Análise aos Monumentos: Pogacar, Van Aert, watts e recordes

Análise aos Monumentos: Pogacar, Van Aert, watts e recordes
Foto: La Presse

Van Aert e Pogacar venceram os Monumentos, mas houve mais exibições marcantes e um festival de watts. A análise de Gonçalo Moreira.

Os primeiros quatro Monumentos do ano já moram na história do ciclismo e dela passaram a fazer parte nomes como Tom Pidcock, Wout Van Aert e Paul Seixas, para juntar a clientes frequentes como Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel.

Vamos por partes porque esta série teve quatro capítulos e ainda não acabou; o quinto só é emitido no outono, na Lombardia.

No entanto, o ciclismo moderno é tão frenético que se a análise não é imediata esses detalhes serão devorados por eventos futuros. Vamos, portanto, à análise dos watts, às corridas mais marcantes e aos campeões dos Monumentos, como Pogacar e Van Aert, que marcaram esta fase do calendário.

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Tadej Pogacar triunfou na Milano-Sanremo
Pogacar e Pidcock na Via Roma.
Foto: LaPresse

O Senhor dos Monumentos

Há quem ache a Milão-Sanremo uma seca: que o Senhor os perdoe porque não sabem o que dizem. São mais de seis horas de um crescendo emocional e é preciso desenvolver um gosto sofisticado para saber apreciar a narrativa e desfrutar dos picos de emoção guardados para a hora final.

Este ano o guião parecia o mesmo de outros anos, até que a 8,1 km da Cipressa meio pelotão foi ao chão: caíram Pogacar, Van der Poel, Philipsen e mais uns quantos. Abram a janela e atirem a teoria pela janela fora!

Só que o impensável aconteceu e os favoritos reentraram no pelotão a tempo de baterem o recorde da subida (8:50 em 2026 vs. 9:00 em 2025 e 9:29 em 2024); Pogacar tinha planeado atacar e atacou, levando Pidcock e Van der Poel, com uma aceleração que o fez ir muitas vezes acima de 40 km/h.

No Poggio descarregou Van der Poel com um ataque que durou 1:10 a 41 km/h de média em rampas a rondar os 5 por cento de inclinação.

Pidcock resistiu a tudo e a clássica da primavera decidiu-se num mano a mano na Via Roma: foram 14 segundos de êxtase decididos por quatro centímetros graças a um Pogacar que após 298 km ainda fez um pico de 1250 watts (59 km/h) e gerou em média 1060 watts (56,4 km/h). O Senhor dos Monumentos do século 21 venceu à sexta tentativa, depois de ter sido 3º duas vezes, 4º, 5º e 12º (na estreia).

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Foto: Flanders Classics

Van Aert esteve superofensivo

Seguiu-se o aquecimento para as clássicas do pavê e aí apareceu o rei das pedras, Mathieu van der Poel, que após ganhar a Omloop Nieuwsblad foi à clássica E3 fazer os seus melhores números em 90 minutos: 446 watts de média para um movimento que começou a 69,7 km do final com Tim Van Dijke e terminou a solo no Paterberg.

Na Gent-Wevelgem teve a companhia de Wout Van Aert; arrancaram na segunda passagem pelo Kemmelberg e foram neutralizados perto da meta, possibilitando um sprint que Jasper Philipsen não desperdiçou.

Van Aert esteve superofensivo em toda a temporada de clássicas do Norte e na Através da Flandres, na quarta-feira antes da Ronde, voltou a tentar de longe apenas para ser neutralizado a 25 metros da meta por Filippo Ganna.

No domingo sagrado da Flandres, tudo se voltou a decidir em Oude Kwaremont, que se converteu no jardim de Pogacar. O esloveno fez a subida em 3:02 e a 29 km/h de média e voou no Paterberg – 0:50 a 16,9 km/h de média, gerando 480 watts no primeiro e 630 watts no segundo ataque. Foi um grande dia para a UAE que selecionou a corrida no Molenberg, a 101 km do final, isto após Bjerg ter controlado a corrida durante duas horas com uma média de 360 watts. Pogacar ganhou isolado a terceira Volta à Flandres da carreira.

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Foto: A.S.O./Pressesports/Bernard Papon

Revanche em Roubaix

Após duas derrotas consecutivas, tudo apontava para uma revanche em Roubaix entre o esloveno e o neerlandês, só que um furo na Floresta de Arenberg tirou Van der Poel de jogo.

No baile do pavê, Pogacar encontrou outro parceiro para dançar. Wout Van Aert atacou no setor 12 (3:00 a 520 watts com um pico de 1222 watts durante o ataque) para selecionar o grupo e levou a decisão para o velódromo.

Na pista descoberta mais famosa do mundo, o belga expurgou todos os males da carreira e após 258 km foi capaz de fazer um pico de 1281 watts para despachar Pogacar, isto após uma edição que bateu o recorde de velocidade: 48,9 km/h (superando 47,8 km/h da edição de 2024 ganha por Van der Poel).

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A.S.O./Billy Ceusters

Pogacar sacou da artilharia pesada

A encerrar a época de clássicas tivemos uma edição fabulosa da Liège-Bastogne-Liège, onde se encontraram o tricampeão Pogacar, o bicampeão Pogacar e o aspirante Seixas.

“O Escolhido”, como é conhecido em França, vinha de vulgarizar a concorrência no País Basco e na Flèche-Wallone, aliás, a França não ganhava nas Ardenas desde Julian Alaphilippe, em 2021. Restava saber se podia seguir Pogacar em La Redoute, onde o esloveno tinha decidido as duas edições prévias da Decana das clássicas.

Chegado o momento, Evenepoel abriu para o lado e Seixas fez o impensável: aguentou na roda do campeão do mundo enquanto Pogacar batia o recorde de La Redoute (3:45) fazendo 575 watts durante o ataque, o que dá 8,7 w/kg!

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Seixas resistiu a Pogacar no Côte de la Redoute.
Foto: A.S.O.Billy Ceusters

Seixas aguentou o que ninguém tinha aguentado até então, mas a euforia fê-lo perder a noção do perigo e dar relevos a Pogacar a caminho do Côte de la Roche-aux-Faucons. Pogacar sacou da artilharia pesada e também bateu o recorde nesta subida (3:23 com média de 545 watts equivalente a 8,3 w/kg) metendo 0:26 segundos ao francês no espaço de 1300 metros.

Foi uma edição corrida a 44,4 km/h de média, isto é, mais 2,4 km/h do que a anterior edição mais rápida, que era a de 2025. Também foi a quarta Liège de Pogacar, que venceu três dos quatro Monumentos da época e soma já 13 de carreira, ficando a faltar apenas a Paris-Roubaix para se tornar o quarto ciclista da história e o primeiro não belga a vencer os cinco.

Van Aert e Pogacar venceram os Monumentos, mas as clássicas deram-nos muito mais do que dois campeões e muitos watts, criando memórias para a eternidade. Venham as Grandes Voltas e mais performances extraordinárias!

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