Campeonato Nacional 2026 | António Morgado consagra-se na Guarda

António Morgado junta o título da prova de fundo ao de contrarrelógio e Maria Martins ganha o Campeonato Nacional em elites femininas.
Depois de vencer a Clássica da Figueira da Foz, em fevereiro, António Morgado voltou a mostrar que se transcende quando corre em Portugal e dominou as corridas de elites no Campeonato Nacional.
Após a vitória tangencial no contrarrelógio, o atleta da UAE Emirates esteve irrequieto na prova de fundo e não sossegou até integrar a fuga do dia. Na Guarda estiveram 45 corredores à partida para 181 km, dos quais 113 km foram feitos num circuito ao qual os elites deram três voltas de aproximadamente 34 km cada uma.
Foi precisamente na aproximação ao circuito que três corredores ganharam vantagem. A partir do km 63 António Morgado teve a companhia do colega Rui Oliveira e de Afonso Silva (Tavira/Crédito Agrícola).

Foto: TopCycling
Durante o resto da prova um grupo perseguidor tentou, sem êxito, neutralizar os fugitivos. Entre os perseguidores estiveram Ivo Oliveira (UAE Emirates – campeão nacional em 2025 e em 2023), Afonso Eulálio (Bahrain), Emanuel Duarte (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), Diogo Gonçalves, Pedro Pinto e Tiago Antunes (Efapel), Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), Miguel Salgueiro, Diogo Barbosa, Francisco Campos (Tavira /Crédito Agricola).
Na parte mais seletiva do circuito, a cerca de 5 km da meta, António Morgado “descarregou” Afonso Silva, que tinha atacado e deixado para trás Rui Oliveira instantes antes. O Bigode Voador entrou na meta isola para se proclamar campeão nacional de fundo em elites pela primeira vez na carreira, isto após ter ganho o título em juniores, em 2022.
Pela quinta edição consecutiva o Campeonato Nacional foi dominado por ciclistas do WorldTour:
- 2026: António Morgado
- 2025: Ivo Oliveira
- 2024: Rui Costa
- 2023: Ivo Oliveira
- 2022: João Almeida

Foto: Rodrigo Rodrigues / FPC
Tata vai levar a bandeira de Portugal ao WorldTour
A prova feminina foi das poucas que não viu uma fuga prevalecer, aliás, só na penúltima subida é que a prova mexeu a sério graças a um ataque de Raquel Queirós (Atum General/Tavira/Madre Fruta) e Ana Caramelo (Matos Mobility-Flexaco-lhs), vencedora do contrarrelógio.
No entanto, Maria Martins conseguiu chegar à frente da corrida a 4 km do final e num sprint a três bateu Raquel Queirós e Beatriz Roxo (ODL).
A atleta da CANYON-SRAM impôs-se na prova que teve 102,4 km e somou o segundo título nacional de elites da carreira, após ter ganho em 2021. Tata vai levar a bandeira de Portugal ao WorldTour feminino, onde é a única representante do país.
“É uma sensação muito especial, vinha com alguma pressão, tendo em conta os últimos meses, mas vinha também na expectativa de conseguir este título, sempre com muito respeito pelas minhas adversárias, que têm muita qualidade. Foi toda a dinâmica da forma como se desenrolou a corrida que ditou o resultado. A dado momento senti que já não conseguia chegar à camisola, mas nunca deixei de acreditar e fui muito na base da persistência e da resiliência. Ainda não acredito que a 3 km do final chegamos de novo à frente e tudo aconteceu.”

Foto: Rodrigo Rodrigues / FPC
Títulos nacionais de sub-23
Também na Guarda ficaram entregues os títulos nacionais de sub-23.
No pelotão feminino, que alinhou com o de elites, evidenciou-se Marta Carvalho ao revalidar o título. A corredora da Cantabria Deporte – Rio Miera foi 4.ª classificada na prova de elites e a melhor sub-23, superando a vencedora do contrarrelógio, Raquel Dias (Team Farto-Kiroot), e Emília Baía (Korpo Activo / Penacova).
Em sub-23 masculinos Daniel Lima foi o mais rápido no sprint seletivo que definiu a vitória, batendo Gabriel Baptista (Technosylva Rower Bembibre) e João António (Aviludo-Louletano-Loulé).
O atleta que este ano representa a equipa francesa Bourg en Bresse Ain fez valer a fuga do dia, que se deu ao km 50 dos 146,2 km do percurso.
“No último ano tentei este título e não consegui. Este ano sofri muito, mas valeu a pena. Quando o Gabriel Baptista me apanhou pensei que já não ia conseguir responder, mas mantive a frieza suficiente para o deixar fazer o trabalho e no final sabia que podia conseguir, foi à morte até à meta. Esta é a minha primeira vitória nos Campeonatos Nacionais de Estrada, levar esta camisola até ao final da época é muito importante para mim.”