Entrevista | Caçar etapas é a prioridade de Afonso Eulálio no Giro de Itália

Bahrain vai decidir se Afonso Eulálio será o plano B para a geral, mas o figueirense está mais motivado para ganhar uma etapa no Giro de Itália.
Quem olhar para o ano de 2026 de Afonso Eulálio pode nem achar que tem sido fantástico, mas o caminho faz-se caminhando, e desde dezembro que os olhos do corredor da Bahrain Victorious estão postos no Giro de Itália.
Por estes dias, a pergunta que muitos aficionados fazem é: afinal o corredor da Figueira da Foz vai tentar discutir etapas ou leva a classificação geral no pensamento?
Em entrevista ao TopCycling, Afonso Eulálio fala “sem papas na língua”.
“Não faço ideia de como nos vamos apresentar porque há dois cenários: tentar fazer a geral para ganhar experiência ou tentar disputar etapas. Por mim, vou 100 por cento para etapas, desligar da corrida e ajudar o Santiago Buitrago. No entanto, as duas coisas estão no ar, mas nunca liderei a equipa numa corrida de uma semana e começar logo num Giro…”
Em 2025, na estreia na prova italiana, o atleta que saltou do Feirense para a Bahrain fez a adaptação a corridas de três semanas e na última até nem ficou longe de poder ganhar, levando como recordação ter sido o primeiro a coroar o Mortirolo.
Este ano a corrida está menos montanhosa, mas o Giro é o Giro: a tensão é permanente e Afonso Eulálio explica o que implica partir com o objetivo de fazer uma boa classificação final.
“Liderar num Giro não é só o nível físico, se corres para a geral estás sempre a arriscar quedas porque não queres perder tempo e tens que correr sempre na frente todos os dias. Além disso, o contrarrelógio é muito longo e não me favorece. Prefiro desligar logo na primeira etapa, levar cinco minutos e fazer os 10 km finais sem arriscar.”
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Créditos: A.S.O./ Tony Esnault
“Ler a corrida dia a dia e ir tomando decisões”
Em teoria, o trabalho realizado durante os primeiros meses da época, aliado às três semanas de estágio no Teide, devia garantir que tudo vai correr bem no Giro.
Só que o corpo humano nem sempre responde como os atletas projetam e só quando estiver no terreno é que as dúvidas se vão desfazer. Até lá, há que confiar no programa idealizado pelo treinador Pau Salvà.
“Fui da Volta à Catalunha direto para altitude, por isso o meu maior medo é não ter recuperado bastante, porque continuei a treinar bastante. Quando se está bem não se pode querer mais e mais, tem que se recuperar. Quanto a ganhar uma etapa, depende do que as outras equipas querem, se o Jonas Vingegaard quer ganhar a etapa, basicamente é ler a corrida dia a dia e ir tomando decisões.”
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Foto: Luca Bettini/Sprint Cycling Agency
Decisivo para Lenny Martinez
O figueirense vem de passar três semanas a estagiar em altitude, no vulcão Teide, na ilha de Tenerife, o sítio mais procurado pelos ciclistas para preparar as grandes corridas.
Nestes estágios a dinâmica é fluida, pelo que há sempre corredores a entrar e a sair, dependendo do calendário de cada um.
“Fui para o Teide com o Damiano Caruso, que se prepara para fazer o seu último Giro. Foram chegando e partindo corredores, mas nós estivemos as três semanas juntos e é incrível trabalhar com ele por fora da bicicleta ser uma pessoa tranquila, não é um louco dos números, pelo que as três semanas passam mais facilmente.”
Após ter aberto o ano com um 5º posto no Alula Tour, na Arábia Saudita, onde perdeu uma chegada em alto para Yannis Voisard (Tudor), as melhores sensações chegaram no mês de março.
Afonso Eulálio apresentou-se na Volta à Catalunha ao serviço de Lenny Martinez e de Santiago Buitrago, sendo decisivo para Lenny Martinez fechar 2º a 1:22 de Vingegaard.
“Na Catalunha foi das corridas onde me senti melhor. Foi dia a dia na frente, a ajudar os líderes e a deixá-los bem posicionados. Na 6ª etapa disseram-me para ir na roda do Lenny e não trabalhar muito porque ia ser necessário no final; acabei a puxar com o Remco, o Lipowitz e o Vingegaard e matamos o pódio nesse dia porque os outros grupos chegaram a 2-3 minutos [Eulálio foi 9º em Queralt]. Aí já estava a andar muito bem, se calhar até melhor do que quando fiz top 10 no Mundial em termos de performance.”
O trabalho está feito e Afonso Eulálio espera pelo melhor nesta segunda presença no Giro de Itália, que arranca com três dias na Bulgária, no dia 8, e fecha em Roma, a 31 de maio.
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