Tadej Pogacar: “Aguento fazer as clássicas e o Tour”

Tadej Pogacar: “Aguento fazer as clássicas e o Tour”
Foto: A.S.O./Billy Ceusters

Meia hora com Tadej Pogacar deu para falar sobre o quinto Tour, a primeira Roubaix e a possível fuga de Jonas Vingegaard para o Giro. O TopCycling, em Benidorm, com o melhor ciclista desta geração.

A cada ano que passa, Tadej Pogacar, quatro vezes campeão do Tour de France, está mais perto de pendurar a bicicleta e, quando o fizer, a sensação de vazio será tremenda.

O domínio asfixiante faz com que uns o adorem e outros o critiquem . Quem é que ele julga que é para ganhar dois Mundiais arrancando a 100 quilómetros da meta?

Pogi é mais próximo que estivemos de ver correr Eddy Merckx ou Bernard Hinault. Um ciclista único que em 2025 deu sinais de cansaço mental.

“Cada ano as férias são demasiado curtas. Fiz um bom reset, agora estamos a cem por cento no estágio e prontos para recomeçar. Foi muita tensão, muitos compromissos com os média e com os patrocinadores. Tento desfrutar porque fui abençoado com estar no topo e tento aproveitar ao máximo. Terei tempo para ser um tipo normal.”

Tadej Pogacar
Foto: A.S.O./Charly López

Os fenómenos têm que ser tratados com a sensibilidade de quem cuida de uma flor. Na UAE Emirates todos se encarregam de regar e ir podando as folhas secas do esloveno.

A terra fresca são as corridas, como a Paris-Roubaix, desafios que alimentam a motivação da estrela. No Media Day da equipa asiática, a que o TopCycling assistiu em Benidorm, perguntaram a Tadej Pogacar se preferia ganhar a Paris-Roubaix ou o Tour de France?

“Escolheria Roubaix porque já ganhei quatro vezes o Tour. Ganhar quatro ou cinco não faz tanta diferença como ter zero e ganhar uma.”

Tadej Pogacar

Calendário de Tadej Pogacar em 2026

  • Strade Bianche
  • Milão-Sanremo
  • Volta à Flandres
  • Paris-Roubaix
  • Liège-Bastogne-Liège
  • Volta à Romandia
  • Volta à Suíça
  • Tour de France
Foto: A.S.O./ Pauline Ballet

O que o continua a motivar?

O esloveno esteve meia hora a responder a perguntas dos jornalistas. É a primeira conferência de imprensa de 2026, apesar de ainda não ter acabado 2025.

Em cada prova em que vence uma etapa ou enverga uma camisola amarela é assim: Pogacar perde uma a duas horas de descanso cada vez que tem pódios e conferências de imprensa.

É normal que esteja saturado. Por um lado, sabe que está a fazer história, por outro lado, reconhece que é um privilegiado.

Na última época correu 50 dias e ganhou 20 corridas, enquanto o colega Julius Johansen fez 91 dias sem qualquer vitória.

“Tenho um ótimo programa (…) Há corredores que fazem 80 dias, que vão de uma corrida para a outra e é difícil estar no teu melhor assim.”

Tadej Pogacar

Aos 27 anos, e com mais de 100 vitórias na carreira, Pogacar já ganhou quase tudo. O que o continua a motivar?

“Quero novos desafios. Se alguma vez ganhar estas duas corridas [Milão-Sanremo e Paris-Roubaix] penso que não há muito mais a fazer. Enfim, há sempre qualquer coisa… como a Vuelta. Há sempre corridas a ganhar e os anos passam rápido, não há assim tanto tempo para tentar ganhar tudo. Não tenho pressa em ganhar nenhuma delas nem estou obcecado.”

Tadej Pogacar
Foto: A.S.O./ Pauline Ballet

Hey Jonas, anda ao Tour

No horizonte do quatro vezes campeão do Tour estão duas Voltas que nunca fez: Romandia e Suíça.

Caso vença ambas, torna-se o primeiro ciclista da história a vencer as sete Voltas de uma semana mais importantes.

“Dei-me conta de que aguento fazer as clássicas e o Tour. Por vezes, também penso em fazer algumas Voltas de uma semana, ir para altitude, mas não seria eu. Entendo os demais, respeito a decisão do Remco [Evenepoel] de não fazer as clássicas. São um dia, tudo está concentrado naquele dia, o Tour é muito mais stressante. É impossível ter a mesma diversão quando todos os dias vais a fundo na bike e te cansas. No Tour trabalhas 21 etapas e no final tens a recompensa pelo trabalho realizado.”

Tadej Pogacar

O esloveno sabe que o domínio não será eterno e que há uma geração de talentos a chegar, como vimos no Tour com Florian Lipowitz e Oscar Onley.

No entanto, o principal rival de Pogacar tem sido Jonas Vingegaard, que só anuncia o calendário a 13 de janeiro e de quem se tem dito que irá ao Giro de Itália. Se isso significa que não estará no Tour… De momento, só ele e a Visma sabem.

“Qualquer atleta prefere lutar contra os melhores, sem azares. É a confirmação da vitória se todos estiverem a cem por cento. Mas não lhe vou ligar: ‘Hey Jonas, anda ao Tour’.”

Tadej Pogacar
Foto: A.S.O./Charly López

Masterclass do professor Tadej Pogacar

A conversa fechou em tom bem disposto, porque com Tadej Pogacar é difícil haver uma chatice.

Fala em tom meio sonolento, quase que induzindo a plateia a um estado de relaxamento coletivo, que só é quebrado quando diz algo inesperado. Como quando lhe perguntam se descarta a cem por cento ir ao Giro.

“Não posso garantir nada. Com a minha cabeça posso decidir algo num segundo e colapsar o calendário. Tudo está em aberto até se assinar o ponto.”

Tadej Pogacar

E assim termina a masterclass do professor Tadej Pogacar, que já podia ter uma cátedra em comunicação. Domina os tempos e o discurso, num ambiente que lhe podia ser hostil, mas do qual sai sempre airoso.

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