Tour de France: As imagens que marcam a 113ª edição da maior corrida do mundo

Tour de France: As imagens que marcam a 113ª edição da maior corrida do mundo
Créditos: A.S.O./Morgan Bove

O TopCycling conta o filme da 113ª edição do Tour de France, com as melhores fotografias disponibilizadas pela organização da maior corrida do mundo

Remco Evenepoel, Isaac Del Toro, Mads Pedersen, Tim Merlier, Mathieu van der Poel, Richard Carapaz, Paul Seixas, e, claro, Tadej Pogacar: foram estes alguns dos nomes que marcaram a 113ª edição do Tour de France. Recorde tudo, com alguns dos melhores momentos captados pelas câmaras fotográficas.

Ler mais | Tour de France | Duelo de campeões na coroação de Pogacar em Paris

A.S.O./Charly López

Foto a foto, etapa a etapa

Três anos depois, o Tour de France voltou a Espanha. Depois da Grand Depart em Bilbao, em 2023, foi a vez da Catalunha receber a partida da maior corrida do mundo. Na primeira etapa, Espanha voltou a ser anfitriã de um contrarrelógio por equipas: também tinha acontecido na Vuelta em 2023, uma jornada com mau resultado, lembrada pelas críticas de Remco Evenepoel depois de fazer o esforço coletivo já de noite.

Desta feita não houve espaço a polémicas: Jonas Vingegaard regressou aos triunfos no Tour, com a Visma | LAB a superiorizar-se aos concorrentes com a Sagrada Familia como cenário de fundo. O dinamarquês era o primeiro camisola amarela da corrida, e os adeptos do desporto sonhavam com uma luta pela geral competitiva.

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O segundo dia teve direito ao já icónico circuito de Montjuic, também em Barcelona. Nessa etapa, tivemos o primeiro deslumbre de uma circunstância que se viria a repetir algumas vezes durante a corrida: Tadej Pogacar a tirar a mascara de caníbal, e a conter-se perante a ascensão do colega de equipa, Isaac Del Toro.

O sprint do esloveno foi temporizado à perfeição para terminar à frente dos concorrentes e atrás do campeão mexicano. Saía a primeira vitória no Tour para um dos futuros nomes grandes do pelotão.

A.S.O./Thomas Maheux

Ao terceiro dia, o Tour chegou finalmente a França, e nem de propósito, a normalidade ficou restabelecida: Tadej Pogacar somou o primeiro triunfo da 113ª edição da Grande Boucle, com a ajuda de Del Toro, e roubou a camisola amarela a Vingegaard.

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Quarta etapa, e primeiro dia para a fuga no Tour. A Lidl-Trek deixava as suas intenções claras: é para ganhar, mas só com Mads Pedersen. A busca pela camisola amarela fez a equipa alemã chamar perseguir Vacek, que seguia isolado, mas o plano resultou: o dinamarquês conquistava a primeira vitória.

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O dia teve outro ingrediente principal: Torstein Traen fez parte do grupo de fugitivos, chegou quase 13:00 à frente do pelotão, e assumiu a camisola amarela.

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Quinto dia de competição, e primeira oportunidade para os sprinters, com semi-surpresa: Olav Kooij, no primeiro ano na Decathlon CMA CGM, e depois de uma convocação para o Tour que chegou a gerar polémica, vence, e tira alguma da pressão de cima da equipa francesa que carrega a esperança de todos os gauleses, Paul Seixas.

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Na sexta etapa chegou o primeiro dia de montanha, com ascensão ao Tourmalet. A organização deixou grande parte da montanha para a última semana, e deixou o topo do Tourmalet a mais de 30 km da meta, para não acabar com a corrida ao sexto dia, mas Tadej Pogacar não quis saber:

Atacou com 43 km para o fim, ganhou cerca de 0:30 até ao topo da subida, e aumentou essa vantagem para 2:38 sobre Vingegaard no final da etapa. A camisola amarela do Tour parecia uma luta terminada antes do primeiro dia de descanso.

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Durante a etapa, a prova também ficou órfã do homem que carregava a amarela: Torstein Traen caiu e abandonou a corrida.

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Seguiu-se a chegada plana a Bordéus, onde Tim Merlier mostrou o seu melhor nível, e justificou o porquê de ser, para muitos, o melhor sprinter do mundo. No dia seguinte, o belga repetiu o triunfo com autoridade.

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Ao nono dia de competição, apareceu na corrida a Alpecin-Deceuninck, por intermédio de Van der Poel. O neerlandês ganhou após integrar a fuga do dia, mas um dos pontos mais interessantes do dia foi perceber o porquê da UAE Emirates – XRG ter controlado os fugitivos durante grande parte do dia, sem uma perceção clara do porquê.

No final da etapa, alguns elementos falaram na classificação por equipas, outros na vitória para Pogacar, e houve ainda quem mencionasse o triunfo para Del Toro. A verdadeira razão continua segredo dos deuses.

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Ao décimo dia, faltava apenas um prego no caixão da luta pela classificação geral, que Pogacar fez questão de martelar na chegada a Le Lioran. O ataque do esloveno deixou os rivais pregados à estrada. Atrás Jonas Vingegaard liderou o grupo de perseguidores durante vários quilómetros, apenas para perder segundos no sprint pelo segundo lugar.

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No dia seguinte, história no Tour de France: a etapa mais rápida de sempre terminou com média de 50,91 km/h, ao longo de 161 km. O vencedor foi Soren Waerenskjold, depois de um sprint impressionante onde foi o primeiro a lançar, partindo de uma posição muito desfavorável.

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Ao 12º dia, a etapa partiu do autódromo Circuit Nevers Magny-Cours, e terminou com o hat-trick de Merlier em Chalon-sur-Saône. Pelo meio, uma das imagens da corrida, quando Quinn Simmons deu um valente high five ao pai enquanto atacava o pelotão.

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Mais um dia para a fuga, onde o pelotão voltou a assistir à força da Lidl-Trek na busca da camisola verde. A fuga só saiu quando Pedersen lá estava, para amealhar pontos no sprint intermédio. O grupo de 56 fugitivos ficou reduzido a 10 unidades depois das dificuldades da jornada, e Mauro Schmid acabou por triunfar no duelo frente a Harold Tejada.

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A quarta de Pogacar chegou ao 14º dia, em Le Markstein, perto da fronteira com a Alemanha. Ninguém seguiu o campeão do mundo na última subida, e Del Toro ainda venceu o sprint a Seixas pelo segundo lugar. A sete dias da conclusão da prova, o esloveno já liderava com 4:30 sobre Vingegaard, e os objetivos da equipa estavam prestes a mudar.

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No dia seguinte, um dos momentos mais tristes desta edição do Tour: Vingegaard cai e abandona, deixando a luta pela geral orfã de um concorrente para Pogacar (se é que antes o tinha).

Vale lembrar que, durante a noite que antecedeu essa etapa, aconteceu um dos momentos mais polémicos desta edição, quando Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar foram acordados às 2:00 e às 5:00 da manhã, respetivamente, para testes anti-doping.

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Na etapa, o camisola amarela trabalhou ao serviço de Del Toro durante toda a subida, que o duo fez apenas com Remco Evenepoel. O belga bateu os dois ao sprint, para conquistar a sua primeira etapa em linha no Tour. A UAE Emirates – XRG punha em prática o plano “Del Toro no pódio”.

Tim Merlier, que levava já três vitórias de etapa, também abandonou a corrida neste dia.

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Seguiu-se o contrarrelógio individual, dia da desistência de Florian Lipowitz. Ainda assim, Evenepoel vingou a queda do colega com nova vitória, 0:28 à frente de Pogacar.

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Na 17ª etapa, novo dia para a fuga, com os melhores sprinters do mundo presentes entre os fugitivos. Stuyven ainda sonhou com a vitória, protagonizando a “fuga de la fuga“, mas o belga foi apanhado a 3 km do fim, e o sprint foi ganho por Jasper Philipsen, que carimbava o primeiro triunfo desta edição.

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Com a UAE Emirates – XRG diminuída, depois de abandonos e doenças que fustigaram alguns dos membros de trabalho da equipa, as fugas ganharam maior margem para lutar pela vitória. E eis que, sob essas circunstâncias, apareceu Richard Carapaz: o equatoriano venceu ao 18º dia, numa última semana digna de registo, que lhe valeu a camisola da montanha no final da competição.

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Ainda assim, a menor capacidade da equipa não impediu a exibição de gala apresentada por Pogacar na 19ª etapa: na mítica subida ao Alpe d’Huez, Pogacar atacou a 11 km do fim, e apanhou, um a um, todos os elementos da fuga. Com a vitória, veio também o recorde da ascensão, batendo o registo de Pantani que durava desde 1995, por mais de um minuto. Evenepoel, o segundo melhor da geral, chegou com 2:29 de atraso.

A.S.O./Charly López
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Ao penúltimo dia, nova etapa de múltipla montanha, com novo final no Alpe D’Huez. Desta vez não houve ataque de Pogacar, que voltou a trabalhar para Del Toro.

A.S.O./Thomas Maheux
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Chegou, até, a questionar-se porque não seguiu Evenepoel quando o belga atacou, uma vez que os dois seguiam apenas com Del Toro, e os restantes concorrentes para o pódio já estavam distanciados. Ainda assim, o camisola amarela voltou a ficar, e a trabalhar, para o terceiro classificado da corrida. Carapaz aproveitou para voltar a marcar o ponto através da fuga.

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O Tour de France terminou com a chegada a Paris, mas a passagem por Montmartre deu uma nova vida à última etapa da corrida. Novamente, Pogacar quis lutar pela vitória com os melhores classicomanos do mundo, e novamente esteve perto de o conseguir.

O esloveno foi o único a seguir Van der Poel na derradeira dificuldade do dia, e protagonizou um duelo de campeões digno da corrida que estava prestes a terminar. Só vacilou no sprint, onde o neerlandês conseguiu ganhar ao pelotão por menos de uma roda.

Na retina ficou o esforço de Jasper Philipsen, que temporizou o seu sprint para ser segundo, sem ultrapassar o colega de equipa. À cabeça veio uma das últimas cenas do filme “The Incredibles”, onde Flecha, o filho com poder da super-velocidade, tenta ganhar uma corrida sem que se percebam as suas capacidades excecionais.

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Fica contado, com as melhores imagens, o filme da 113ª edição do Tour de France. Para a história fica a camisola verde de Pedersen, prova do tremendo ciclista que é o dinamarquês, e a montanha para Carapaz, que talvez até pudesse ter lutado por um lugar entre os cinco melhores. O pódio de Evenepoel, que mostrou um nível raramente antes visto na alta montanha, e o terceiro lugar para Del Toro, um dos nomes que vão liderar o futuro do desporto.

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Mas, acima de tudo, um só nome, o caníbal dos tempos modernos: Tadej Pogacar. O esloveno voltou a ganhar, com autoridade, e entra para o super-exclusivo “clube das cinco”, que ganhou o seu quinto elemento na chegada a Paris. O campeão do mundo igualou Antequil, Merckx, Hinault e Indurain como os recordistas de vitórias no Tour de France. Aos 27 anos, fica com o resto da carreira para tentar um último triunfo, que o pode colocar acima de todos os outros na história do desporto. Estaremos cá para ver.

A.S.O./Thomas Maheux

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