Afonso Eulálio, líder do Giro de Itália: “Fizemos o sprint mais lento de sempre”

Quando em janeiro o TopCycling esteve em Altea, na Comunidade Valenciana, pelo segundo ano consecutivo, sabíamos que algo especial estava reservado para Afonso Eulálio, em 2026, e que, provavelmente, aconteceria no Giro de Itália.
O corredor de Ferreira a Nova, freguesia da Figueira da Foz, transformou esse feeling em algo tangível e vestiu a camisola rosa ao sexto dia de prova, tornando-se o terceiro português a fazê-lo, após duas lendas:
- Acácio da Silva, 2 dias, em 1989
- João Almeida, 15 dias, em 2020
Depois da euforia do pódio e de festejar com os colegas e com o staff da Bahrain, Afonso Eulálio arranjou tempo para nos enviar umas palavras em português, através dos excelentes press officers da formação do Médio Oriente.
“Penso que ainda não assimilei. O dia foi de loucos. Primeiro com a chuva, o frio, os ataques, a intensidade. Depois, no final, as descidas super escorregadias, as quedas; caiu o Arrieta, caí eu e o sprint quase não foi um sprint, foi só aguentar na bicicleta. Foi de loucos.”

Perder sobre a linha de meta
Após ter sido 6º no dia anterior, em Cosenza, a equipa voltou a empurrar o português para uma fuga que nem sempre teve a certeza de poder chegar a Potenza.
O fator chuva e o perfil perigoso da jornada ajudaram, por um lado, dado que o pelotão deu via livre a Afonso Eulálio e a Igor Arrieta, que se tinham isolado da restante fuga durante a ascensão à Montagna Grande di Viggiano.
“A equipa traçou o plano perfeito para eu estar presente na fuga e para lutarmos pela vitória. Não falamos quase nada sobre a camisola rosa, mas acabou por acontecer.”
O reverso da medalha, isto é, da chuva e do perfil técnico das descidas, acabou por influenciar a decisão da etapa, mas nem o facto de perder sobre a linha de meta tirou o sorriso da cara do figueirense.
“O facto de as quedas terem acontecido no final… não sei o que dizer. Deu-se a queda do Arrieta, depois eu tinha a etapa, mas caí e voltamo-nos a juntar. Penso que fizemos o sprint mais lento de sempre.”

Um orgulho do tamanho do mundo
Mesmo sem se sentir preparado para liderar a Bahrain neste Giro de Itália, como nos contou em vésperas da partida na Bulgária, quis o destino que praticamente no final da primeira semana seja ele o número um na classificação geral.
Afonso Eulálio partirá para a 6ª etapa, ligação de141 km entre Paestum e Napoli, com 2:51 sobre Arrieta, enquanto que a maioria dos favoritos ao título estão a mais de 6:00 minutos. Como a situação é favorável, a ideia é prolongar o empréstimo da camisola rosa.
“Tenho uma vantagem interessante, vamos ver o que podemos fazer nos próximos dias. Amanhã vou partir da fila da frente e espero repetir em mais dias.”

Cansado, dorido, mas contente pelo trabalho bem feito. O Afonso Eulálio que se apresentou ao país vestindo a amarela da Volta, em 2024, agora apresenta-se ao mundo envergando a rosa do Giro.
O rapaz que um dia fascinou Joaquim Andrade, sente um orgulho do tamanho do mundo e espera que os portugueses estejam a desfrutar do momento.
“Seguramente as pessoas estão a acompanhar mais o Giro por este momento. Estão-me a acompanhar a mim também e espero que sintam orgulho disto como eu estou a sentir.”