Quem é Pauline Ferrand-Prévot, campeã do Tour de France e rainha do ciclismo francês? Fica a conhecer a atleta que veio apimentar o pelotão de estrada.
Demi Vollering aproveitou a reforma de Annemiek van Vleuten – vencedora de Vuelta, Giro e Tour em 2022 – para dominar o ciclismo, até que chegou Pauline Ferrand-Prévot.
A francesa fez a última época de estrada em 2018, mas só precisou de nove dias para rebentar a concorrência.
Mesmo com uma Visma Lease a Bike mais frágil do que a FDJ-Suez de Vollering ou a Canyon-Sram de Kasia Niewiadoma, a francesa controlou a corrida desde a Bretanha até aos Alpes.
Foi uma obra-prima, que teve o clímax nas duas etapas alpinas.
No Col de la Madeleine seguiu os ataques de Sarah Gigante e com uma aceleração cirúrgica a 8,5 km do topo meteu minutos a toda a gente. Subiu em 64:50 e calcula-se que foi capaz de aguentar 5.04 ᵉW/kg nesse período. Em 2023, a melhor Vollering subiu o Tourmalet em 53:42 fazendo 5.13 ᵉW/Kg na que é considerada a melhor exibição de uma mulher na alta montanha.
Na estância de Chatel, na fronteira franco-suíça, colocou-se novamente à roda e deixou que fosse Vollering a mexer primeiro; no contra-ataque liquidou a neerlandesa.
Se no sábado parecia o Tadej Pogacar dos grandes dias, no domingo foi a versão calculista que o esloveno apresentou na terceira semana do quarto Tour de France que venceu.

A.S.O./Pauline Ballet
Quem é Pauline Ferrand-Prevot?
De não correr na estrada a dominar o Tour de France, o espetador esporádico de ciclismo deve ter ficado confuso e a perguntar quem é Pauline Ferrand-Prévot?
A francesa natural de Reims tem 33 anos e nasceu para grandes feitos. Entre 2014 e 2015, aos 23 anos, tornou-se a primeira ciclista a ter três títulos de diferentes disciplinas – estrada, ciclocrosse e btt. Entretanto somou ao palmarés o Mundial de gravel!
Permitam-me acrescentar que já em juniores tinha juntado no mesmo ano Mundial de estrada e de btt.
Só que Pauline Ferrand-Prévot tinha um sonho: os Jogos Olímpicos. Não podia ter outro já que ao ter nascido em 1992 nunca chegou a ver a primeira versão do Tour de France, que decorreu entre 1984 e 1989.

A.S.O./Thomas Maheux
Ano horroroso marcado por lesões e doenças
Sem a referência da camisola amarela, foi o dourado da medalha olímpica que a guiou. Em Paris 2024 chegou ao título olímpico na quarta presença nos Jogos. O que muitos esqueceram foi o duro processo até esse momento.
Em 2021, em Tóquio, furou e acabou 10.ª. Em 2016, no Rio de Janeiro, abandonou como consequência de um ano horroroso marcado por lesões e doenças. Após esses Jogos escreveu um texto intitulado “Abandonar é perder”, no qual detalhou todos os erros cometidos na preparação do evento.
A estreia, em Londres 2012, foi ainda mais traumática: a seleção focou-se em Julie Besset e quando ambas caíram num treino Pauline, a segunda da hierarquia, teve que se desenrascar sozinha para voltar ao hotel. Acabou 25.ª nuns Jogos em que fez também a prova de estrada (10.ª).

A.S.O./Thomas Maheux
Ferrand-Prévot tirou o pelotão da zona de conforto
Não é qualquer atleta que 15 minutos após vencer o Tour de France recebe uma chamada do presidente da República, Emanuel Macron, em plena flash interview.
Pauline Ferrand-Prévot é uma estrela do desporto francês e em nove dias de Tour de France elevou a fasquia na alta montanha. Quando assinou pela Visma estabeleceu um período de três anos para ganhar a prova; fê-lo no primeiro ano e sem referências prévias já que só terminou o UAE Tour (17.ª) esta temporada.
Ganhou a Paris-Roubaix e depois dedicou-se a treinar. Treinou muito, perdeu peso, percorreu as estradas de Teide, Alpes e Andorra – onde comprou casa para viver e treinar no regresso à estrada.
O relativo conforto com que Vollering geria as etapas com final em alto acabou. Ferrand-Prévot tirou o pelotão da zona de conforto e fundou uma rivalidade necessária para apimentar o panorama feminino.
Sabias que Ferrand-Prévot:
- Só tinha ganho uma corrida por etapas antes do Tour de France, foi a Euskal Bira em 2014
- É a primeira francesa a vestir a camisola amarela e a ganhar o Tour de France
- É a segunda ciclista a fazer, no mesmo ano, a dobradinha Paris-Roubaix/Tour de France; o primeiro foi Bernard Hinault em 1981
- É a primeira francesa a ganhar o Tour de France desde Jeannie Longo em 1989
- Namora com Dylan van Baarle, colega na Visma e também campeão da Paris-Roubaix, em 2022
