Teste TopCycling | Specialized Diverge 4 com Peter Sagan na Eslovénia
Em julho deste fiz uma viagem à Eslovénia para testar em primeira mão a Specialized Diverge 4, uma das bicicletas de gravel que mais influenciou o mercado nos últimos anos.

Para minha surpresa ao chegar, também estavam presentes para partilhar os dias de testes no terreno connosco, Peter Sagan e Daniel Oss, que embora retirados do ciclismo profissional são dois super estrelas incontornáveis.

Neste vídeo e artigo partilho toda a experiência e falo sobre tudo o que a Specialized Diverge 4 tem de novo.
Vídeo
É inegável que a Specialized sempre teve um papel e uma aposta de destaque no gravel, não são muitas (creio que nenhuma) as marcas com três modelos distintos de gravel no seu catálogo, como a marca americana.
Já é antigo o interesse da marca por desenvolver bicicletas deste género mas Desde a Diverge 3, uma das bicicletas gravel mais vendidas do mundo, a marca deixou claro que queria desenvolver uma bicicleta que fosse realmente versátil e que servisse tanto o propósito da aventura como o daqueles que pretendem andar mais rápido.

Com a Diverge 4, não alteraram uma receita vencedora, tentaram simplesmente melhorar o pouco que ainda se podia melhorar: maior espaçamento de pneus, geometria revista, um sistema de suspensão melhorado e um quadro que continua a ser referência no espaço de armazenamento.
Máximo espaçamento de pneu, sem trocar de rodas
Um dos aspetos melhorados está no espaçamento para pneus (que já era bom), a Diverge 4 aceita agora pneus até 50mm (700c) ou mesmo 2.2” de BTT, com as mesmas rodas e sem comprometer a passagem em condições de lama.

Esta panóplia de opções ganha especial relevância para aqueles que querem fazer de tudo um pouco com uma só bicicleta, pois podem ter nas mesmas rodas uns pneus rápidos de 32mm para estrada, até pneus largos 2.2 para terrenos ou aventuras onde necessita mais proteção de roda, prevenção de furos ou conforto como em algumas aventuras de utra-distância.

Com a Diverge 4, só temos que saber qual o terreno que vamos enfrentar e a partir daí, sem trocar de rodas nem qualquer outro acessório, é só montar os pneus que achamos adequados a partir.
Nota: para quem quiser usar guarda-lamas, a bicicleta permite até 45mm, o que ainda assim é bastante aceitável.

Future Shock 3.0: Continua o desenvolvimento
O Future Shock é um dos elementos centrais desta bicicleta e a marca vê que as suas vantagens continuam a ser razão para continua a investir no seu desenvolvimento.

Posicionado entre o avanço e o quadro, oferece 20mm de curso hidráulico, ajustável com o regulador e na versão sem o regulador agora também ajustável em diferentes níveis de pré-carga — mais suave, médio ou rígido.

Segundo informação da marca, estudos conduzidos pela Universidade Alemã de Desporto de Colónia comprovaram que o sistema reduz até 53% do impacto sentido no guiador e pode poupar cerca de 11 watts em terreno irregular, comparado com uma bicicleta rígida.
Na prática, isto traduz-se numa pedalada mais estável e menos fadiga nas mãos e braços.
Daniel Oss e Peter Sagan falaram mais do Future Shock do que de tudo o resto.
Daniel Oss explicou que:
“O Future Shock permite-nos errar sem ter problemas. Numa competição de garvel nem sempre vemos todos os buracos, mas o sistema absorve esse impacto e deixa-nos continuar a pedalar sem perder o controlo.”
Daniel Oss
Peter Sagan acrescentou uma perspetiva interessante e retirada do inferno do norte:
“…antes do Future Shock, dois dias depois da Paris-Roubaix eu mal conseguia lavar os dentes. Depois de o usar, não só aguentei melhor durante a corrida, como recuperei muito mais rápido nos dias após a corrida.”
Peter Sagan

Durante a pedalada, Daniel Oss referiu-me ainda que em corridas de Gravel onde não tem a oportunidade de fazer reconhecimento, prefere levar a Diverge em vez da Crux porque independentemente tipo de terreno tiver, com a Diverge sente-se sempre melhor preparado para tudo.

Roval Terra complementa Future Shock
De referir ainda que a bicicleta continua a ter o montado o espigão Roval Terra na maioria das versões, um espigão que deflete até 18mm e em conjunto com o Future Shock garante também estabilidade e aproveitamento da potência na roda traseira. (Ver vídeo para ver flexão do espigão).

SWAT 4.0: Espaço de arrumação ainda maior
A Specialized foi pioneira ao criar espaço de arrumação no quadro e comparativamente com outras marcas a Diverge 3 já tinha o maior espaço de arrumação do mercado, mas a Diverge 4 evoluiu também neste campo.

O SWAT 4.0. tem uma abertura ainda maior e o design está mais ergonómico, cabendo desde câmaras de ar e CO2 até casacos leves, comida e ferramentas.
A versão em alumínio também inclui esta solução — algo inédito num quadro de gravel em alumíno.
Conversa com Miles Hubbard, Road Product Manager da Specialized
Tive a oportunidade de conversar com Miles Hubbard, Road Product Manager da Specialized e comecei por lhe perguntar qual foi a principal preocupação como diretor de projeto da Diverge 4?
Desenvolver a sucessora da Diverge 3 não foi uma tarefa fácil, porque era um bicicleta com óptimo espaçamento de pneu, uma geometria que servia o propósito de uma grande variedade de ciclistas e uma bicicleta muito capaz para vários panoramas do gravel.
Então a maior preocupação foi não estragar o que tinha de bom, pegámos na receita da Diverge 3 e tentámos aperfeiçoar tudo, sem querer “reinventar a roda”, mas requintando tudo e foi o que fizemos, melhorámos o future shock, o espaçamento de pneu, melhorámos ainda mais o armazenamento no quadro assim como a geometria para melhor controlo.
Miles Hubbard, Road Product Manager da Specialized

Segundo Miles, a bicicleta foi construída com o feedback de ciclistas profissionais, ciclistas de aventura, ciclistas amadores e mesmo logistas de todo o mundo. Com o feedback de todos, desenvolveram a geometria da Diverge 4 de acordo com o terreno por onde normalmente pedalam os utilizadores de bicicletas de gravel em todo o mundo.

A geometria foi atualizada para oferecer mais estabilidade sem sacrificar a resposta.
- Ângulo da testa do quadro mais aberto para maior segurança em descidas.
- Bloco pedaleiro 5mm mais baixo, para manter a sensação de encaixe na bicicleta, mesmo com pneus maiores.
- “Chainstay” ligeiramente mais longo para mais equilíbrio e espaço extra para os pneus mais maiores.
- “Reach” progressivo por tamanho, permitindo o uso de avanços mais curtos e melhor centralização do peso do ciclista.

Na teoria o resultado seria uma bicicleta mais previsível em descidas rápidas, mas ainda pronta para acelerações em prova e foi isso que senti.

Ser diretor de desenvolvimento de produtos com uma escala de venda mundial é uma grande responsabilidade, perguntei a Miles Hubbard se não receia que a bicicleta seja vista como muito parecida com a anterior e por isso não seja um sucesso de vendas.
Miles responde com clareza:
As vendas não é algo que me preocupe porque as características da bicicleta já eram boas, nós sabemos que tudo o que a Diverge 3 tinha são coisas que os ciclistas de gravel valorizam muito, não quisemos redesenhar e fazer uma bicicleta nova só porque sim, quisemos melhorar e refinar o que já era bom e sabemos que é valorizado pelo utilizador.
Miles Hubbard
Carbono e alumínio com a mesma capacidade
A Diverge 4 chega em duas versões de quadro:
- Carbono FACT 9r – mais leve e rígido, com os avanços de geometria e arrumação.
- Alumínio E5 – que mantém as mesmas características da versão de carbono, incluindo Future Shock, SWAT interno e o mesmo espaço para pneus largos. A Specialized quis que quem opta pelo alumínio não tivesse menos possibilidades, tornando-a a primeira gravel de alumínio com espaço de arrumação interna.
Conclusão e experiência na Eslovénia
O teste foi composto por dois dias, onde no primeiro fizemos um percurso mais plano, por uma terra batida mais compacta e no outro um percurso mais ondulado, ccom gravilha solta e pedras em alguns setores, por forma a testarmos ao máximo todas as capacidades da Diverge 4.

Para ciclistas que procuram competir, fazer bikepacking ou simplesmente explorar novos caminhos, a Diverge 4 continua a ser uma bicicleta muito polivalente e robusta, sendo que agora está mais avançada em alguns pontos importantes no Gravel como o espaçamento de pneu, quadro com capacidade para desviadores UDH, mais espaço de arrumação no quadro e geometria ligeiramente revista.
Não mudou muita coisa, mas o que mudou tornam-na mais capaz, agora será o público e o mercado que determinam se continua a ser uma das gravel mais reconhecidas do mundo.
Disponibilidade e preços
Podes ver a gama completa, as cores, os preços e disponibilidade da nova Diverge aqui no site da marca: www.specialized.com/pt