Paris-Roubaix 2026 | Finalmente Wout Van Aert vence no Inferno do Norte

A Paris-Roubaix é apelidada como o “Inferno do Norte”, como “A clássica das clássicas”, além de outros nomes que lhe atribuem, e sabe-se facilmente o porquê a cada ano que se assiste a uma Paris-Roubaix, é porque não há corrida igual, principalmente porque é a mais imprevisível do mundo do ciclismo pelas características que reúne. A edição de 2026 voltou a provar porquê.

Depois do que se viu em 2025, com Tadej Pogacar a entrar no “Inferno do Norte” e a desafiar o domínio de Mathieu van der Poel, muitos esperavam mais um capítulo desse duelo. Uma rivalidade que, de certa forma, trouxe de volta à memória os tempos de Eddy Merckx e Roger De Vlaeminck.
Mas a Roubaix raramente segue o guião.
Entre furos, trocas de bicicleta e azares mecânicos, os principais favoritos foram sendo colocados à prova. E foi nesse caos que Wout van Aert (também azarado em outras edições) encontrou o seu momento para finalmente vencer no velódromo de Roubaix.
Uma corrida marcada pelos azares
A corrida arrancou com um pelotão compacto durante os primeiros quilómetros, sem que nenhuma fuga se conseguisse consolidar antes da entrada nos primeiros setores de pavé.
A partir daí, começou a seleção, mas também o caos habitual da Paris-Roubaix.

Tadej Pogacar foi um dos primeiros a ter problemas, ficando atrasado após um furo e sendo obrigado a recorrer à bicicleta do apoio neutro. Ainda assim (chegando a estar a um minuto da frente), com ajuda da equipa, conseguiu regressar à frente da corrida.

Quem não teve a mesma sorte foi Mathieu van der Poel. Num dos setores mais emblemáticos da corrida, a Trouée d’Arenberg, sofreu dois furos que o deixaram a dois minutos da frente da corrida. O Neerlandês ainda tentou recuperar, chegou ao segundo grupo, mas esse esforço acabaria por ser inglório, não conseguindo sequer entrar no pódio final.

Também Wout van Aert enfrentou contratempos, tendo que trocar de bicicleta uma vez, mas foi numa fase da corrida em que tinha jujnto de si o carro da equipa e conseguiu limitar perdas relativamente rápido.

Pogacar e Van Aert isolam-se
Depois de Arenberg (onde ficou Mathieu van der Poel, como referi acima), formou-se um grupo restrito com os principais candidatos, incluindo nomes como Mads Pedersen, Jasper Stuyven e Christophe Laporte.
Mas a corrida acabaria por decidir-se no setor 12, a mais de 50 km da meta. Foi aí que Pogacar e Van Aert atacaram e se isolaram na frente, descartando entre outros, Mads Pedersen, que era outro candidato à vitória. Atrás, Van der Poel ainda liderava a perseguição, mas nunca conseguiu fechar totalmente o espaço.

Mesmo depois de novos furos para ambos, os dois líderes conseguiram regressar à frente e manter a vantagem, entrando nos setores decisivos (Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre) já isolados, com uma vantagem qe se mantinha entre os trinta e os quarenta segundos.
Decisão no velódromo
Nos últimos quilómetros, Pogacar tentou várias vezes fazer a diferença, acelerando nos setores mais duros (Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre), mas Van Aert respondeu sempre com frieza, correndo de forma inteligente e sem entrar em excesso.
Os dois acabaram por entrar juntos no velódromo André Pétrieux e no sprint final, não houve dúvidas, Wout Van Aert lançou o sprint a cerca de 200 metros e foi claramente mais rápido, batendo Tadej Pogacar e conquistando finalmente a Paris-Roubaix, depois de vários anos a bater à porta e de pódios em 2022 e 2023.
Tadej Pogacar foi um bravo vencido, tendo feito duas recuperações enormes, só ao alcance do canibal dos tempos modernos.
A vitória que faltava a Van Aert
Na Paris-Roubaix tudo tem que se alinhar e desta vez alinhou-se para o belga, ao qual faltava uma clássica do norte na carreira.
Depois de anos a tentar, de lesões, de azares e de estar quase, o belga junta agora o “Inferno do Norte” ao seu palmarés. Uma vitória construída na resiliência, na resistência, hoje também na inteligência e na capacidade de sobreviver ao caos, o espelho de tudo o que esta corrida exige, porque na Roubaix não basta ser o mais forte.
Vídeo resumo
Top 10 Paris-Roubaix 2026
| Pos | Ciclista | Equipa | Tempo |
| 1 | Wout van Aert | Visma | Lease a Bike | 5:16:52 |
| 2 | Tadej Pogačar | UAE Team Emirates – XRG | m.t. |
| 3 | Jasper Stuyven | Soudal Quick-Step | +0:13 |
| 4 | Mathieu van der Poel | Alpecin-Premier Tech | +0:15 |
| 5 | Christophe Laporte | Visma | Lease a Bike | m.t. |
| 6 | Mick van Dijke | Red Bull – BORA – hansgrohe | m.t. |
| 7 | Mads Pedersen | Lidl – Trek | m.t. |
| 8 | Stefan Bissegger | Decathlon CMA CGM Team | +0:20 |
| 9 | Nils Politt | UAE Team Emirates – XRG | +2:36 |
| 10 | Mike Teunissen | XDS Astana Team | m.t. |