Como será o pelotão profissional em 2027? QuickStep sai do ciclismo e a Ukyo sobe de divisão

Entre equipas que desaparecem e outras que se reestruturam, o pelotão profissional será diferente em 2027, não só pela subida da japonesa Ukyo à segunda divisão, mas sobretudo por não termos a QuickStep no ciclismo.
Pela primeira vez desde 2003, ano em que iniciou a atividade, a marca QuickStep não fará parte do pelotão pro, já que, em 2027, a maior equipa da Bélgica se denominará Soudal Safety Jogger. A estrutura mantém-se e continua um processo de transição que se iniciou há dois anos com a troca de CEO: saiu Patrick Lefevere e entrou Jurgen Foré.
A mudança de nome e a saída da icónica marca de pavimentos dão passo a uma nova era na formação da Flandres, que também deixará de correr com Specialized para apostar na Merida durante os próximos quatro anos – utilizando os modelos REACTO e TIME-WARP.
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Bahrain vai andar de Factor
De resto, no WorldTour não há alterações profundas, até porque as licenças atribuídas são válidas até final de 2028 e quem está na primeira divisão não abdica desse privilégio.
A Bahrain vai andar de Factor em vez de Bianchi, a TotalEnergie assinou com a chinesa Pardus após perder o apoio da Cube, nova fornecedora da NSN, que por sua vez deixa as Scott. Temos, ainda, a troca forçada da Picnic pelas dificuldades financeiras que atravessa o grupo Accel, proprietário da Lapierre.
Por falar na Picnic, junte-se à falta de provedor de bicicletas um mau ano desportivo, o segundo consecutivo sem chegar às cinco vitórias, o que resultou no 29.º lugar do ranking atrás de 11 ProTeam!
Os neerlandeses tinham uma licença válida por um ano – situação excecional entre as 18 WorldTeams – e a pressão trazida por uma investigação da televisão neerlandesa, que reportou uma cultura interna tóxica, coloca o projeto em sério risco, embora, por agora, pareça que vai haver Picnic na estrada em 2027.
A Jayco também tremeu, mas no caso dos australianos é um clássico de fim de temporada: há anos que milionário Gerry Ryan, mecenas da equipa, ameaça sair sem nunca concretizar (felizmente).
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Foto: Szymon Gruchalski/Getty Images
Fábrica de formação de talentos
Continuando no panorama velocipédico belga, a má notícia é o encerramento da Flanders-Baloise, que durante muitos anos foi conhecida como Topsport Vlaanderen.
Fundado em 1994 por iniciativa do governo regional da Flandres, o projeto manteve-se na segunda divisão durante duas décadas e tornou-se uma fábrica de formação de talentos. Retirado o financiamento, o projeto caiu e com ele acaba uma parceria com as bicicletas que levam o nome de Eddy Merckx, um dos pioneiros que apoiou a criação da equipa.
Um dos primeiros craques a sair desta equipa foi “Super” Mario Aerts, que teve uma longa e frutífera carreira na Lotto. No mesmo “pacote”, expedido em 1998, também foi incluído Kurt Van de Wouer, o atual homem forte da direção desportiva da Lotto-Intermarché.
A criação do ProTour, em 2005, ajudou a consolidar a formação flamenga como equipa ProContinental de referência com nomes como Jelle Vanendert, Nico Eeckhout, Thomas De Gendt, Tom Van Asbroeck e Tim Declerq.
No entanto, os últimos 10 anos foram penosos e a Flanders-Baloise nem no top 40 do ranking mundial se conseguiu classificar. Quis a ironia do destino que 2026, o ano do adeus, fosse o melhor dos últimos oito anos: sete vitórias, cinco delas pelo sprinter Tom Crabbe, que vai correr na Pinarello-Q36.5.
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Ukyo une-se à Polti
Um dos movimentos mais curiosos do mercado converteu em aliados dois projetos, até agora, rivais: a Polti, da dupla Contador/Basso, e a Ukyo, do antigo piloto de Fórmula 1, Ukyo Katayma.
Na realidade, parece que a ProTeam italiana absorve a Continental japonesa, mas não foram dados detalhes da operação.
A perda do patrocínio da Polti – marca de aspiradores que nos anos 90 teve uma marcante passagem pelo pelotão com Gianni Bugno, Mauro Gianetti (patrão da UAE Emirates), Davide Rebellin e Fabrizio Guidi – obrigou Contador e Basso a procurar alternativas e o facto da Ukyo ter a sua base europeia em Itália aproximou os proprietários.
Perde-se uma das melhores do circuito UCI Ásia ou ganha-se um novo plantel musculado para competir a nível global? Só o futuro o dirá, mas Katayma é ambicioso e sempre afirmou que o sonho é correr o Tour de France, cujo organizador – a ASO – já promove o Criterium de Saitama e tem parceiros nipónicos no setor audiovisual e tecnológico.
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Projeto que venceu três etapas na Vuelta chega ao fim
Além da Bélgica, também a Espanha perdeu uma equipa de vocação formadora, a Kern Pharma. Que o diga Afonso Eulálio, derrotado no Giro por Igor Arrieta, produto das escolas da formação de Navarra.
Um projeto que venceu três etapas na Vuelta chega ao fim como equipa de segunda divisão, mas mantém a esperança de se manter num nível inferior. Dos 25 corredores que formaram o plantel de 2025, a maioria encontrou equipa e cinco vão mesmo para o WorldTour: Iván Cobo e Diego Uriarte na Movistar, Ibon Ruiz na Bahrain, Iván Ramiro Sosa na EF Education First, enquanto que Urko Berrade vai para a Astana.
Para a história ficam nomes como Joseba Beloki, Andrey Amador, Richard Carapaz e Marc Soler, que encontraram na Asociación Deportiva Galibier, o clube na génese da Kern Pharma, a fama de lançamento das suas carreiras.
Como analisámos neste artigo, os dados da última década (LINKAR calendário em alta e ProTeams em crise), no que ao número de ProTeams diz respeito, indicam que perdemos 10 estruturas e qualquer coisa como 250 a 300 ciclistas na segunda divisão. Por outro lado, têm vindo a aumentar os dias de competição e isto fará com que 2027 seja um ano com pelotões menos fortes e diversos, sobretudo em provas ProSeries ou de categoria inferior.
Calendário em alta e ProTeams em crise: o que mudará no ciclismo em 2027?