Evenepoel no Tour – “Até durmo melhor”

Evenepoel no Tour – “Até durmo melhor”

Soudal Quick-Step sonha com a vitória de Remco Evenepoel no Tour. O TopCycling falou com o belga, com o diretor Tom Steels e com Mikel Landa.

Remco Evenepoel viveu de tudo em quatro participações em grandes Voltas. No Giro abandonou duas vezes – a primeira porque não devia ter ido e a segunda por Covid quando liderava – e na Vuelta saiu campeão na estreia e no ano passado venceu três etapas e a montanha.

Segue-se o Tour de France onde o belga vai defrontar os vencedores das últimas quatro edições: Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar.

Quando atendeu os média na apresentação da Soudal Quick-Step, em Calpe, o líder da formação da Flandres foi questionado sobre se estava ansioso e se acredita num pódio final.

“Até durmo melhor sabendo que vou ao Tour. É empolgante, finalmente está a chegar. Sinto isso nos treinos, estou motivado e orientado para os detalhes. É um novo tipo de energia que não sentia há muito tempo. É possível terminar no pódio, tudo tem que correr bem, o objetivo é sair pelo menos com uma vitória em etapa e depois vemos a geral dia a dia. Só espero chegar na forma perfeita.”

Remco Evenepoel

Só começa a 29 de junho, mas todo o trabalho desenvolvido nos estágios é orientado para o Tour. O belga também foi em segredo reconhecer a 7ª etapa (contrarrelógio individual), a 8ª que termina em Colombey-Les-Deux-Eglises e a 9ª com final em Troyes e onde a gravilha vai ser protagonista.

Até lá fará corridas de preparação, arrancando em Portugal. Seguem-se provas semi montanhosas como Paris-Nice e País Basco – onde pode dar largas à criatividade e correr como gosta – e objetivos mais sérios como o Dauphiné – no qual a alta montanha inspira prudência.

Evenepoel gosta de discutir todas corridas e não escondeu a ambição que o caracteriza, embora por outro lado tenha relativizado a importância de bater os rivais antes do Tour.

“Nos últimos anos o Jonas só apareceu em muito bom nível no Dauphiné e no Tour e no ano passado o Pogi até lhe ganhou no Paris-Nice, mas foi o Jonas que ganhou o Tour. Se decides ir progressivamente até atingir a melhor forma é uma decisão individual ou da equipa; eu gosto de ir estabelecendo objetivos como Ardenas e Paris-Nice, que são corridas que quero ganhar na carreira. Quero ir por mim, para me descobrir, manter a confiança, dar moral à equipa e que vejam que está tudo em ordem, depois o grande teste será no Tour que é uma grande interrogação sobre como posso render.”

Remco Evenepoel
Evenepoel esteve uma hora a atender os média em Calpe.
Créditos: Gonçalo Moreira

Não esperamos nada e esperamos tudo

Como bater a UAE Emirates e a Visma Lease a Bike? Foi o que perguntamos a um dos diretores mais experientes da Soudal Quick-Step.

Tom Steels ganhou nove etapas no Tour e em cada participação procura transmitir aos corredores que nenhuma prova é comparável à Volta a França.

“Os colegas correm mais agressivamente do que em qualquer outra prova, o nível é pelo menos 10 por cento mais alto, cada dia é uma batalha. É difícil saber como um corredor vai reagir no primeiro Tour, por isso o Paris-Nice e o Dauphiné são bons passos à frente.”

O diretor desportivo não sabe com quem poderá contar, mas quase certos estão Louis Vervaeke, homem de confiança de Evenepoel, e Ilan Van Wilder, desde juniores ao lado de Remco.

Faltava um super classe na alta montanha até que chegou Mikel Landa.

“O nosso ADN é aproveitar quando há oportunidades. Vamos como outsiders, mas temos uma equipa sólida e experiente com a chegada do Mikel Landa, que tem um caráter oposto ao do Remco e é um corredor incrível com quem ele pode aprender. Como diz o Landa, no Tour segues e se conseguires seguir três semanas acabas numa boa posição. Vamos com a mente aberta: não esperamos nada e esperamos tudo.”

Tom Steels
Créditos: Soudal Quick-Step Pro Cycling Team/Wout Beel

O Landismo está vivo

Aos 34 anos Mikel Landa acumula 20 presenças em grandes Voltas. Já fez 3º no Giro e ficou às portas do pódio no Tour, além de ter ajudado Chris Froome, Fabio Aru e Egan Bernal a ganhar.

O basco queria correr ao lado de Evenepoel, que considera um corredor com caráter, impulsivo e ao qual pode aportar calma, experiência e pernas após fechar 5º a passada Vuelta.

“Espero estar com ele até ao último momento nas subidas. Se ficar isolado estar ao lado dele. Já vi muitos campeões que ganharam grandes Voltas e posso ajudá-lo a entender qual o momento em que se ganhar ou perder uma corrida. No desporto é mais fácil perder do que ganhar, é importante salvar os dias em que não estás bem e espero ajudar quando ele não estiver super. É bonito ajudar, saber que um colega ganhou graças a ti motiva-me.”

Mikel Landa

O Landismo está vivo. No Tour com Evenepoel e na Vuelta com maior margem para discutir uma etapa e tentar um pódio já que o próprio Landa considera a vitória pouco realista.

Uma grande Volta une uma nação

Quem o diz é Tom Steels, que também foi estrela em algumas edições do Tour, por isso não se deixa impressionar pelas 50 vitórias que Evenepoel tem aos 23 anos.

No entanto, Steels confessa nunca ter visto “um ciclista que tenha crescido tão rápido, não a nível físico, mas a forma como controla a bicicleta, o pensamento tático, o trabalho em equipa”.

Depois há o aspeto emocional que um evento de dimensão global provoca em quem compete e nos aficionados.

“Quando o Remco ganhou a Vuelta eu tive que apanhar um avião e no aeroporto fui sendo parado por viajantes e pessoal de segurança para me darem os parabéns… e nem sequer estive na Vuelta. Uma grande Volta une uma nação. São três semanas, as pessoas seguem como se fosse uma série, debatem, vivem os acontecimentos.”

Tom Steels

E atenção: além do Tour – que decorre entre 29 de junho e 21 de julho – o jovem belga aponta às duas provas de estrada dos Jogos Olímpicos – o contrarrelógio é a 27 de julho e a prova de fundo a 3 de agosto.

Três objetivos que provocam tremenda repercussão nos fãs de ciclismo em geral e nos belgas em particular. Emoções fortes para gerir num curto espaço de tempo.

“Tour de France e Jogos Olímpicos são dois dos eventos mais famosos do mundo. Vai ser especial e é lógico focar tudo nesse mês porque são dois dos eventos mais importantes a decorrer no mesmo mês e no mesmo país. Vai ser um mês onde vou ter que render ao nível mais alto que já rendi. O bom é que são duas corridas que se adaptam a mim, tanto o contrarrelógio como a prova de fundo são muito bonitas. Espero sair do Tour com boas sensações porque aspiro a dois pódios nos Jogos Olímpicos. O cruel no ciclismo é que ser 2º ou 3º não contam realmente, o que não é bem a mentalidade olímpica.”

Remco Evenepoel

Apontar alto e trabalhar para isso. O ano de 2024 pode tornar Remco Evenepoel num dos melhores corredores de todos os tempos.

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