Apresentamos sete juniores portugueses que se destacaram em 2025 em mais uma edição do Radar Moreira dedicada ao ciclismo nacional.
O ano de 2025 não foi vintage para o ciclismo de formação português, mas no Radar Moreira detetamos sete talentos juniores que se destacaram. Isto num momento de transição geracional, no qual o país perdeu atletas no WorldTour ficando reduzido a sete representantes.
Um pelotão com 80 juniores à partida para a Volta a Portugal espalha uma realidade preocupante. Sem tapar o sol com a peneira, pergunto: que motivação têm os atletas para praticar ciclismo e não outra modalidade mais organizada?
Ciclismo é sacrifício e os argumentos para recrutar talentos são contratos precários e poucas probabilidades de chegarem ao WorldTour… Milagres só em Fátima!
As equipas de formação fazem esforços titânicos para levar os juniores lá fora, mas falta dinheiro e faltam apoios. Nem comparo Portugal com Espanha; basta olhar para o País Basco, que só na província da Biscaia tem 22 escolas de ciclismo, 700 miúdos a praticar e 32 provas.
É este o contexto dos miúdos bascos que sonham com um futuro profissional e que veem a Itzulia, a Vuelta e o Tour nas suas estradas. Não é o sonho que alimenta a alma quando as pernas querem deixar de pedalar?

Foto: UVP / FPC
Volta a Portugal ficou em casa
As provas na Península Ibérica foram dominadas por Benjamin Noval, júnior de primeiro ano da Academia MMR, projeto do campeão olímpico de Pequim 2008, Samuel Sánchez.
O filho do antigo gregário de Alberto Contador – com o mesmo nome – é tão bom que a Ineos foi a “leilão” adjudicar o novo diamante espanhol e garantir Benja a partir de 2027.
A Volta a Portugal ficou em casa e já a seguir explicamos quem a venceu. Também quero destacar dois miúdos que têm feito pista: Francisco Alves (Blackjack-Bairrada) e José Paiva (Paredes/Reconco) não ganharam medalhas nem fizeram pódios, mas ajudaram a manter Portugal como nação importante no velódromo.
Vamos puxar a brasa à nossa sardinha e apresentar sete juniores portugueses que se destacaram em 2025.
Radar Moreira – Cadetes de 2024

Foto: UVP / FPC
Tomás Mateus | Dunas Vale-Pereira&Gago MIX
Arrancamos o Radar Moreira com os vencedores da 19ª Volta a Portugal, prova rainha do ciclismo português na qual os juniores se apresentam sempre fortes. Os algarvios da Dunas Vale-Pereira&Gago MIX tiveram aí o momento alto da época graças ao irlandês Matthew Walls.
O campeão da Volta à Irlanda sentenciou a prova portuguesa com um solo de 95 quilómetros entre Celorico da Beira e Trancoso, juntando à geral o prémio da montanha.
Ainda na equipa de Tavira destaco Tomás Mateus, vencedor na abertura do GP do Minho, em Felgueiras, e da etapa da Volta que terminou no Sabugal. No Nacional de contrarrelógio um incidente mecânico privou-o de poder discutir o título, mas mostrou-se ao ponto de ter assinado pela espanhola Electro Mercantil para o segundo ano na categoria.

Foto: UVP / FPC
Rodrigo Jesus | Academia Efapel de Ciclismo
A equipa de Tiago Machado acabou a época com sete vitórias. A primeira ditou logo o tom da época com a dobradinha na Prova de Abertura cortesia de Afonso Monte e Rodrigo Jesus.
Como equipa, um dos momentos da época foi a tripla no GP ACR Roriz – Troféu Professor António Matias, ganho por David Luta.
Na Volta a Portugal confirmou-se o talento de Rodrigo Jesus. O jovem de Pombal ganhou uma etapa, foi o melhor atleta de primeiro ano e fechou a geral no 3º lugar. Também se destacou pela seleção como melhor português no Tour du Pays de Vaud, na Suíça, terminando na 17ª posição, além de ter ganho o GP do Minho.
Diz quem o conhece que tem como ponto forte o contrarrelógio, defende-se muito bem nas subidas e é rápido em grupos restritos – viu-se esta última característica na vitória no Fundão, que o levou a vestir a primeira camisola amarela da Volta.
Ainda assim, nestas idades os corredores estão em constante mudança e há que dar-lhe tempo para ver se temos voltista.
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Foto: UVP / FPC
Gonçalo Costa | WWW Hagens Berman-Jayco
Estreia auspiciosa na categoria para Gonçalo Costa, que venceu o título nacional de fundo pela equipa neerlandesa que representou.
O famalicense está na rota do WorldTour e mais próximo do que nunca, já que assinou pela equipa júnior da Decathlon CMA CGM. Pela primeira vez desde que foi fundada, em 1992, há um ciclista português na estrutura francesa.
Na Volta a Portugal ganhou o contrarrelógio, em Sabugal, e a camisola verde da regularidade. Partiu para o último dia em 2º, mas a reviravolta em Trancoso atirou-o para 4º.
Após ter sido um dos destaques no Radar Moreira de cadetes em 2024, repete em juniores e temos a certeza de que voltará em 2026 aos melhores do nosso ciclismo.
Acaba de entrar na Champions League do ciclismo, numa das melhores escolas de formação e num projeto que levou ao WorldTour craques como Seixas, Sparfel, Bisiaux, Onley e os irmãos Grégoire.
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Foto: Tavfer–Ovos Matinados–Mortágua
Simão Lucas | Landeiro | KTM | Matias&Araújo
Como equipa foi um ano importante para a Associação de Ciclismo de Roriz, que se tornou a primeira equipa portuguesa a correr o Tour de France júnior.
Venceram em Béjar (Espanha), zona de campeões como Roberto Heras e Laudelino Cubino, com mais um talento recrutado no Brasil, Bruno Silva.
Da fornada atual, Simão Lucas passará a profissional na Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, sendo o segundo ciclista a percorrer este caminho após Guilherme Lino.
O miúdo natural de Santiago Maior (Alandroal) perdeu a abertura da Taça de Portugal para o israelita Omer Ramon (Picusa), foi 9º na Volta a Portugal e na Volta à Extremadura, além de 6º em Valdefresno – as duas últimas provas competitivas com os melhores juniores espanhóis.

Guilherme Santos | Blackjack-Bairrada
A Blackjack-Bairrada habituou-nos mal nos últimos anos. Pela equipa de Henrique Queiroz passaram João Almeida, António Morgado, Daniel Lima… a lista é longa.
Em 2025, os destaques na formação da região Centro foram juniores de primeiro ano e isso são ótimas notícias para a próxima temporada.
Guilherme Santos, natural de Albergaria-a-Velha, foi o melhor português na importante Volta ao Besaya (11º) e no Campeonato da Europa (22º). Na Volta a Portugal ficou no 5º lugar e discutiu o GP do Minho com Rodrigo Jesus (Efapel).
Outro dos destaques bairradinos foi Martim Campos, que perdeu o Campeonato Nacional, em Mangualde. Nessa prova, a Blackjack-Bairrada meteu mais três ciclistas no top 10.
Montejunto, a montanha de João Almeida na Volta a Portugal

Foto: UVP / FPC
José Salgueiro | Picusa Academy
Depois de em 2024 dominar o Nacional e a Taça de Portugal de cadetes, José Salgueiro saltou de escalão e adaptou-se rapidamente.
Voltou a vencer a geral da Taça de Portugal e duas rondas da mesma, o Troféu José Poeira, em Odemira, e, em Barcelos, onde venceu isolado no Santuário de Nossa Senhora da Franqueira correndo em casa.
Um top 10 na ronda de Penafiel foi suficiente para garantir a classificação geral à frente de Tomás Mateus (DunasVale/Pereira&Gago) e de Guilherme Santos (Blackjack-Bairrada).
O jovem que corre na academia galega foi ainda 9º na Volta à Montanha Central, nas Astúrias, dominada pelo “Caníbal” Benjamin Noval.
Segue-se a passagem a sub-23, mas na despedida da categoria José Salgueiro foi acumulando experiências internacionais e no Troféu Morbihan fechou top 20 como melhor corredor da seleção nacional.

Afonso Vilas Boas | Tensai-Sambiental-Santa Marta
Destacou-se como corredor polivalente, mas algumas dificuldades na ponta final custaram-lhe potenciais triunfos e pódios.
De Santa Marta de Portuzelo sempre saíram craques, como o campeão nacional sub-23, Daniel Moreira, e o campeão olímpico, Iúri Leitão.
Afonso Vilas Boas parece ter a cabeça no sítio e ao longo do ano nunca perdeu o foco, apesar do primeiro resultado forte só ter aparecido em finais de abril, quando foi 4º no GP ACR Roriz – Troféu Professor António Matias contra um trio da Efapel.
A segunda metade da época foi mais forte: 5º na prova em linha dos Nacionais e 6º na Volta a Portugal. É interessante verificar que em 2024 apenas conseguiu um top 10, registando uma evolução global no rendimento.
Ainda é prematuro perceber o que o futuro reserva ao talento trabalhado em Viana do Castelo, que dá o salto para elites em 2026.
Fica por aqui o Radar Moreira dedicado aos melhores juniores de 2025 no ciclismo português. Como sempre, aceitam-se sugestões porque seguramente ficaram de fora atletas com muita qualidade.