A Specialized Epic 8 de Matt Beers ao pormenor – Vencedor da Cape Epic 2026
Matt Beers venceu a Cape Epic 2026 com Tristan Nortje, ambos com uma Specialized S-Works Epic 8, voltando a mostrar o porquê deste modelo ter precisamente o nome da prova Sul Africana. Neste artigo mostramos ao pormenor a Specialized Epic 8 de Matt Beers, com todos os pormenores e preparação para uma corrida exigente como a Cape Epic.

Uma Epic pensada para a Cape Epic
A base do setup é o quadro em carbono FACT 12m da Epic 8, o topo de gama da Specialized no segmento XC, mas aqui mostramos a forma como cada componente foi escolhido para responder às exigências específicas da corrida sul-africana.
A Cape Epic é uma prova onde o terreno muda constantemente ao longo do dia. Existem secções rápidas e rolantes, zonas técnicas exigentes e longas horas acumuladas em cima da bicicleta, pelo que além de ter que ser uma máquina de corrida, é importante o conforto para minimizar o desgaste progressivo dos atletas ao longo dos dias.

Por isso, a marca optou por uma configuração com 120 mm de curso em ambas as rodas, aproximando a Epic de uma verdadeira bicicleta de downcountry de competição, capaz de manter velocidade sem penalizar a confiança nas descidas.
Suspensão inteligente
Assim como outros modelos vistos na Cape Epic, a Specialized utilizou o sistema eletrónico RockShox Flight Attendant, presente tanto na suspensão dianteira SID Ultimate como no amortecedor SIDLuxe Ultimate, ambos com 120 mm de curso.

O sistema ajusta automaticamente o comportamento da suspensão em função do terreno e do esforço do ciclista, algo particularmente relevante numa corrida por etapas onde cada decisão energética tem impacto nos dias seguintes.

Em vez de estar constantemente a bloquear ou abrir suspensões, o atleta pode concentrar-se apenas no ritmo e na leitura da corrida, enquanto a bicicleta se adapta em tempo real.
Transmissão pensada para velocidade máxima
A transmissão ficou a cargo do grupo SRAM XX Eagle AXS, acompanhado por potenciómetro integrado Quarq XX SL Eagle, essencial nos dias de hoje para gerir o esforço ao longo das etapas.

Um detalhe que salta à vista é o prato de 40 dentes. Não é uma opção comum no XC tradicional, mas encaixa perfeitamente no perfil da Cape Epic, onde as velocidades médias nas etapas em linha são elevadas e há muitos quilómetros de terra batida.
Travagem reforçada para os trilhos africanos
Ao contrário de muitas bicicletas de XC puro, Beers opta por travões de quatro pistões, os SRAM Motive Ultimate, com discos de 180 mm à frente e 160 mm atrás.
É uma opção que se vê cada vez mais nos atletas profissionais, principalmente quando têm a estrutura física de Matt Beers, um atleta com 1.96 cm de altura e 79 kg.

A escolha também mostra uma prioridade no controlo e na consistência da travagem ao longo de descidas longas e técnicas. Numa prova onde existem longos trilhos, com vários minutos em descida, ter potência de travagem previsível pode fazer tanta diferença como ganhar algumas gramas no peso total da bicicleta.

Rodas e pneus
As rodas utilizadas são as Roval Control World Cup, combinadas com pneus Specialized Air Trak com carcaça Flex Lite e composto T5/T7.

A prioridade continua a ser a eficiência rolante e a velocidade, sem sacrificar a previsibilidade em terrenos soltos ou degradados.
Detalhes e “hacks” que fazem diferença no BTT moderno
Entre os sistemas e electrónica moderna que começam a ser habituais nas bicicletas de BTT topo de gama e os pormenores de personalização que os atletas colocam, há um “mix” de detalhes e personalizações sem nada ser esquecido, com o objetivo da vitória na Cape Epic em mente.
Matt Beers utiliza um espigão telescópico RockShox Reverb AXS, cada vez mais presente no XC moderno, permitindo maior controlo nas descidas técnicas.

Junto do comando do espigão de selim, podemos ver no cockpit umas fitas de guiador (normalmente utilizadas nas bicicletas de estrada) e seletores de mudanças na parte central, uma personalização feita para permitir uma posição mais aerodinâmica de Matt Beers nas zonas rápidas (mãos e braços mais fechados).

O selim Specialized Power Mirror em largura 143 mm foi escolhido com foco total no conforto durante etapas longas, onde pequenas diferenças ergonómicas acumulam impacto ao longo das horas.

Um detalhe curioso da bicicleta de Matt Beers está escondido à vista de todos. Por um lado não recorre ao habitual sistema SWAT da Specialized, com ferramenta integrada na grade de bidão, mas opta por levar um Sahmurai Sword (Kit de tacos Tubeless) discretamente instalado na zona do pedaleiro.

Também se pode ver o a técnica da braçadeira plástica no pedal Shimano XTR, para facilitar a remoção de lama do pedal e limitar ligeiramente o movimento do pé.

Podes ver a gama completa, disponibilidade e preços da Specialized Epic 8 aqui, no website da marca: www.specialized.com/pt/epic
O teste TopCycling à Specialized Epic 8
No TopCycling já testámos a Specialized Epic 8, embora não tenha sido a versão utilizada por Matt Beers na Cape Epic, a Epic 8 Pro revelou ser uma optima máquina para quem já quer competir a sério neste tipo de provas: Ler mais | Teste completo à Specialized Epic 8 Pro
