Xangai também é capaz de revelar um Salgueiro de bronze

Oito meses depois de uma queda aparatosa o ter atirado para uma cama de hospital em Konya, Miguel Salgueiro chegou a Xangai para fazer história: é a primeira medalha nacional em Mundiais na Corrida por Pontos.
Foi em fevereiro que uma queda violenta na prova de Eliminação dos Campeonatos da Europa de Konya, na Turquia, traduziu-se em fraturas numa costela e em duas vértebras para Miguel Salgueiro.

Ultrapassada a recuperação que ocupou várias semanas, o ciclista da Team Tavira-Crédito Agrícola reencontrou a sua melhor forma na estrada – ganhou etapas no GP O Jogo e no GP Douro Internacional, para lá de ter lançado Francisco Campos para a vitória em Queluz na Volta a Portugal.
O momento era positivo e deixava antever um bom resultado na Corrida por Pontos dos Campeonatos do Mundo de Xangai. O objetivo era o top dez, mas a ambição e a inteligência de Miguel Salgueiro acabaram por trazer para Portugal a primeira medalha de sempre naquela disciplina do endurance em Mundiais.
Ler mais | Ciclismo de pista inicia qualificação para LA 2028 no Mundial de Xangai
Um bronze para a história
Durante a manhã desta sexta-feira em Lisboa, o atleta de 27 anos não demorou muito a mostrar ambição de pontuar e intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros da prova. Depois de ter chegado a meio da prova com nove pontos, Salgueiro esteve no movimento que atirou para fora da discussão alguns dos candidatos, como Vincent Hoppezak, Peter Moore ou Héctor Álvarez.
Na fase final da prova, o português manteve-se perto dos rivais Mark Stewart e Benjamin Thomas e chegou às últimas voltas com o pódio praticamente garantido, numa altura em que os três primeiros estavam separados por três pontos. Carl-Frederik Bévort ainda tentou surpreender com um ataque nas voltas finais que lhe valeram os últimos dez pontos, mas não conseguiu melhorar o quarto lugar.
Atrás do dinamarquês vinha o britânico que, com o segundo lugar na linha de chegada, garantiu o ouro, ao passo que o francês somou dois pontos e ultrapassou Salgueiro na luta pela prata. Ainda assim, Miguel defendeu-se bem e conquistou a inédita medalha de bronze, repetindo o que a amiga Maria Martins fez no primeiro dia destes Mundiais.
Olhando aos resultados, Portugal tinha pouca história nesta prova em Campeonatos do Mundo, embora a conversa seja outra no que concerne a Europeus, dado que Iúri Leitão conquistou o ouro em Heusden-Zolder-2025 e a prata em Grenchen-2021.
Por outro lado, está igualada a melhor prestação de sempre da Seleção Nacional de pista em Mundiais, com Xangai a juntar-se a Saint-Quentin-en-Yvelines, em 2022, no topo da lista. Em França, Portugal também conquistou dois bronzes, por Ivo Oliveira (Perseguição Individual) e Tata (Omnium).
Ler mais | Maria Martins conquista bronze na estreia nos Mundiais de Xangai
As nove medalhas de Portugal em Mundiais de pista
- Ouro – Iúri Leitão – Omnium (Glasgow-2023)
- Prata – Ivo Oliveira – Perseguição Individual (Apeldoorn-2018)
- Prata – Iúri Leitão – Eliminação (Roubaix-2021)
- Bronze – Maria Martins – Scratch (Berlim-2020)
- Bronze – Ivo Oliveira – Perseguição Individual (Saint-Quentin-en-Yvelines-2022)
- Bronze – Maria Martins – Omnium (Saint-Quentin-en-Yvelines-2022)
- Bronze – Iúri Leitão – Scratch (Santiago-2025)
- Bronze – Maria Martins – Scratch (Xangai-2026)
- Bronze – Miguel Salgueiro – Corrida por Pontos (Xangai-2026)

Subscreve a newsletter semanal para receberes todas as notícias e conteúdo original do TopCycling.pt. Segue-nos nas várias redes sociais: Youtube, Instagram, “X” e Facebook.