Opinião | Será Paul Seixas a retirar Tadej Pogacar?

Haverá passagem de testemunho entre Tadej Pogacar e Paul Seixas ou irá o esloveno retirar-se antes de o convidarem a sair?
Ao ver a 2ª etapa da Volta ao País Basco e a exibição incrível de Paul Seixas, dei por mim a perguntar se, finalmente, chegou o ciclista que vai retirar Tadej Pogacar?
Nenhum campeão domina para sempre, mas é verdade que alguns, os mais inteligentes, sabem sair na hora certa, evitando expor-se à incómoda sensação de se sentirem a mais.
Chris Froome, por exemplo, venceu as três Grandes Voltas, dominou como quis o Tour de France em quatro ocasiões, mas desde a queda no Dauphiné, em 2019, anda a arrastar-se. Será recordado como o ciclista quase imbatível que, entre 2013 e 2018, ganhou sete Grandes Voltas, ou como a velha glória que, desde 2020, tem como melhor resultado um 23º lugar na Volta à Eslováquia?
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Foto: jolypics-Quentin
Mathieu van der Poel tinha conseguido humanizar o extraterrestre
Voltemos ao tema principal: será Paul Seixas o corredor que vai acabar com o reino de terror de Tadej Pogacar?
Após vencer a Milão-Sanremo e o Tour de Flandres, os dois primeiros Monumentos da temporada, o esloveno não fez mais do que aumentar a sensação de medo nos seus rivais. Se no domingo também ganhar a Paris-Roubaix, o medo vai passar a pânico, já que, até agora, Mathieu van der Poel tinha conseguido humanizar o extraterrestre tanto na Classicíssima como no Inferno do Norte.
Em Oudenaarde, após perder o Tour de Flandres, o neerlandês da Alpecin pareceu resignado.
“Ia a fazer 650 watts e não consegui aguentar na roda dele. O ciclismo é simples. Tive que me submeter à lei do mais forte. Aguentei um pouco depois disso e aproximei-me na parte plana de Oude Kwaremont, mas ele ainda tinha uma aceleração. Aí quebrei.”
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Foto: Flanders Classics
Pogacar continua a melhorar
Do passado domingo podemos retirar várias conclusões: Pogacar continua a melhorar e desconhecemos o teto do seu talento; por outro lado, o ciclismo mudou.
Em que sentido? Pogacar e Evenepoel rondam os 64-66 kg e, se os retirarmos da equação, o top 10 do Tour de Flandres é o habitual, com atletas de perfil classicómano cujo peso médio é 75,8 kg.
O atípico é que, hoje em dia, nem a clássica dos sprinters nem as corridas míticas do pavê, outrora terreno dos robustos homens do Norte e do Centro da Europa, estão a salvo dos voltistas e das suas pernas escanzeladas.

Foto: Flanders Classics
Não é o mesmo ser retirado do que sair de cena
Por agora, Pogacar ainda não encontrou o corredor que o pode retirar! Para que seja Seixas o eleito, primeiro tem que ir à mãe de todas as batalhas: o Tour de France.
O potencial do francês com raízes portuguesas está lá, mas até hoje, em sete corridas com a presença dos dois, Pogacar ganhou 17 de 18 duelos, incluindo vários confrontos diretos – Strade Bianche, este ano, além de Lombardia, Europeu, Mundial e Dauphiné, em 2025.
Da mesma forma que Merckx encontrou Ocaña e que Hinault se submeteu a LeMond, é uma questão de tempo até encontrarmos o responsável por retirar Pogacar, a não ser que o esloveno decida dar um passo ao lado e sair invicto, ao estilo Rocky Marciano, Michael Jordan ou Usain Bolt.
Desde logo, não é o mesmo ser retirado do que sair de cena.