Specialized Epic 8 | Teste

Specialized Epic 8 | Teste

A Specialized lançou há uns meses a oitava geração da sua lendária bicicleta de montanha, a Specialized Epic 8. Pela altura do lançamento tive a oportunidade de ter um primeiro contacto com a bicicleta, durante um dia. Uns meses depois, tive a bicicleta mais tempo para testar mais a sério e passo-vos todos os detalhes.

Créditos: TopCycling

Neste artigo mostro as novidades e faço a análise mais detalhada do modelo, dando-vos um feedback mais sólido das suas características. Será tudo maravilhoso, ou descobri algo menos positivo?

Créditos: TopCycling

Começo como já o havia feito no primeiro contacto, recuando um pouco no tempo e abordando as principais diferenças nesta nova Specialized Epic 8, relativamente às suas antecessoras.

Um pouco de história

Criada em 1990, a primeira Specialized Epic (que por esta altura tinha a denominação de Stumpjumper Epic) surgiu com o propósito de ser uma bicicleta de montanha competitiva, para atender às demandas dos circuitos de XCO da altura.

1990 Stumpjumper Epic

Rapidamente se tornou num “best-seller” da Specialized, ao longo dos anos esta bicicleta icónica passou por várias fases de evolução, adaptando-se às necessidades dos ciclistas de montanha, aos circuitos e ao que o mercado exigia.

Em 2002 surgiu a primeira Epic com sistema Brain, um sistema de suspensão inovador que se baseava numa válvula de inércia que permitia distinguir as forças da pedalada e os impactos externos, ajustando automaticamente a rigidez da suspensão de acordo com a situação.

Specialized Epic 2002

O sistema de suspensão Brain evoluiu ao longo dos anos, chegando mesmo a estar presente noutros modelos da marca, como a Stumpjumper (uma bicicleta de All Mountain), tornando-se numa “imagem de marca” da Specialized.

Adeus Brain – Decisão positiva? Porquê?

Uma das mudanças mais notáveis é a ausência do sistema Brain, uma característica distintiva das versões anteriores da Epic. Após mais de 20 anos com o Brain, período no qual tanto a bicicleta como o próprio sistema evoluíram, a Specialized abdica em definitivo do sistema que chegou a ser “a bandeira” da marca nos modelos de BTT.

Créditos: TopCycling

Com a evolução dos circuitos de Cross-Country (XC) e do próprio BTT, as bicicletas de XC evoluíram para ter mais curso de suspensão e o Brain deixou de fazer tanto sentido como fazia em suspensões de 90 ou 100mm.

A ausência do sistema Brain permite que, juntamente com as técnicas e carbono utilizados para o desenvolvimento do quadro, esta versão seja 76 gramas mais leve que a versão anterior, isto apesar de lhe terem adicionado o sistema SWAT e batentes de direção.

Proteção inferior de quadro, na linha do modelo Stumpjumper.

Confesso que gostava do sistema Brain, que agora apenas se mantém na suspensão da Epic World Cup (a saber por quanto tempo), da mesma forma que gostava de testar o novo sistema Flight Attendant (que é uma espécie de Brain dos tempos modernos), porque esta solução do bloqueio rotativo não é fantástica. (Desenvolvo quando falo do bloqueio, mais em baixo).

A versão testada tem guia de corrente e potenciómetro de série.

Além do sistema SWAT e batentes de direção, o quadro da Epic ganha uma proteção inferior bem “avantajada” e guia de corrente para evitar chatices nos trilhos.

Bloqueio remoto

Embora tenha mais novidades, no que respeita a sensações de pedalada a Specialized Epic 8 é muito parecida com a antiga Epic EVO, mas melhor, porque vem equipada com um sistema de bloqueio remoto manual de amortecedor e suspensão, localizado no guiador.

Bloqueio remoto manual de amortecedor e suspensão

Esta mudança deixa o controlo do comportamento do amortecedor e suspensão entregues ao ciclista. Quando testei a bicicleta no primeiro dia, este controlo remoto (tipo grip shift) pareceu-me intuitivo e fácil de accionar, no entanto, andei um pouco “à luta” com ele para me habituar e para o acionar em certas posições nos trilhos.

Créditos: TopCycling

Pensei que depois de estarmos habituados ao sistema (com mais horas de utilização), este fosse acionado de uma forma natural e intuitiva, mas não, mesmo após vários dias de utilização ainda mudava de posição sem querer em alguns trilhos e continuava a pensar se estava em modo bloquedo, intermédio ou aberto.

Créditos: TopCycling

Ou seja, entre ter Brain e este sistema (controlo remoto tipo grip shift), prefiro o Brain, mas se tiver um bloqueio remoto de patilha “tradicional”, prefiro um sistema desse género e poupar o peso do Brain no conjunto, que na sua globalidade é fantástico.

Epic 120mm.

Outra novidade importante é o aumento do curso do amortecedor e suspensão para 120mm, semelhante ao modelo anterior Epic EVO. É uma alteração que vai ao encontro das necessidades actuais e da industria no geral, os 120mm. estão implementados nas bicicletas de XC de suspensão total.

Créditos: TopCycling

Os 120mm. proporcionam maior capacidade para zonas e trilhos mais complicados, além de uma condução mais suave em terrenos acidentados. Além disso, o ângulo de direção de 66,4 graus confere maior estabilidade e controlo nas descidas mais íngremes.

Créditos: TopCycling

Sistema SWAT é bem vindo

Um dos destaques desta Specialized Epic 8 é o sistema SWAT, um espaço de armazenamento integrado no quadro que permite ao ciclista transportar ferramentas, comida ou roupa extra sem a necessidade de utilizar bolsas ou mochilas adicionais.

Sistema SWAT

A Specialized foi pioneira neste sistema e na minha opinião só peca por tardio neste modelo, faz todo o sentido numa máquina de XC Maratona, onde os ciclistas passam longas horas em cima da bicicleta e necessitam transportar vários itens de material consigo.

Sistema SWAT

Esta característica acrescenta praticidade e versatilidade à bicicleta, tornando-a ideal para longas jornadas ou aventuras de um dia inteiro. Na minha opinião é uma característica que faz diferença na hora da escolha, entre esta ou outra bicicleta de uma marca concorrente, isto é mesmo muito prático.

Transmissão SRAM XX Eagle AXS

Tinha tido a oportunidade de testar esta transmissão duas vezes, em duas bicicletas diferentes, mas em ambas somente por um dia. Esta foi a primeira vez que testei este equipamento da SRAM durante mais dias.

Quando estamos mais à vontade com a bicicleta e queremos andar mais rápido, em descidas, subidas, trilhos, zonas seguidas de sobe e desce, com constantes trocas de mudanças, notamos que este equipamento é muito mais lento nas passagens de mudança que o seu “irmão” XX1 Eagle AXS.

Nem vou comparar com uma marca concorrente, para não pensarem que estou a “criticar” a SRAM, comparando com o outro equipamento SRAM AXS, este é mais lento nas passagens de mudança e mais caro!

Créditos: TopCycling

É um equipamento que revolucionou o mercado por não necessitar ter dropout, sendo mais resistente em caso de pancadas ou quedas no lado do desviador, mas tem esta desvantagem, por enquanto.

Amortecedor e suspensão específicos

O amortecedor e suspensão foram desenvolvidos especificamente para este modelo em colaboração com a RockShox, não vos posso dizer que notei algo de especial, o que notei é que têm uma boa leitura do terreno e um comportamento que nos dá confiança mesmo no primeiro contacto com a bicicleta.

Créditos: TopCycling

Sem integração

A nova Epic não tem integração de cabos, uma tendência atual em quase todos os modelos de bicicletas, seja Estrada, BTT ou Gravel.

Créditos: TopCycling

A vantagem

Por um lado, a ausência de cabos internos facilita a manutenção da bicicleta, um aspecto crucial especialmente em bicicletas de montanha que enfrentam condições adversas com lama e poeiras, além de serem expostas a mais lavagens.

Com cabos externos, ciclista ou mecânico têm um acesso mais fácil para limpeza, lubrificação, ajustes e substituição de componentes.

Créditos: TopCycling

A desvantagem

A desvantagem desta abordagem é estética, já se sabe que os olhos são os que comem primeiro e alguns utilizadores, na hora de comprar, não têm em conta os aspectos práticos, mas sim os estéticos. As bicicletas com integração de cabos tendem a ter um design mais limpo e elegante, sem cabos visíveis, o que pode ser considerado mais atrativo para alguns ciclistas em termos de aparência.

Créditos: TopCycling

Vídeo do primeiro contacto

Versão S-Works é de uma liga superior

Na versão topo de gama da Specialized Epic 8, as diferenças vão além do simples tipo de carbono utilizado. É a única da gama com alguma integração de cabos e a suspensão inteligente RockShox Flight Attendant.

O sistema de suspensão Flight Attendant é considerado por muitos como o mais avançado do momento. O Flight Attendant é único, no sentido em que é capaz de se ajustar automaticamente, levando em consideração o tipo de ciclista e as condições do terreno em tempo real.

Ao analisar constantemente os dados do percurso, o sistema é capaz de antecipar e ajustar a configuração da suspensão para cada momento da pedalada, proporcionando a melhor experiência ao ciclista, independentemente das exigências do trilho.

Veredicto final

Em suma, a oitava geração da Specialized Epic representa uma revolução marcante na história deste icónico modelo da Specialized.

Tem um design simples, características práticas e um desempenho que não vai defraudar tanto os entusiastas como os atletas de XC que pretendem competir, esta é uma bicicleta “pura e dura” de BTT, uma bicicleta de desempenho e ao mesmo tempo prática em todos os momentos.

Créditos: TopCycling

No modelo testado trocaria o bloqueio remoto da suspensão e amortecedor tipo grip shift, por um bloqueio de tradicional de patilha com as três posições, e também prefiro a versão XX1 Eagle AXS, à versão XX mais moderna.

Disponibilidade e preços

Podes ver a gama completa, cores, disponibilidade e preços da Specialized Epic 8 AQUI.

Equipamento do Rider:

Fotografia: Marco Miguel

Rider: Luís Beltrão

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