Paris-Tours e uma viagem ao ciclismo do século 19

A 118.ª edição da Paris-Tour fez lembrar o ciclismo de outros tempos. Propomos uma retrospetiva fotográfica da clássica francesa.
A Paris-Tours foi um dia de ciclismo à antiga, honrando a tradição do evento nascido em 1896.
Caras indecifráveis e corpos cobertos de lama.
A chuva deu o toque épico à vitória de Christophe Laporte, da Visma | Lease a Bike, a primeira do ano do bronze olímpico em Paris.
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Ciclismo num regresso ao passado?
O lado desportivo foi uma mera nota de rodapé. Este domingo assistimos à definitiva transição da clássica que foi dos sprinters e pertence agora aos classicómanos.
Após 111 edições a Paris-Tours deixou de apelar à velocidade pura no ciclismo. Em 2018 reinventou-se incorporando subidas e setores de gravilha perdidos entre vinhedos.
Que mania é esta de querer levar o ciclismo num regresso ao passado?

A tendência de procurar o vintage
Porquê sujeitar os ciclistas a passar em sterrato, gravilha e empedrado? A introdução destes elementos em competição é controversa.
Os puristas defendem um ciclismo em asfalto, mas quando as bicicletas saíram dos velódromos para se fazerem à estrada as vias de comunicação eram muito diferentes das atuais.
Recordemos que os pioneiros foram os Romanos, depois vieram as estradas de McAdam. O asfalto derivado do petróleo é uma modernice. Sem esquecer as duas Guerras Mundiais que mutilaram a rede de comunicação europeia.
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Tendência de procurar o vintage
As estradas são o reflexo de avanços tecnológicos e num mundo governado pela tecnologia é curiosa a tendência de procurar o vintage.
No entanto, a fórmula atraiu novos públicos e renovou a paixão dos fiéis com este regresso às origens. O êxito da Strade Bianche é a prova disso mesmo.
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A.S.O. Gautier Demouveaux
Virtuosos multidisciplinares ditam as modas
No dia da Paris-Tours correu-se o Mundial de gravel, a disciplina da moda que também leva o pelotão por caminhos de cabras típicos do século 19.
Venceram Mathieu Van der Poel e Marianne Vos, ambos já com títulos na estrada e no ciclocrosse. Os virtuosos multidisciplinares ditam as modas, estimulam o público e espicaçam o resto do pelotão.
Até os conservadores voltistas voltaram a ganhar no pavê! Não víamos um campeão do Tour de France apontar aos cinco Monumentos desde os anos 70 com o inevitável Eddy Merckx.
Não é incrível viver com Pogacar o que não pudemos viver com Merckx?