Juan Ayuso arranca época na Volta ao Algarve, rumo ao Tour de France, onde será líder da Lidl-Trek juntamente com Mads Pedersen. As notas do Media Day que o TopCycling acompanhou em Espanha.
A seis meses de se iniciar, o Tour de France está bem vivo, como constatámos tanto na apresentação da Movistar como no Media Day da Lidl-Trek, que aposta no tandem Mads Pedersen-Juan Ayuso para julho.
O antigo colega de João Almeida na UAE Emirates trocou um gigante por outro. Basta passar por Dénia, onde a equipa realiza o estágio de dezembro, para ver estacionados quatro camiões prontos para assistir as três equipas da estrutura e os quase 200 elementos do staff – número que voltou a crescer este ano com mais treinadores, nutricionistas e massagistas.
Portugueses continuam a ser seis, embora nenhum no plantel. A Lidl-Trek trabalha como corre, com eficácia, já que ao longo do Media Day todos os corredores estiveram disponíveis para a imprensa, mas Mads Pedersen foi quem melhor resumiu o momento: “Antes, eu sonhava em grande. Agora, todos sonhamos em grande.”
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Foto: TopCycling
Ayuso fala sem filtros
O primeiro a falar com os jornalistas foi Juan Ayuso. Sentou-se, retirou um papel do bolso e leu uma declaração na qual agradeceu o tempo passado na UAE Emirates e pediu desculpa pelas palavras a quente durante a Vuelta. Finalizou dizendo: “Não vou responder a mais perguntas sobre a UAE.”
Quando um jornalista lhe perguntou como é estar, agora, na Lidl-Trek, o espanhol respondeu com um espontâneo “muito melhor” e toda a sala se desmanchou a rir. Ayuso fala sem filtros num mundo politicamente correto que crucifica quem diz o que pensa.
Aproveitou para confirmar que será líder no Tour de France, juntamente com Mads Pedersen, outro que tem um humor incisivo e sem papas na língua. Questionado sobre a vontade de Jonathan Milan repetir a presença no Tour, no qual ganhou duas etapas, o dinamarquês soltou um “isso é problema dele”.
Não o disse a mal, mas convencido de que o italiano tem que ceder como o próprio Pedersen cedeu quando a Lidl-Trek quis mandar Milan ao Tour.
“Quero muito ir ao Tour. Este ano a equipa tinha certos objetivos e eu concordei, agora quero tentar ganhar a camisola verde e não fazia sentido levar o Jonny, ter dois comboios, mais o Ayuso.“
Mads Pedersen
Calendário de Mads Pedersen:
- Volta à Comunidade Valenciana
- Tour de la Provence
- Paris-Nice
- Milão-Sanremo
- E3 Saxo Classic
- In Flanders Fields (antiga Gent-Wevelgem)
- Volta à Flandres
- Paris-Roubaix
- Tour Auvergne – Rhone-Alpes (antigo Dauphiné)
- Tour de France

“Dizer que vou ganhar o Tour… Tenho que ser realista”
Voltemos a Juan Ayuso, já que boa parte do interesse da jornada era vê-lo no novo ambiente. Fez-lhe bem a mudança, porque ao objetivo de fazer uma boa classificação geral no Tour acrescentou que não é realista este ano pensar ganhar.
Por os pés no chão é sempre uma boa forma de se iniciar uma nova etapa na carreira.
“Sou um voltista e uma pessoa muito ambiciosa. A equipa quer ser mais competitiva nas Grandes Voltas. Para mim o Mads é o líder, por isso vamo-nos ajudar e entender. Dizer que vou ganhar o Tour… Tenho que ser realista. Para mim e para a equipa este é um projeto a longo prazo. Nunca fiz o Tour correndo para mim, será a primeira vez, é um primeiro passo e temos que apontar ao pódio. Está o Tadej [Pogacar] e em 2026 ainda haverá uma diferença entre nós.”
Juan Ayuso
Calendário de Juan Ayuso:
- Volta ao Algarve
- Paris-Nice
- Volta ao País Basco
- Flèche Wallone
- Liège-Bastogne-Liège
- Tour Auvergne – Rhone-Alpes (antigo Dauphiné)
- Tour de France

Skjelmose sem Giro e gregário no Tour
Mais estranha é a situação do, até então, líder da Lidl-Trek nas Grandes Voltas.
Ver Mathias Skjelmose sem Giro e gregário no Tour é surpreendente. Demonstrando que a equipa está acima dos egos, a direção da superestrutura germânica tirou galões ao dinamarquês, vencedor da Amstel Gold Race.
Nem por isso deixou de renovar, até final de 2028, um atleta que foi capaz de bater Tadej Pogacar e Remco Evenepoel na clássica neerlandesa. Como tal, “Skjely” será líder nas Ardenas, mas não mantém o estatuto no Tour.
“Vou como apoio ao Ayuso. Não vai ser o principal objetivo do ano. Foi a equipa que impôs (…) A Lidl-Trek quer fazer pódio no Tour e considera que o Juan é a melhor opção. Eu vou ajudar a atingir esse objetivo.”
Mathias Skjelmose
Quando os jornalistas lhe contam que, minutos antes, Ayuso, sentado na mesma cadeira, também anunciou a presença na Flèche Wallone e na Liège-Bastogne-Liège, Skjelmose ficou sem saber o que dizer.
“É uma novidade para mim. Disseram-me que ia ser único líder nas Ardenas, nem sabia que Ayuso ia fazer duas delas. Não tenho nada contra ele, os média exageraram a situação. Falámos no estágio, somos parecidos na busca pela otimização da performance. É importante corrermos juntos antes do Tour, conhecermos os pontos fortes e fracos um do outro.”
Mathias Skjelmose
Em toda esta equação ainda tem que caber Giulio Ciccone, que para o ano vai reajustar objetivos nas Grandes Voltas e deixar de perseguir o top 10.
O italiano, que tem apenas 13 vitórias como profissional, poucas para tanta qualidade, fará Giro e Tour em modo ofensivo, liberado da responsabilidade de obter uma boa geral — que em 15 presenças em “grandes” nunca conseguiu.
Calendário de Mathias Skjelmose:
- Paris-Nice
- Volta ao País Basco
- Amstel Gold Race
- Flèche Wallone
- Liège-Bastogne-Liège
- Tour de France
- Vuelta a Espanha