Cian Uijtdebroeks à procura da terceira vida na Movistar 

Cian Uijtdebroeks à procura da terceira vida na Movistar 
Foto: Rafal Gomez/SprintCycling

Foi um super júnior, mas tem sofrido em elites, por isso fomos a Espanha falar com Cian Uijtdebroeks, novo líder da Movistar.

Depois de uma transição complicada para o profissionalismo, primeiro na Bora – hansgrohe e depois na Visma | LAB, segue-se a Movistar na carreira de Cian Uijtdebroeks, de apenas 22 anos.

O vencedor da Volta a França do Futuro, em 2022, alcançou a primeira vitória profissional no Tour de l’Ain, na última época. Em 2026, vai correr pela Movistarcom Nelson Oliveira – onde a classificação geral do Tour de France é o grande objetivo.

O TopCycling esteve no Media Day da histórica equipa espanhola, que decorreu em dezembro, em Valência, fugindo à tradição de apresentar as caras novas em Madrid, e tivemos a oportunidade de entrevistar o ciclista natural

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O novo maillot Gobik para 2026.
Foto: Movistar Team

Transição para a elite

Cian Uijtdebroeks deu o salto para o WorldTour com apenas 18 anos, em 2022, quando foi recrutado pela Bora – hansgrohe, que já o tinha garantido na etapa de júnior integrando-o na filial Auto Eder.

O belga assumiu-se como um dos maiores talentos do circuito sub-19, no qual representou a Acrog-Balen BC, o mesmo clube que formou Remco Evenepoel, e a Auto Eder – ganhou a Clássica dos Alpes, a Kuurne-Bruxelas-Kuurne e o título nacional de fundo.

Passou de júnior a profissional, sem passar pelo escalão sub-23, pelo que 2022 foi um ano duro, com alguns abandonos e poucos resultados de destaque. A exceção foi quando competiu contra miúdos da sua idade, na Volta a França do Futuro, na qual venceu duas etapas e a geral, tornando-se o mais jovem a levar o troféu.

A época de 2023 foi promissora: 6º na Romandia, 7º na Volta à Suíça e 8º na Volta a Espanha. Mas no final do ano, divorciou-se da equipa de forma amarga, e assinou pela a Visma | LAB.

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A Movistar apresentou-se na espetacular Cidade das Artes e das Ciências de Valência.
Foto: Rafal Gomez/SprintCycling

Espaço para crescer nas Grandes Voltas

Nascido na Flandres, mas criado na Valónia, já viu mais mundo do que a maior parte dos corredores da sua idade.

As duas últimas temporadas foram na Visma | LAB e ficaram marcadas por vários problemas de saúde. O que mais dores de cabeça lhe deu foi na região lombar, que afetou os nervos das pernas e levou à perda de sensações nos membros inferiores.

“Quando estás na bicicleta a sofrer, quando tens uma lesão, mas não sabes de onde vem ou o que é, é o pior. Se partires a clavícula, se partires a perna, ‘tudo bem, está partido, vou sofrer por um ano ou alguns meses’. Mas se não sabes de onde vem e tentas e tentas, e volta sempre, é o pior. Não foi um período agradável. Também percebemos que era devido à posição na bicicleta. Enfim, não foi um período agradável, mas com muitas aprendizagens.”

Cian Uijtdebroeks ao TopCycling.

Em teoria, o problema ficou resolvido, tanto que em 2025 voltou às vitórias, no Tour de l’Ain.

O facto de querer espaço para crescer nas Grandes Voltas levou à saída da formação neerlandesa, algo que talvez tivesse tido outro desfecho caso tivessem sabido com antecedência os planos de Simon Yates se retirar.

Como o próprio Jonas Vingegaard admitiu, ninguém na Visma | LAB contava com perder o britânico.

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Perico DelgadoFoto: Rafal Gomez/SprintCycling

Coloca a fasquia altíssima

Foram quase três anos sem uma vitória para Cian Uijtdebroeks, entra a conquista da Volta a França do Futuro, em 2022, e a classificação geral do Tour de l’Ain. Um solo de 50 km deu-lhe também o triunfo na terceira etapa.

“Foi muito emocionante. Também porque estávamos a tentar de muito longe e também foi um grande teste para mim, porque foi sempre nos esforços longos que tive dificuldades. Pensei, ‘tudo bem, vou em frente e vemos o que acontece’.”

Cian Uijtdebroeks ao TopCycling.

O belga é ambicioso. Se algo podemos destacar do que observamos durante a apresentação é que este rapaz tem um sorriso permanente, um à vontade admirável e nem a barreira linguística limitou a forma como interagiu com os muitos miúdos presentes no auditório.

Outra coisa que impressiona em Cian Uijtdebroeks é que coloca a fasquia altíssima quando define que vai ao Tour de France tentar fazer uma boa geral. Para isso, tem que recuperar o nível da Vuelta de 2023 (8º na geral) e do Giro de 2024 (abandonou quando era 5º por infeção respiratória).

Aos 22 anos, vai ser chefe de fila numa equipa que está na estrada há mais de quatro décadas.

“É lindo. Eles foram bons em todas as corridas que eu adorava. Na apresentação vi o Alejandro Valverde sentado na multidão… E penso, ‘oh, mas o que este homem fez no passado’. Sei que não sou tão explosivo quanto ele, mas admiro estes ciclistas e quero tentar alcançar o que eles alcançaram. Tentar alcançar o que a equipa alcançou no passado. É nesse nível que a equipa quer voltar a estar. Eles também querem voltar a ganhar e estar no pódio nas Grandes Voltas, estar no pódio nas clássicas da Valónia. Para mim é um privilégio fazer isso com esta camisola e tentar alcançar isso com o grande M no peito.”

Cian Uijtdebroeks ao TopCycling.
Reuser no pódio do Mundial de Kigali.
Foto: Sprint Cycling

2026 com um olho em… Marlene Reusser

O belga chega à Movistar, com o objetivo de liderar a equipa espanhola no Tour de France, dado que o habitual líder, Enric Mas, fará Giro e Vuelta, falhando a corrida francesa pela primeira vez desde 2019. 

Antes disso, terá muitas oportunidades de se mostrar:. 

  • Comunidade Valenciana
  • Paris-Nice
  • País Basco
  • Flèche Wallonne
  • Liège-Bastogne-Liège

Uma das armas que quer recuperar é o contrarrelógio, disciplina na qual foi vice-campeão europeu em juniores.

Nas fileiras da Movistar encontra bons exemplos: Marlen Reusser, atual campeã mundial e europeia, e Ivan Romeo, campeão mundial sub-23 em 2024. O departamento de performance, que o TopCycling deu a conhecer nesta entrevista, também procurado fechar o espaço face às equipas de topo.

“Para o contrarrelógio é preciso ter um grande apoio. A camisola é importante, o capacete é importante, a bicicleta… É uma posição muito difícil, em que precisas de pedalar, e acho que isso é algo em que realmente queremos trabalhar este ano. Tenho um tipo fantástico, como o Ivan Velasco, e também o meu treinador, Xavier Muriel, ao meu lado, que têm muita experiência nisso. E não há melhor exemplo do que a Marlen Reusser. Já fizemos alguns testes aerodinâmicos e o que eles fazem é um trabalho incrivelmente árduo, agora, também vai caber a mim treinar muito na bicicleta, fazer as coisas certas e continuar a trabalhar.”

Cian Uijtdebroeks ao TopCycling.
A apresentação reuniu duas dezenas de jornalistas.
Foto: Rafal Gomez/SprintCycling

O talento belga deixou, ainda, mais uma promessa para 2026 – ciclismo ofensivo.

Se é verdade que a Movistar tem fama de conservadora, Cian Uijtdebroeks não quer deixar de lado algo que tem sido uma característica dos seus melhores dias.

“Não precisamos ter medo e apenas seguir. Claro que quando o Pogacar está, não é preciso atacá-lo a 100 km da meta. Também é preciso ser inteligente, mas eu continuo a querer ser ofensivo, e estar na frente. É algo que eu quero muito implementar.”

Cian Uijtdebroeks ao TopCycling.

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