Vacek e Soderqvist: presente e futuro da Lidl-Trek nas clássicas 

Vacek e Soderqvist: presente e futuro da Lidl-Trek nas clássicas 
Foto: A.S.O./Gaëtan Flamme

Mathias Vacek corre sob a asa de Mads Pedersen e Jakob Soderqvist quer relançar o ciclismo na Suécia. Os dois assumem-se como o futuro da Lidl-Trek nas clássicas

TopCycling esteve no Media day da Lidl-Trek, uma das super equipas do WorldTour. Um dos destaques foi a presença de dois jovens, Vacek e Soderqvist, que o conjunto alemão prepara para um papel de destaque no futuro. 

Vacek vai ser a sombra de Mads Pedersen em 2026, para ajudar, e aprender, com o campeão dinamarquês. Soderqvist, quer ajudar a fazer renascer o ciclismo na Suécia – é o único atleta do país nórdico no WorldTour. 

Os dois jovens são especialistas no contrarrelógio e atingiram resultados de destaque nos escalões jovens. Nos elites, estão a ser preparados pela Lidl-Trek como projetos de futuro – mas também de presente – para as clássicas. 

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Lidl-Trek de Vacek e Soderqvist
Foto: Ryan Bodge (Trek)

Mathias Vacek: o aprendiz que também quer ganhar

O checo está inserido na estrutura da Lidl-Trek desde 2022, mas antes disso apresentou-se no WorldTour com estrondo: aos 19 anos venceu a primeira corrida WorldTour, no UAE Tour, quando ainda corria pela Gazprom-RusVelo. 

No mesmo ano torna-se vice-campeão mundial e europeu sub-23, na corrida de estrada, pouco antes de ver confirmada a mudança para a Trek-Segafredo, estrutura que ainda representa. 

2025 foi ano de aprendizagem, sob a asa de Mads Pedersen, papel que vai continuar e ter em 2026. Ainda assim, venceu a corrida de estrada e o contrarrelógio dos nacionais checos – a segunda vez que conseguiu ambos os títulos – e triunfou no Tour de Wallonie, sem esquecer o terceiro lugar na Clássica da Figueira.

Vacek, colega de Soderqvist, a representar a Lidl-Trek
Laporte e Vacek ao ataque! Créditos: A.S.O. Gaëtan Flamme

Mads Pedersen é a referência

À sua frente na hierarquia da equipa está Mads Pedersen, um dos nomes grandes do ciclismo atual. Vacek assume o papel de ajudante na Lidl-Trek, mas o aprendiz também quer ganhar.

“Quero manter a abordagem em relação ao último ano. Ser um jogador de equipa, leal aos líderes. Sei que vou correr o mesmo calendário do Mads Pedersen. Ele vai ser o número um em muitas corridas. Mas também sei que ele me dá chances para correr para os meus resultados. Não corremos de forma conservadora, é tudo muito aberto e é aí que posso usar os meus pontos fortes. Estou entusiasmado para correr com ele e tirar o melhor dessa situação.”

Mathias Vacek no Media day da Lidl-Trek.

De resto, o plano na Lidl-Trek parece claro: preparar Mathias Vacek como sucessor de Mads Pedersen. A equipa vê o checo como futuro líder nas clássicas e o campeão nacional não esconde essa ambição:

“É o plano, vamos ver. Ainda estou a aprender muito com ele. Todos os anos algo novo. Há um caminho longo até chegar a essa posição, mas sei que tenho as qualidades para isso. Acredito que todo o trabalho duro que estou a fazer vai compensar, tal como aconteceu com ele. Quero muito que o Mads ganhe as corridas que tem como objetivos, como o Roubaix ou a Flanders, é o sonho dele. Eu vou ajudá-lo a 100%, e sei que um dia posso ser eu nessa posição.”

Mathias Vacek no Media day da Lidl-Trek

Por agora, o calendário só está definido até ao Tour de France, que corre pela primeira vez na carreira. Vai ser a sombra de Mads Pedersen, com exceção à participação na Omloop Nieuwsblad. Milano-Sanremo, E3, Gent-Wevelgem, Através da Flanders, Volta à Flanders e Paris-Roubaix são as participações projetadas para Vacek, antes da estreia na Grande Boucle.

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Créditos: Serge Waldbillig / Skoda Tour Luxembourg

Jakob Soderqvist traz a Suécia de volta ao WorldTour

Jakob Soderqvist juntou-se à estrutura da Lidl-Trek em 2024, e em 2026 vai correr, pela primeira vez, exclusivamente no escalão de elites. Com 22 anos, o sueco destacou-se nos escalões jovens como um dos melhores contrarrelogistas do mundo – a consagração chegou com o título mundial sub-23 em 2025

O sueco é bicampeão nacional de contrarrelógio, e na última temporada também venceu pela primeira vez como elite (excluindo esses títulos na Suécia) – foi na terceira etapa da Volta à Dinamarca… no contrarrelógio individual, onde bateu Alec Segaert, e o colega de equipa Mads Pedersen. 

Em 2026, é o único ciclista sueco a correr no WorldTour. A nação escandinava tem andado afastada das grandes vitórias, mas tem no seu palmarés momentos de destaque:

Magnus Bäckstedt venceu a Paris-Roubaix em 2004. Tommy Prim foi um nome grande nos anos 80, triunfando no Tirreno-Adriatico e na Romandia. Alguns anos antes, em 1971, Gösta Pettersson ganhou o Giro D’Italia. Nas elites femininas, Marianne Berglund venceu o campeonato do mundo de estrada em 1983, e Susanne Ljungskog voltou a triunfar nos mundiais em 2002 e 2003.

Apesar não conhecer de perto a história do ciclismo sueco, até porque veio do moutain bike, não se esconde da responsabilidade de ser o representante do seu país na mais alta roda da modalidade:

“Tento não pensar muito nisso, mas ao mesmo tempo quero assumir essa responsabilidade, porque de momento sou o único embaixador que temos a nível WorldTour. O ciclismo já foi maior na Suécia, mas acabou um pouco esquecido, e a minha esperança é trazê-lo de volta. Ter o desporto presente nos media, e eventualmente estar presente nas corridas que os suecos gostam de ver durante o verão. Ia significar muito para mim se fosse parte do “renascimento” do desporto no meu país.”

Jakob Soderqvist no Media day da Lidl-Trek
Créditos: Luca Bettini/SprintCyclingAgency

Perfil de ciclista está por descobrir

Jakob Soderqvist tem um à-vontade fora do comum com os media. O gigante sueco (com 1,87m está bem acima da média do WorldTour) não se esconde de nenhuma pergunta, e desenvolve os temas como se já corresse ao mais alto nível há vários anos. 

Depois de ser destaque na disciplina de contrarrelógio nos escalões jovens, espera continuar a desenvolver-se, e acredita que se vai encontrar ainda mais como ciclista em 2026:

“Vou saber mais acerca do meu perfil depois desta época. O contrarrelógio vai estar sempre lá como especialidade na minha carreira, mas hoje destaca-se, porque foi natural para mim desenvolver esse skill. Vindo do mountain bike, é uma maneira semelhante de pensar: a bicicleta e os desafios são diferentes, mas é forma igual de desenvolver a velocidade e o momentum. Encontrei um bom nível, mas vai demorar mais a chegar ao meu melhor nível nas clássicas, porque há muita aprendizagem para fazer no pelotão: conhecer os ciclistas, os percursos, as condições e a cultura. Acho que é o melhor projeto para a minha carreira. Com isso, e com o contrarrelógio, podem chegar também bons resultados nas corridas por etapas, principalmente de uma semana. Mas também vai depender de como o meu corpo se desenvolve.”

Jakob Soderqvist no Media day da Lidl-Trek

Os objetivos de futuro passam pelas clássicas, com destaque para o pavé – a Paris-Roubaix foi tema na conversa com os jornalistas, lembrando que Soderqvist foi segundo na prova sub-23 em 2025. 

O calendário do sueco ainda está por decidir, mas, depois de ter corrido a Volta ao Algarve na última temporada, Soderqvist admite que há grandes possibilidades de voltar a marcar presença na Algarvia em 2026.

Antes disso, já arrancou a época no AlUla Tour, onde foi parte importante da primeira vitória de Lidl-Trek em 2026, por Jonathan Milan. Depois, devem seguir-se as clássicas do pavé, mas o ciclista e a equipa mantêm-se “flexíveis” e à procura das decisões mais “sensatas”.


Créditos da fotografia de destaque: Unipublic / Cxcling / Antonio Baixauli

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