Classe de Avancini e potencial de Bravo posicionam o Brasil no ciclismo

Classe de Avancini e potencial de Bravo posicionam o Brasil no ciclismo
Henrique Avancini é parceiro da Red Bull. Foto: Fabio Piva / Red Bull Content Pool

Henrique Avancini tem 37 anos e corre na Localiza Meoo / Swift Pro Cycling, enquanto Henrique Bravo tem 20 e representa a Soudal Quick-Step; são as duas figuras principais de um Brasil que está a ressurgir no ciclismo.

O bicampeão mundial de Mountain Bike Maratona (XCM) cresceu no interior do estado do Rio de Janeiro, em Petrópolis, curiosamente um dos refúgios da coroa portuguesa quando se exilou no Brasil. Ainda hoje, é possível visitar o Museu Imperial da cidade para ver as joias da família real.

Análise | O renascer do ciclismo do Brasil

Henrique Avancini na Taça do Mundo em Val di Sole, em 2024.
Foto: Bartek Wolinski / Red Bull Content Pool

Transição para a estrada em 2025

Avancini começou a carreira em 1997 e fez a transição para a estrada em 2025.

Chega à Volta a Portugal após duas vitórias marcantes: o título nacional de contrarrelógio e a geral do Tour of the Gila (Novo México, EUA).

O fenómeno continua a pedalar por montes e trilhos e, em março, estreou-se na disciplina da moda vencendo a Gravel World Series realizada em Camboriú, Brasil.

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O pódio no Valle d’Aosta – Mont Blanc com o equatoriano Ramírez, o brasileiro Bravo e o alemão Bock.
Foto: RCS Sports

Escalador brasileiro tem sido extraordinário

Quando Henrique Avancini começou a pedalar a sério, em 1997, ainda nem tinha nascido Henrique Bravo. O menino maravilha do ciclismo canarinho é de 2006 e, seguindo a tradição brasileira, também começou no mountain bike.

No entanto, decidiu apostar na estrada e para isso teve que trocar Nova Lima, na área metropolitana de Belo Horizonte, por Girona, na Catalunha. Este ano cumpre a terceira época na Europa e a segunda na Soudal Quick-Step Devo.

O nível do escalador brasileiro tem sido extraordinário, já que tanto ganha em provas com elites, como quando enfrenta os sub-23.

Foto: RCS Sports

Subiu a parada e conquistou o Tour de Antalya

No arranque da época venceu uma etapa da Volta ao Ruanda, tornando-se o primeiro brasileiro a ganhar entre profissionais – em provas de categoria superior a 2.1/1.1 e excluindo campeonatos nacionais e continentais – desde que Rafael Andriato (Vini Fantini) ganhou no Tour de Hainan, em 2016.

Em março subiu a parada e conquistou o Tour de Antalya, na Turquia, dando ao Brasil a primeira classificação geral de uma prova europeia desde que Cássio Freitas se impôs na Volta ao Algarve de 1995, há 31 anos!

Recentemente ganhou Giro Ciclistico della Valle d’Aosta – Mont Blanc, em Itália, prova de referência no escalão sub-23 e ficou às portas do pódio no Tour de l’Ain, em França, tradicional montra de jovens talentos.

Bravo foi 3.º no Giro sub-23, ganho pelo italiano Finn.
Foto: Giro Vale Aosta

Maior ícone do ciclismo brasileiro é Cássio Freitas

Poderão Henrique Avancini e Henrique Bravo reposicionar o Brasil no mapa do ciclismo de estrada? Não tenho dúvidas de que isso já está a acontecer, mas outra questão é se igualarão a geração de ouro, liderada por nomes como Renan Ferraro, Mauro Ribeiro e Luciano Pagliarini.

Por cá, o maior ícone do ciclismo brasileiro é Cássio Freitas, que se revelou no Louletano, ao terminar em 2.º a Volta a Portugal de 1989. Saiu para a Recer-Boavista e ganhou a edição de 1992, bem como duas Voltas ao Algarve.

Atletas e feitos marcantes do ciclismo brasileiro

  • Ferraro – Primeiro brasileiro a correr o Tour de France, em 1986, pela Malvor-Bottecchia, onde foi colega de Acácio da Silva. Também representou Boavista e Feirense em 1987 e 1988, respetivamente.
  • Freitas – Primeiro brasileiro a ganhar a Volta a Portugal, em 1992.
  • Ribeiro – Primeiro brasileiro a vencer uma etapa no Tour de France, em Rennes, a 14 de julho de 1991, no dia da Bastilha.
  • Pagliarini – Primeiro brasileiro a ganhar no ProTour, vencendo uma etapa no Eneco Tour de 2007, frente a Mark Cavendish e Alessandro Petacchi.
  • Fisher – Correu 10 épocas no ProTour, entre 2007-2016 (Liquigas, Garmin e FDJ), e fez as três Grandes Voltas, num total de 13 presenças.

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