Mattias Skjelmose planeia atacar o Tour de France em 2025

Mattias Skjelmose planeia atacar o Tour de France em 2025

Dinamarquês da Lidl-Trek coloca Liège e Vuelta a Espanha como objetivos para o próximo ano. Aos 23 anos está em fase de afirmação no pelotão WorldTour.

Terceira época na Lidl-Trek para Mattias Skjelmose, que em 2021 chegou proveniente da Leopard – projeto que fechou portas este ano. Antes passou pelo clube IBT – Ridley Carl Ras – Sydkysten onde teve altos e baixos.

Subiu ao pódio em Roubaix e foi um dos melhores juniores da geração de Remco Evenepoel. O reverso da medalha foi a suspensão de oito meses por tomar um suplemento contaminado e a perda do amigo Andreas Byskov, atropelado enquanto andava de bicicleta.

O sorriso que hoje lhe resulta fácil esteve desaparecido, mas se algo sempre funcionou para o jovem criado nos arredores de Copenhaga foi a bicicleta. Aos poucos o talento impôs-se à tristeza e Mattias Skjelmose tornou-se um um voltista… que se quer assumir em 2024.

“Gostava de fazer pódio num Monumento – que só pode ser Liège ou Lombardia – e fazer uma grande Vuelta a Espanha. É isto que mais importa, especialmente estar bem na Vuelta porque será importante para o meu futuro. Sinto a responsabilidade de liderar a equipa, mas não é algo que me tenham imposto. A ambição e a pressão que sinto implicam que tenho que me destacar como líder e fazer as pessoas confiarem em mim como líder.”

Matthias Skjelmose ao TopCycling.

Objetivo sempre foi o Tour de France de 2025

O corredor que o TopCycling encontra em Calpe, durante o Media Day da Lidl-Trek, fala com maturidade. Discurso estruturado e cerebral, um contraste total com a impulsividade da adolescência.

A época passada foi de consolidação. Mattias Skjelmose entrou a ganhar em Bessèges e fechou a ganhar em Maryland. Pelo meio estreou-se a vencer uma geral no WorldTour, a Volta à Suíça.

Desde que chegou à Lidl-Trek tudo parece planeado, pelo que depois da consolidação vem a afirmação. É a próxima fase de uma estratégia que terá como auge o Tour de France de 2025.

“Desde que sou profissional sempre foi o objetivo e enquanto equipa acreditamos que para estar preparado para disputar a geral do Tour em 2025 é melhor fazer a Vuelta esta época. A Vuelta é mais calma do que o Giro e o Tour. Há pressão, mas não tanta. É no final da época, muitos corredores já chegam cansados e não digo que seja mais fácil, mas não têm a mesma motivação para se focarem na disputa da geral. É bom ter uma experiência bem-sucedida numa grande Volta antes de ir ao Tour. Ajudei o Giulio Ciccone no Tour na época passada, mas ainda preciso de uma história de sucesso numa grande Volta.”

Em 2023 Skjelmose venceu a dura chegada a Villars-sur-Ollon na Volta à Suíça.

“Uma das maiores exibições do ciclismo”

Mattias Skjelmose valoriza o facto de ser um dos líderes da Lidl-Trek, uma estrutura com quase 160 pessoas que cresceu muito desde a entrada da rede de supermercados.

É o segundo dinamarquês da hierarquia, sendo Mads Pedersen o primeiro.

“Temos gente nova na equipa que veio só com o objetivo de melhorar o nosso rendimento. Isso colocou pressão nos corredores. Temos que render. Com o plantel que temos os salários não são baixos. Temos a ambição de estar com as melhores equipas e penso que o podemos fazer. Vai ser uma temporada com muito sucesso.”

É uma forma típica de ver as coisas para quem cresceu num bairro de classe trabalhadora onde nada era fácil. Só que os anos de contar o dinheiro ficaram para trás, tanto para o campeão da Dinamarca como para a Lidl-Trek. Agora são frequentes as idas ao túnel de vento, está previsto um novo fato de contrarrelógio e mais equipamento que permitirá otimizar a performance.

Bem precisa a Lidl-Trek de investir já que Ineos Grenadiers e Visma Lease a Bike elevaram a fasquia. Sobretudo os neerlandeses, que viram Jonas Vingegaard dar 3:21 a Mattias Skjelmose no contrarrelógio do Tour.

“Não ia a 110 por cento, mas ia a 100. Podia ter sido 30 segundos mais rápido se fosse a fundo, mas o Jonas esteve noutro nível. Também se preparou melhor. Nós teremos ganhos face ao último Tour, mas não vou ganhar 3:21 só em equipamento. O que o Jonas fez no Tour é uma das maiores exibições do ciclismo. A forma como a Visma tem trabalhado e o estado mental e físico do Jonas tornou possível essa exibição. Claro que para mim é assustador porque também fiz um grande trabalho de preparação para o Tour. Só mostra que tenho muito a melhorar e não tenho medo, mas fiquei impressionado.”

Skjelmose durante a apresentação da Lidl como novo patrocinador.
Créditos: Sam Needham

Vingegaard vs. Skjelmose no Tour de 2025?

Parte da maior folga financeira passa por aproximar a Lidl-Trek da concorrência em termos de treino. O staff cresceu e está mais especializado; há mais nutricionistas, cozinheiros, treinadores. Pessoas específicas para posições específicas.

Está previsto que a equipa passe mais tempo a estagiar em altitude e o próprio Skjelmose mudou-se para Andorra para facilitar a logística. Claro que altitude e inverno são incompatíveis com o treino, por isso a solução está no clima tropical do arquipélago das Canárias.

“Não sei como é que a Visma está a treinar, mas todos sabemos que estão a usar a altitude num nível completamente novo e diferente das outras equipas. Também não é segredo de que esse é o caminho. A Visma vai para o Teide, reserva todo o hotel e mais ninguém pode lá ir, como a Ineos fazia. Já temos soluções para ir para altitude porque não há muitos sítios na Europa aonde possamos fazer altitude em fevereiro, por isso há uma batalha para conseguir lá ir. Ganhamos uma dessas batalhas e estaremos no Teide em fevereiro.”

Teremos Vingegaard vs. Skjelmose no Tour de 2025? Por agora é uma miragem, primeiro Mattias precisa de escrever a história de sucesso que planeou e até lá continuar a reproduzir o modelo do compatriota. Na estreia no Tour correu em apoio a Ciccone – rei da montanha – e fechou nos 30 primeiros.

Jonas e Mattias não são amigos de ir jantar fora. Têm uma relação cordial e nunca correram juntos.

“Não creio que muita gente seja próxima dele. Quando o vemos nas corridas é um tipo amigável, tento falar com ele e creio que para ele também é bom ter alguém com quem falar. É muito terra a terra, diferente de como os média o veem porque é aberto e divertido.”

Com Mattias Skjelmose ficamos com a sensação de que é um livro que apenas começamos a ler. Os primeiros capítulos agarraram os leitores, mas há que continuar a virar páginas para chegar ao final da história.

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