Que projeto vai liderar Biniam Girmay na NSN?

A NSN é produto do rebranding da antiga Israel Premier Tech, traz investidores do mundo do futebol e um líder eritreu, Biniam Girmay.
Em 2026 teremos uma nova equipa no WorldTour, a NSN (Never Say Never), e para romper com o passado recente da equipa foi escolhido um novo líder: Biniam Girmay é o porta-estandarte da equipa hispano-suíça.
O eritreu, de 25 anos, vencedor de três etapas e da classificação por pontos do Tour de France de 2024, assinou por três anos proveniente da Intermarché-Wanty, que foi absorvida pela Lotto.
Bini passa a ter uma carga pesada para carregar dado que saíram da equipa nomes fortes como Chris Froome, Michael Woods e Jakub Fuglsang. A incerteza também afastou o promissor Matthew Riccitello, 5º na Vuelta a Espanha e reforço da Decathlon CMA CMG.
Sobem desde a equipa de desenvolvimento o sprinter-puncheur Brady Gilmore e o completo Pau Martí, que deu espetáculo no sterrato de Fafe, mas não há reforços sonantes nem se sabe em que pé fica o caso Derek Gee, que rescindiu unilateralmente em agosto.

Foto: Chris Auld / NSN Cycling Team
Identidade da NSN é made in Catalunha
A dança das cadeiras deixou sem sítio o filantropo Sylvan Adams, criador de um projeto fragilizado pelos protestos na Vuelta.
Seguiu-se a exclusão das clássicas italianas, no outono, e a ameaça de Barcelona se retirar como cidade-anfitriã da Grande Partida do Tour de France de 2026, circunstâncias que precipitaram o fim da Israel Premier Tech.
A lógica é a equipa ter sido vendida à joint-venture formada pela empresa NSN e pela plataforma de investimentos Stoneweg, mas o comunicado de apresentação não esclarece se Sylvan Adams se mantém por perto.
Mudou a identidade, mudaram os investidores, mas a hierarquia da direção desportiva mantém-se. Kjell Carlström segue como diretor-geral e a base logística mantém-se em Girona.
Entrevista | Derek Gee no Giro como líder da Israel

Catalunha tem tradição de ciclismo
A NSN tem sede em Barcelona e foi fundada pelo empresário Joel Borràs e pelo antigo futebolista Andrés Iniesta, autor do golo que deu o Mundial de 2010 à Espanha. São acionistas maioritários da GUAVA, fabricante de bicicletas de gravel, posicionam-se no mercado do entretenimento e da organização de eventos, além de serem donos do Helsingør FC, da segunda divisão dinamarquesa.
Quanto à Stoneweg, opera nos mercados financeiros desde Genebra e foi fundada pelo também catalão Jaume Sabater.
A Catalunha tem tradição de ciclismo e a Volta à região – que existe desde 1911 – é uma das corridas por etapas mais antigas. A identidade da NSN é made in Catalunha, embora a licença seja suíça, o que pela primeira vez deve permitir à Suíça ter três equipas à partida para uma edição do Tour de France.

Foto by Nico Vereecken / Photo News
Premier Tech aposta em Mathieu van der Poel
Em termos de bicicletas, sai a Factor e entra a Scott, que deixou a Q36.5 e assim regressa ao WT.
A NSN vai por à disposição de Biniam Girmay três modelos: aero Foil RC, Addict RC para a alta montanha e Plasma RC nos contrarrelógios.
Também de saída está a Premier Tech, multinacional canadiana que vinha de ligação à Astana, chegou em 2022 à Israel e agora se torna parceira estratégica da Alpecin, numa operação válida por três anos com mais três de opção.
A Premier Tech aposta em Mathieu van der Poel, Jasper Philipsen, mas também em Puck Pieterse, num projeto que envolve ciclismo de estrada, ciclocrosse e BTT.