Volta a Portugal 2026 | Quem vai à Guerin… recebe uma vénia

Volta a Portugal 2026 | Quem vai à Guerin… recebe uma vénia
Créditos: Volta a Portugal

Mudou a cara, mudou a forma como se escreve a história, mas manteve-se a emoção de sempre… ou talvez não. Torre chegou para fazer as primeiras diferenças e, quiçá, arrumar com as contas. A resposta será dada no Gerês e na Senhora da Graça.

Estão percorridos os primeiros 698,2 quilómetros de uma Volta a Portugal 2026 que conta com 1430,1 quilómetros. Apesar de estarmos a meio da prova – ou na segunda metade se considerarmos o prólogo -, a decisão continua em aberto. Afinal, ainda falta percorrer mais de metade do percurso e superar 13.580 dos 24 mil metros de desnível positivo acumulado.

É por aqui que vai passar, com toda a certeza, a decisão desta 87.ª edição da Grandíssima. Apesar de a etapa estar para trás (Torre), a segunda metade chega com muita dureza e começa de imediato com uma etapa rompe-pernas entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua. Para quinta-feira está reservada a super etapa do Gerês, com duas subidas de primeira categoria e final em alto.

Antes de Guerin, Mesa deu a primeira vitória à Anicolor-Campicarn – Créditos: Rodrigo Rodrigues/FPC

O fim de semana arranca com a tradicional chegada a Fafe, com a meta instalada na Praça 25 de abril, no topo de uma subida com dois quilómetros. No sábado há a inédita dupla passagem pela Senhora da Graça e a estreia do Alto de Carvalhais e, para o fim, está reservada uma etapa em jeito de clássica com o pelotão a percorrer as ruas de Vila Nova de Gaia e do centro do Porto.

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Anicolor-Campicarn é o alvo a abater

É certo que a equipa de Águeda começou a edição de 2026 da Volta a Portugal em Bicicleta a bater na trave, mas também é certo que encarrilhou no momento certo e está bem encaminhada para vencer pelo terceiro ano consecutivo. Na abertura o protagonista foi outro, com Rafael Reis a perder para os UAE Team Emirates-XRG Julius Johansen e Rui Oliveira.

A partir daí, a Anicolor-Campicarn passou a luta pela geral para segundo plano e venceu ao sprint com Santiago Mesa. Quando o terreno empinou – e de que maneira -, mostrou que está uns furos acima da concorrência. Em termos táticos e individuais. Ao quarto dia, o pelotão rumou à Covilhã e ao ponto mais alto de Portugal continental, como manda a tradição. Foi aí que, a 15 quilómetros da meta, Alexis Guerin atacou sem resposta e vergou o monstro chamado Serra da Estrela.

O francês alcançou a vitória mais alta da carreira na Torre – Créditos: Miguel Simão

Depois de ter sido o primeiro a passar na Torre no GP Internacional Beiras e Serra da Estrela, há dois meses e meio – perdeu a etapa e a vitória ao sprint para Jesús David Peña (Efapel) -, Guerin mostrou-se irrepreensível no esforço a solo e bateu o recorde da subida por cerca de minuto e 20, à luz dos dados da plataforma Strava. Aos 34 anos, o francês que é casado com uma portuguesa de Viseu somou, assim, a vitória mais importante da sua carreira.

Antes do dia de descanso, Guerin deu boa conta de si no contrarrelógio, perdendo 23 segundos para Tiago Antunes (Efapel) e 14 para Artem Nych, o amigo que continua a ser o seu principal rival. Apesar de ainda faltarem cinco etapas, os sinais são animadores e permitem adivinhar que Alexis vai conquistar a Volta a Portugal pela primeira vez.

O russo continua na luta pelo tri – Créditos: Igor Martins – Volta a Portugal

Olhando à edição passada, na qual o francês foi segundo atrás do russo por 1.15 minutos, perdeu apenas 24 segundos para o colega nas etapas em linha (dois em Fafe, nove no Monte Farinha e 13 na Torre), mas ganhou sete em Montejunto. A diferença foi feita no prólogo e no contrarrelógio, onde Nych ganhou 43 segundos a Guerin, bem como nas bonificações (15 segundos). Como diz Rúben Pereira, a resposta será dada na estrada.

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Efapel (ainda) quer quebrar a hegemonia

Partiu para esta edição com esperança redobrada, a viver a melhor temporada desde que José Azevedo colocou na estrada o seu projeto. Contudo, os primeiros dias não foram fáceis para a Efapel Cycling, que ficou condicionada pelas quedas de Tiago Antunes e Lucas Lopes.

A Torre acabou por trazer à tona as dificuldades da equipa do ex-ciclista, com Antunes e José David Peña a perderem cerca de 2.20 minutos para Guerin. Contudo, o português respondeu logo no dia a seguir, com um dos melhores contrarrelógios da sua carreira, no qual foi segundo e ganhou tempo a todos os adversários. Tiago chegou ao dia de descanso no pódio, mas a luta promete ser intensa. Do colombiano espera-se mais nos próximos dias, até porque quererá intrometer-se no top 10 (é 12.º a 4.10).

Tiago Antunes procura subir ao pódio da Volta a Portugal pela primeira vez – Créditos: Rodrigo Rodrigues – Volta a Portugal

Luta pelo pódio continua ao rubro

Em 1.01 minutos cabem seis corredores, ao passo que o décimo classificado está a apenas 1.21 do terceiro lugar. Nessa lista estão cinco corredores portugueses e seis equipas, pelo que a corrida promete continuar ao rubro nos próximos dias.

A seguir a Tiago Antunes surge José Neves que, depois de um período negativo, encontrou o melhor nível na GI Group Holding-Simoldes-UDO e tem todas as condições para chegar ao pódio. Segue Adrià Pericas que, apesar de pertencer à temível – mas só fora da Volta a Portugal – UAE Emirates-XRG, está a participar pela primeira vez numa prova com mais de uma semana, pelo que os próximos dias são uma incógnita para o espanhol, que foi o mais inconformado na Torre.

Rui Oliveira liderou a prova entre a segunda e a quarta etapas – Créditos: Rodrigo Rodrigues – Volta a Portugal

À semelhança de Antunes, Emanuel Duarte (Credibos-LA Alumínios-Marcos Car) reagiu no contrarrelógio à queda e ao “apagão” na Serra da Estrela, subindo ao sexto lugar. A Feira dos Sofás-Boavista continua em jogo com Pedro Silva e Fábio Costa, que deram boa resposta na primeira etapa de montanha. Quem também joga com duas cartas é a Euskaltel-Euskadi, que tem Jokin Murguialday e Txomin Juaristi nos dez primeiros.

À porta estão Abner González (Feirense-Beeceler) e Peña, os ciclistas que mais desiludiram na primeira metade, seguindo-se Rui Carvalho, a outra boa surpresa da GI Group Holding-Simoldes-UDO. Depois de Louis Ferreira (Anicolor-Campicarn) e Lucas Lopes, que terão de trabalhar para os líderes, há os experientes Adrián Bustamante (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e Jesús del Pino (Aviludo-Louletano-Loulé). Rafael Barbas (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), que está em estreia, é 18.º a 2.20 do top 10.

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Algarvios e beirãs apimentaram sprints

Se a UAE Emirates-XRG foi outro dos destaques da primeira metade da Volta a Portugal, por ter bisado com Julius Johansen e liderado com o dinamarquês e o português, esta edição também voltou a contar com as equipas portuguesas em grande plano nos sprints.

A primeira a picar o ponto foi a Team Tavira-Crédito Agrícola que, logo na primeira etapa em linha, dominou a chegada a Queluz com um grande lançamento de Miguel Salgueiro para Francisco Campos, que venceu à frente de Daniel Cavia (Burgos Burpellet BH) e do companheiro.

A equipa de Mortágua fez primeiro e segundo em Elvas – Foto: Kike

Depois de o espanhol ter voltado a bater na trave em Albufeira por meros milímetros, a etapa alentejana trouxe à tona a supremacia da Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, que colocou Leangel Linarez e João Matias nos dois primeiros lugares. Se Alexis Guerin é o camisola amarela, Cavia vai continuar em busca da vitória com a camisola laranja, dos pontos, no corpo. Oscar Rota (Feira dos Sofás-Boavista) segue como primeiro e único líder da montanha, ao passo que Adrià Pericas lidera a juventude desde a etapa 1. Incontornavelmente, a Anicolor-Campicarn é a melhor equipa.

Ler mais: Volta a Portugal 2026 | Tavfer – Ovos Matinados – Mortágua pica o ponto em Elvas

Como está a geral antes da segunda metade

Pos.CiclistaEquipaTempo
1Alexis GuerinAnicolor / Campicarn16:39:31
2Artem NychAnicolor / Campicarn+1:12
3Tiago AntunesEfapel Cycling+1:52
4José NevesGI Group Holding – Simoldes – UDO+2:04
5Adrià PericasUAE Team Emirates – XRG+2:26
6Emanuel DuarteCredibom / LA Alumínios / Marcos Car+2:28
7Pedro SilvaFeira dos Sofás – Boavista+2:49
8Jokin MurguialdayEuskaltel – Euskadi+2:53
9Fábio CostaFeira dos Sofás – Boavista+3:00
10Txomin JuaristiEuskaltel – Euskadi+3:03

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