Matxin sobre João Almeida: “É possível”

Matxin sobre João Almeida: “É possível”

No gran finale do Giro de Itália João Almeida não atira a toalha e aponta ao milagre no santuário do Monte Lussari.

Quando concebi o espaço “Ti Amo” decidir o nome foi fácil. Queria partilhar o amor pelo Giro, pela forma como os italianos vivem o ciclismo e agradecer que o partilhem com o mundo.

Pensei em Coppi e Bartali, no ciclismo romântico, com os seus defeitos e virtudes. Nas exibições para a eternidade sobre as quais apenas pude ler.

Quando João Almeida chegar a Roma ficará para a eternidade no imaginário do ciclismo português. Ninguém nos contou, não está em nenhum livro ou na RTP Memória.

Viver a história é um privilégio! Falaremos para sempre de João Almeida como temos a obrigação de perpetuar na memória Joaquim Agostinho. De todos os talentos gerados em Portugal foi o único que sentiu a grandeza de pisar o pódio numa “grande”. Nunca é demais recordar que foi 3º no Tour de France (1978 e 1979) e 2º na Vuelta a Espanha (1974).

É emocionante ver como um rapaz nascido em A dos Francos, freguesia do município de Caldas da Rainha, está prestes a mostrar a gerações de portugueses um cheirinho do que se sentia naqueles tempos.

Incomparáveis na era, no estilo, mas com algo em comum: no domingo haverá outro português no pódio de uma “grande”. No Giro de Itália é inédito.

Sonhar é grátis e Matxin sonha

Dentro da UAE-Emirates ninguém dá a batalha pelo Giro de Itália como perdida nem o pódio como suficiente.

Troquei umas palavras com o diretor que numa Vuelta al Besaya júnior viu potencial em João Almeida ao ponto de lhe por nas mãos um Ferrari… porque a UAE-Emirates é um Ferrari e João Almeida tem as chaves até Roma.

Sabendo como é doido por carros, imaginem como se sente um miúdo de 24 anos com um Ferrari durante três semanas?

“É um dia especial, é possível, as forças dos três estão no limite. Um dia excecional do João, que ele é capaz de ter, com um dia não super de ambos… porque não?”

Joxean Matxin, diretor da UAE-Emirates, ao TopCycling.

João Almeida apontou ao Monte Lussari

Sonhar é grátis e Matxin sonha. Está em Itália como esteve em França no dia em que Tadej Pogacar virou um Tour de France que parecia perdido. Poderá o Monte Lussari ser a Planche des Belles Filles de João Almeida?

O próprio João Almeida apontou ao Monte Lussari ainda nem a corrida tinha começado.

“Aquele último contrarrelógio – que é meio contrarrelógio e meio cronoescalada – vai ser muito duro principalmente pelos dias anteriores. Vai ser um bom espetáculo e tudo pode acontecer naquela última semana. Temos o exemplo da primeira Volta a França que ganha o Tadej Pogacar… Ninguém diria que ele ganhava e o certo é que aquele contrarrelógio meteu o Roglic lá para trás e este Giro vai ser similar. Num Giro com não sei quantos mil quilómetros, aqueles 25 quilómetros vão fazer uma diferença abismal.

João Almeida ao TopCycling.
Primoz Roglic venceu o mano a mano com Geraint Thomas nas pendentes inclinadas de Tre Cime di Lavaredo.
Créditos: LaPresse

Invasão de eslovenos em 3, 2, 1…

O contrarrelógio parte de Tarvisio, terra arrebatada ao Império Austro-Húngaro como espólio da Grande Guerra. Imaginem um triângulo: Tarvisio-Arnoldstein-Kranjska Gora são vértices e cada um situa-se no respetivo país (Itália, Áustria e Eslovénia – esperem uma invasão de eslovenos em 3, 2, 1…).

A 4km de Tarvisio está Cave del Predil. Se lá passarem visitem o Museu de História Militar dos Alpes Julianos. Não esperem um sumptuoso edifício; o museu está alojado numa escola que foi abandonada quando cessou a atividade mineira em 1990. Esgotadas as reservas de chumbo e zinco milhares de habitantes deixaram o vale.

Em seis salas recorda-se o auge do período mineiro – com visita às galerias incluída – e percebemos o porquê desta zona ter sido cobiçada desde as Invasões Bárbaras até à II Guerra Mundial.

Pelotão no início da descida do Passo di Valparola durante a etapa 19.
Créditos: LaPresse

Gran finale em Roma

Sobre o Monte Lussari será a estrada a fazer as apresentações. Quem sair campeão daqui bem pode fazer o Sentiero del Pellegrino (Caminho do Peregrino) até ao santuário e agradecer o final do Giro da chuva, do frio, do granizo.

Vem aí o gran finale em Roma, mas as penitências pagam-se em Lussari – a povoação mais elevada de toda a região Friuli-Venezia Giulia.

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