade pela pouca adaptação dos atletas às estradas do Ruanda.

Nas provas em linha o desnível positivo acumulado é de 5475 m para os elites masculinos, o que torna Kigali 2025 o Mundial mais duro da história, superando Innsbruck 2018 e Duitama 1996, que nos últimos 30 anos também ultrapassaram a barreira dos 5000 m.

O mapa abaixo é ideal para se entender como o título masculino se vai decidir na volta curta no centro da capital do Ruanda, embora a extensão a Oeste de Kigali, na qual fazem apenas uma volta, até seja mais dura.

  • Volta pequena: 15 passagens nas subidas Kigali Golf (800 m a 8,1 %) e Kimihurura (1,3 km a 6,3 %, pavê)
  • Volta grande: após nove voltas pequenas desviam-se para uma volta grande que inclui as subidas Péage (1,8 km a 5,9 %), Monte Kigali (5,9 km a 6,9 %) e Muro de Kigali (400 m a 11%, pavê); regressam ao circuito local para mais seis voltas.

Tadej Pogacar está presente para tentar defender o maillot do arco-íris e sabe que nem Jonas Vingegaard nem João Almeida correm; ou as seleções rivais armadilham a corrida ou a Eslovénia carimba mais um título.

Em 267,5 km muito pode acontecer; a França leva o teenager Paul Seixas, a Bélgica confia em Remco Evenepoel, a Austrália tem Jay Vine em forma e da Itália podemos sempre esperar luta.

Foto: UCI

Um mini Tour de France

As mulheres têm a lamentar a ausência da bicampeã de 2023 e 2024, Lotte Kopecky. Quem lhe suceder terá que dominar uma prova inteiramente disputada em circuito: 11 voltas de 14,9 km, isto é, um total de 164,6 km e 3350 m de acumulado.

Dentro da volta só passam as subidas do circuito pequeno, Kigali Golf e Kimihurura. Acrescente-se o fator altitude, já que as provas decorrem a 1500 m acima do nível do mar, numa cidade cuja humidade em setembro ronda os 75 % de média.

A francesa Pauline Ferrand-Prevot é a óbvia favorita e o Mundial será um mini Tour de France: a neerlandesa Demi Vollering, a polaca Kasia Niewiadoma, a italiana Elisa Longo Borghini e a suíça Marlen Reusser. Até pode haver título africano, neste caso para o arquipélago das Maurícias, por Kim Le Court.

As demais provas variam em distância e acumulado, mas mantêm a essência da prova feminina, sendo todas dentro do circuito. Os sub-23 masculinos fazem exatamente o mesmo que as elites, enquanto sub-23 femininas e juniores masculinos ficam pelas oito voltas (119,3 km); as juniores femininas fazem cinco voltas (74 km).

Vollering, Ferrand-Prevot e Niewiadoma no pódio do Tour.
A.S.O./Pauline Ballet

Parecido com Kigali só Bergen

A ação arranca no dia 21 com o contrarrelógio de elites. Primeiro alinham as mulheres e depois os homens.

Os percursos são idênticos: partem da BK Arena e apanham uma primeira parte sinuosa até à subida de Nyanza 2,5 km a 5,8 %, que descem até inverterem o sentido para irem à vertente mais longa de Nyanza 6,6 km a 3,5 %; dirigem-se ao centro em terreno de recuperação e aqui separam-se os percursos, com as mulheres a irem diretas à meta via subida em pavê de Kimihurura (1,3 km a 6,3 %) e os homens a desviarem-se para a subida de Peage (2 km a 6 %); só depois passam em Kimihurura que os leva à meta no centro de convenções.

São 31,2 km com 460 m de acumulado para as mulheres e 40,6 km com 680 m de acumulado para os homens. Parecido com Kigali só Bergen 2017, que mesmo assim perde em acumulado e em extensão.

Há novidades importantes para poder seguir a festa do ciclismo. Cada corredor levará um sistema de GPS instalado debaixo do selim, medida de segurança que surge após o falecimento de Muriel Furrer, que caiu em Zurique na prova de juniores, bateu com a cabeça e esteve uma hora à chuva sem ser resgatada.

Nas categorias de sub-23 pela primeira vez as mulheres têm evento individual, embora desde 2022 tenham sido medalhadas correndo com as elites. No pelotão masculino não podem alinhar corredores do WorldTour nem de ProTeams.

Evenepoel venceu os dois últimos Mundiais de contrarrelógio.
Créditos: Dario Belingheri/Getty Images

Em Kigali só correm oito portugueses

Tal como a maioria das seleções, Portugal chega ao Ruanda com ausências de peso e com representação apenas em elites e sub-23 masculinos. João Almeida, por exemplo, só faz o Campeonato da Europa – a realizar na região francesa Drôme-Ardèche de 1 a 5 de outubro.

A seleção nacional levará ao Europeu 21 atletas, em todas as categorias, enquanto no Mundial de Kigali só correm oito portugueses. Ao serviço do selecionador José Poeira vão estar os seguintes elites:

  • Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) | 2ª presença (DNF em Zurique)
  • António Morgado (UAE Emirates) | Estreia em elites
  • Ivo Oliveira (UAE Emirates) | 4ª presença (melhor resultado 83º em Wollongong)
  • Tiago Antunes (Efapel) | Estreia em elites

A prova dos elites fecha o Mundial, no domingo, 28 de setembro, a partir das 8:45. Já os sub-23 correm na sexta-feira, 26 de setembro, a partir das 11:00. Nenhum dos atletas participa nas provas de contrarrelógio.

Eis os quatro sub-23 convocados:

  • Daniel Lima (Israel Premier Tech Academy) | 3ª presença (22º em Zurique)
  • Daniel Moreira (Hagens Berman Jayco) | Estreia
  • Gabriel Baptista (Technosylva Maglia Bembibre) | Estreia
  • Lucas Lopes (Rádio Popular-Paredes-Boavista) | 2ª presença (63º em Zurique)

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