Teste | Specialized Crux 5 S-Level | Foguete para Gravel Racing

Quando uma marca aposta numa nova vertente do ciclismo antes da maioria, assume riscos, mas também ganha a vantagem de começar a evoluir os produtos mais cedo e chegar às gerações seguintes com a experiência que os outros ainda estão a adquirir. A Specialized Crux 5 é reflexo disto.
Vídeo Topcycling
No gravel, a Specialized não foi pioneira, mas foi uma das primeiras grandes marcas a apostar verdadeiramente nesta vertente. Enquanto muitos fabricantes tinham apenas um modelo para “marcar presença” (muitas vezes uma Ciclocrosse adaptada), a Specialized segmentou a gama com propostas distintas para diferentes utilizações.

Não me lembro de muitas marcas que tivessem três bicicletas de Gravel diferentes no catálogo como foram a Diverge, Diverge STR e a Crux no caso da Specialized.
O investimento da Specialized também se refletiu nas equipas de competição, nos atletas, nos eventos e consequentemente no desenvolvimento específico de bicicletas e componentes específicos para gravel e a Crux 5 é o culminar de vários anos de experiência da marca nesta vertente.

Specialized Crux 5 – Pensada e construída 100% para competição
Após um mês a pedalar com a nova Specialized Crux 5, e apesar de não ter testado a bicicleta num evento, nota-se que a Crux 5 é uma consequência natural desses anos de experiência que a marca americana já tem acumulados na vertente do Gravel.

É a bicicleta de gravel mais agressiva e mais “rápida” que tive oportunidade de testar, não tem nada a ver com a Crux 4, foi pensada e construída 100% para competição “Gravel Racing”.
A Crux anterior já era uma bicicleta leve, extremamente ágil e claramente vocacionada para quem gostava de andar depressa, mas havia ainda alguma versatilidade interessante. Era possível fazer uma competição de gravel num dia, no seguinte montar umas bolsas e partir para uns dias de bikepacking sem sentir que a bicicleta estava completamente fora do seu ambiente.

Foto: Eduardo Campos
A nova Crux mudou essa personalidade, não perdeu versatilidade (porque na verdade qualquer bicicleta pode ser utilizada para bikepacking se lhe montarmos bolsas), mas deixou de transmitir essa sensação de bicicleta para tudo.

Geometria e componentes convidam a andar rápido
A posição da Crux 5 é mais agressiva, mais centrada sobre a frente da bicicleta, faz-nos baixar o tronco, procurar uma posição mais aerodinâmica e começar a colocar força nos pedais. Esta Crux parece estar constantemente a pedir mais velocidade.

Embora não tenha mudado radicalmente a geometria, a Specialized alterou vários pontos da geometria relativamente à geração anterior, refinando a posição do ciclista para privilegiar a condução em ritmo competitivo. São pequenas alterações que somadas acabam por mudar a personalidade da bicicleta.
A Crux continua a ser estável mas na minha opinião tornou-se ligeiramente mais nervosa a descer e a curvar em velocidade, mas tornou-se mais reactiva quando lhe colocamos força nos pedais e deixa-nos melhor encaixados em zonas planas. Diria que é uma bicicleta que em velocidade exige um pouco mais de experiência de quem a está a pilotar, não é tão previsível como a anterior.

Apesar de não ter tido a a oportunidade de testar a versão anterior com rodas de perfil mais alto, esta versão parece manter a velocidade mais facilmente que a anterior, algo importante para reduzir a fadiga depois de muitos quilómetros percorridos.
Comparação da geometria (tamanho 56)
| Geometria | Crux 2023 | Crux 5 2027 | Diferença |
|---|---|---|---|
| Reach | 397 mm | 400 mm | +3 mm |
| Stack | 578 mm | 578 mm | Igual |
| Top Tube (efetivo) | 568 mm | 566 mm | -2 mm |
| Seat Tube C-T | 546 mm | 546 mm | |
| Seat Tube (efetivo) | — | 497 mm | |
| Head Angle | 72° | 71,5° | -0,5° |
| Seat Angle | 73,5° | 74° | +0,5° |
| Head Tube | 147 mm | 142 mm | -5 mm |
| Chainstay | 425 mm | 425 mm | |
| Wheelbase | 1033 mm | 1039 mm | +6 mm |
| Front Centre | 618 mm | 626 mm | +8 mm |
| Standover | 816 mm | 803 mm | -13 mm |
| BB Drop | 72 mm | 78 mm | +6 mm |
| BB Height | 286 mm | 280 mm | -6 mm |
| BB Type | — | BSA | |
| Fork Rake / Offset | 50 mm | 51 mm | +1 mm |
| Trail | 64 mm | 66 mm | +2 mm |
| Fork Length (A2C) | 401 mm | — | |
| Tyre Max Width | — | 55 mm |
São poucos milímetros, mas quando toca a geometria fazem muita diferença nas sensações que uma bicicleta vai transmitir e é uma diferença que sente na realidade, não só no papel.
A Crux 5 não deixou de ser uma bicicleta equilibrada como era a Crux 4, simplesmente está equilibrada para um objetivo diferente.
Integração e design moderno
A Crux 5 tem um quadro totalmente diferente, tem mais integração integração dos componentes e na minha opinião o que maior diferença faz, um cockpit completamente novo e umas rodas que alteram significativamente a forma como a bicicleta reage em andamento.

O espigão de selim segue a tendência aero, não é redondo como na Crux 4, agora tem formato “D”, é mais aerodinâmico e não tem a flexão do Roval Terra, aliás, não flexão nenhuma.

Novas rodas Roval Terra Aero CL
As novas rodas Roval Terra Aero CL são um dos componentes representam um dos maiores saltos qualitativos desta nova Crux. Não é pelo peso (1.608 gr. com fita e válvula), são as sensações a acelerar, a facilidade com que mantêm velocidade a rolar.

Com 50 mm de perfil à frente e 45 mm atrás, e uma largura externa de 38,5 mm, oferecem uma plataforma que transmite bastante estabilidade e confiança, principalmente quando começamos a descer por pisos mais irregulares.
Estas rodas são muito interessantes, têm um valor de 1.800,00€ e acrescentam imensa qualidade ao conjunto! Para aqueles que não têm orçamento para uma Crux S-Level como esta, eu diria que este upgrade numa gama mais baixa (como uma Crux Comp de 4.000,00€ por exemplo) coloca a bicicleta muito num patamar completamente diferente.

Roval Terra Aero CL mudam por completo a experiência que a bicicleta vai proporcionar e não custam os 3500,00 de umas Terra Aero CLX, que só têm cubos e raios diferentes.
O cockpit Roval Terra surpreendeu bastante
Os menos atentos podem até pensar que o cockpit integrado Roval Terra seja igual ao cockpit de estrada Roval Rapide, mas é bem diferente e confesso que gosto mais deste do que o de estrada.
Até experimentar este Cockpit Roval Terra , o melhor cockpit integrado que tinha experimentado era o Trek Aero RSL Road, as este entra para o mesmo patamar. Eu colocaria facilmente este guiador numa Specialized Tarmac que não viesse equipada com um Roval Rapide.

O formato do guiador parece ligeiramente mais estreito (apesar de existirem as mesmas medidas para o Roval Rapide), tem um formato muito confortável e consegue posicionar-nos naturalmente numa postura mais agressiva, mais “aero” e mais encaixada na bicicleta.

Este guiador encaixou perfeitamente na forma como gosto de conduzir uma bicicleta de gravel e de estrada. (Não somos todos iguais, outros utilizadores poderão ter outra opinião).
Muito perto do guiador um pormenor simples, mas que sempre referi faltar na Crux 4, os parafusos no “top tube” para fixação de bolsas nessa zona do quadro.

Parece um pormenor sem importância, mas no gravel seja para alimentação ou para ferramenta, a bolsa “top tube” é utilizada por muitos utilizadores, seja em eventos gravel racing ou de ultra-distância, e os parafusos são essenciais para fixar as bolsas sem recurso a à fitas de velcro que obrigam a proteger o quadro naquela zona ou acabam mesmo por danificar a pintura, fruto da fricção e poeiras.

Versão S-Level, um “canhão” para quem não pode ter a S-Works
A versão S-Level surgiu este ano no catálogo da Specialized (também existe na Tarmac) e é uma gama que vem equilibrar um pouco o preço de uma topo de gama.
É uma bicicleta topo de gama, não deixa de ter um valor elevado, mas acaba por ser mais barata que a gama S-Works e oferece um desempenho bastante elevado, não decepcionando o utilizador que queria fazer uns eventos competitivos com esta bicicleta.


Tem transmissão e travões topo de gama, Sram XPLR e Sram Red, tem na mesma cockpit integrado Roval Terra e umas rodas Roval Terra Aero CL.
Quais as diferenças? O quadro não é carbono Fact 12 como na S-works, as rodas têm cubos e raios diferentes das Roval Terra Aero CLX e o selim também não é o mesmo, mas não deixa de ser uma bicicleta com equipamento de topo, lembrando que para teres a versão S-Level desembolsas menos 3.000€ que com uma S-Works.
Conclusão
Esta foi a bicicleta de Gravel mais rápida e reactiva que testei até hoje, se gostas de “esmagar” os pedais, gostas de treinar e estar em forma para andar rápido, a Specialized Crux 5 não te vai defraudar.

Continua a ter a estabilidade necessária para uma Gravel, talvez nã seja uma bicicleta tão versátil como ainda era a Crux, mas é uma bicicleta que espelha toda a experiência e qualidade a que a Specialized nos habituou.
Disponibilidade e preços
Podes ver a gama completa, as cores, preços e disponibilidade da Crux 5 aqui no site da marca: www.specialized.com/pt

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