Teste | Nova Trek Domane 2027: Mais leve, mais rápida, a mesma versatilidade

Teste | Nova Trek Domane 2027: Mais leve, mais rápida, a mesma versatilidade
O Topcycling testou a nova Trek Domane no Wisconsin, EUA. Foto: Narayan Mahon - Trek

Fui até aos EUA, estado do Wisconsin, para testar em primeira mão a nova Trek Domane 2027, que mudou bastante face à geração anterior. Neste artigo descrevo o que mudou e em que tipo de bicicleta se tornou a Trek Domane.

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Foi pelas palavras dos engenheiros da marca que fiquei a saber que a Trek tomou uma decisão importante na abordagem desta nova Domane, pela primeira vez na história do modelo, deixaram de ter como base o objetivo de construir uma máquina pensada para sobreviver à Paris-Roubaix e concentrar-se naquilo que hoje faz sentido para quem compra uma bicicleta de endurance.

A nova Domane está mais leve, mais simples e, sobretudo, mais rápida que a anterior. Mas não perdeu aquilo que sempre foi uma das suas principais características: o conforto.

Foi esta difícil combinação que me surpreendeu.

A Domane já não precisa do IsoSpeed

A primeira Domane nasceu com a missão de poupar os ciclistas profissionais ao empedrado da Paris-Roubaix, o IsoSpeed tornou-se uma das imagens de marca da bicicleta e a Trek desenvolveu-a geração após geração, num tempo em que as medidas de pneu utilizado nessas circunstâncias eram entre os 25 e os 28mm.

Em 2023 testei a Trek Domane Geração 4, a ultima com IsoSpeed. Foto: Mário Silva – Topcycling

Os senhores da Trek explicaram algo que eu próprio defendo há já algum tempo, que nos dias de hoje já não é necessário recorrer a sistemas de absorção de impactos ( no caso da Trek o IsoSpeed ) para conseguir o nível de conforto esperado numa bicicleta de endurance.

A evolução dos pneus, sobretudo a possibilidade de utilizar maiores volumes, aliado ao sistema tubeless, permite atualmente obter uma boa parte dessa absorção através do conjunto quadro / espigão / pneus, e isso permitiu simplificar a bicicleta.

O quadro passa a trabalhar a sua própria capacidade de flexão vertical através da construção em carbono, mantendo simultaneamente a rigidez necessária para que a Domane não perca a resposta quando se começa a aplicar força nos pedais.

Nas versões SLR é utilizado o novo carbono 900 Series OCLV, enquanto as SL recorrem ao 500 Series OCLV.

Geometria de endurance não torna bicicleta lenta

Nos tempos em que vivemos o conforto também anda de mãos dadas com o desempenho e o rendimento dos ciclistas de competição e embora este tipo de bicicletas não vá ser utilizado em competição, a verdade é que a Domane não é uma bicicleta “molengona” como eram as bicicletas de endurance há uns anos atrás.

Foi uma das coisas que mais gostei nesta bicicleta. Continuamos sentados numa Domane, numa posição relativamente descontraída e pensada para passar muitas horas em cima da bicicleta, mas a sensação não é a de estar numa bicicleta pesada ou excessivamente filtrada, se queremos ter um andamento mais agressivo ela ela dá prazer na mesma, sente-se rápida e ágil.

A Trek mantém a geometria de endurance, mas junta-lhe um conjunto de pneus mais largos e um novo espigão de selim redondo de 27,2 mm, desenvolvido especificamente para aumentar a conformidade vertical. A nova Domane sai de fábrica com pneus de 35 mm e aceita pneus até 40 mm.

Ler mais | TREK Bicycle | A história dos 50 anos e visita à fábrica no Wisconsin, E.U.A.

Mais leve e mais reativa

A Trek conseguiu retirar uma quantidade considerável de peso à nova geração. Segundo os dados da marca, a versão SLR fica 305 gramas mais leve do que a anterior quando comparadas as configurações de referência, enquanto o quadro SLR ronda os 835 gramas e a forqueta os 367 gramas.

Na prática, não é apenas uma questão de olhar para a balança, a bicicleta parece mais viva. Nas acelerações, nas mudanças de ritmo e sobretudo quando a estrada começa a inclinar, a nova Domane transmite uma sensação mais imediata do que a geração anterior.

Uma curiosidade interessante: mesmo com pneus maiores, a Trek diz que a nova Domane mantém praticamente a mesma velocidade da geração anterior. Nos testes aerodinâmicos, os pneus de 35 mm representam uma penalização de apenas 0,9 W, enquanto a menor resistência ao rolamento permite recuperar 1,5 W.

Ou seja, a ideia não foi simplesmente colocar pneus grandes para ganhar conforto, foi tentar perceber onde está hoje o melhor compromisso entre velocidade, conforto e utilização real.

O conforto continua lá

A Trek afirma que a nova geração fica dentro de 5% da energia vibracional da anterior, utilizando pneus de 35 mm na Gen 5 contra 32 mm na Gen 4. A medição é feita considerando o sistema completo, incluindo os pontos de contacto do ciclista com o guiador e o selim.

Números à parte, senti a bicicleta bastante confortável e estou a ficar fã deste tipo de geometria (pode ser da idade). O conforto já não depende de uma única tecnologia, é resultado da combinação entre o quadro, o espigão de 27,2 mm, a geometria e os pneus de maior volume.

Novo guiador vai dividir opiniões

A Trek tinha aqui um desafio complicado. Uma posição mais elevada é importante numa bicicleta de endurance, mas os tradicionais guiadores muito elevados podem alterar bastante a estética da bicicleta.

Na nova Domane, o guiador tem uma elevação de 20 mm na zona dos manetes e um ligeiro recuo na parte superior, pensado para melhorar a ergonomia. Existe ainda uma diferença de 4 cm entre a posição dos manetes e os drops, permitindo uma posição mais controlada.

Esteticamente não está mau, ou seja, está bem melhor do que outras soluções que vi até hoje, no entanto, se eu fosse um futuro proprietário da nova Domane iria optar por lhe colocar o Trek Aero RSL Road (ainda não estou assim tão velho).

Ainda assim não nos podemos esquecer das vantagens que este tipo de guiadores continua a ter, sobretudo pela facilidade de ajustar a posição, trocar componentes, adaptar a bicicleta ao ciclista e até quando se viaja e tem que se colocar a bicicleta numa mala.

Uma endurance que não parece uma endurance

É provavelmente a melhor forma que encontro para descrever esta bicicleta. A Domane continua a ser uma bicicleta de endurance. A geometria é acessível, a posição é descontraída e a capacidade para utilizar pneus até 40 mm dá-lhe uma versatilidade que vai além do asfalto.

Tive a oportunidade de fazer alguns sectores de gravel e é fantástica (nem era necessário pneus 35mm, com 32 já é suficiente para muitas estradas de terra batida), a própria Trek posiciona-a entre a estrada e o gravel ligeiro.

Até visualmente não parece uma bicicleta de endurance, está bem conseguida, tem uma estética limpa, moderna e é apelativa visualmente.

Há bicicletas de endurance acabam por pouco apelativas esteticamente quando comparadas com os modelos de competição, mas a nova Domane consegue fugir a isso.

Uma bicicleta para quem anda de bicicleta

A Madone continua a ser a bicicleta de competição pura da marca e apesar da Domane ter a características, esta é uma bicicleta totalmente diferente da Madone e não pretende ser uma bicicleta para a equipa Lidl-Trek utilizar no WorldTour.

É uma bicicleta pensada para quem quer passar várias horas a pedalar e para quem procura algo mais confortável e versátil.

A minha conclusão

A nova Trek Domane é uma mudança de filosofia, a marca abandonou o IsoSpeed, simplificou o quadro e utilizou aquilo que a tecnologia dos pneus permite hoje para recuperar o conforto. Ao mesmo tempo, retirou peso e conseguiu uma bicicleta que, na minha opinião, se sente claramente mais rápida e mais reativa que a anterior.

Continua confortável, continua a permitir uma posição descontraída e continua a aceitar pneus de grande volume, só que agora, quando pedalamos nela, também apetece andar depressa.

Eu acho que se tornou numa bicicleta muito mais interessante que a anterior versão e tem tudo para chegar a um publico mais alargado.

Preços, gamas e disponibilidade

Podes ver a gama completa, cores, preços e disponibilidade, aqui no site da marca: www.trekbikes.com/pt

A nova gama começa nos 2.199 euros para a Domane SL 5, equipada com Shimano 105, enquanto a gama SLR começa nos 6.299 euros na SLR 7 com Shimano Ultegra.

No topo está a SLR 9 AXS 1x, com SRAM RED XPLR, por 9.399 euros.

Existe ainda uma versão SLR 9 AXS 1x, com SRAM RED XPLR, por 9.399 euros, especialmente orientada para quem procura o menor peso possível, anunciada com uns espantosos 6,63 kg.

Na gama SLR, a Trek mantém também a possibilidade de personalização através do Project One. É possível escolher componentes e medidas sem custo adicional em determinadas opções e quem tiver a possibilidade de pagar um pouco mais, pode personalizar também a pintura.

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