Volta a Portugal | A festa do povo em fotos
Pela lente dos fotógrafos Matias Novo e Sérgio Henriques constatamos que há tradições que ainda são o que eram na Volta a Portugal. Não puderam vir? Ainda vêm a tempo.
A Volta a Portugal cumpre 98 anos e desde que foi fundada, em 1927, continua a ser o evento desportivo por excelência do verão nacional.
Através da RTP, a média da edição de 2024 foi de 350 mil espetadores em muitos dias, com picos acima de 500 mil. Numa época onde os maiores concorrentes são a praia e o mar, foram números razoáveis para o canal público.
Reuni uma seleção de fotos dos primeiros quatro dias, cortesia da Podium Events, com o objetivo de aproximar da corrida aqueles que não podem viver na estrada a corrida.
Guia da 86.ª Volta a Portugal | As etapas, equipas e análise

O ritual de todos os verões
O ciclismo é um desporto que passa de pais para filhos, de avós para netos. No fundo cabe aos mais velhos manterem vivo o ritual de todos os verões ir à estrada ver passar o pelotão.
Lembro-me de esperar por chapéus e brindes à beira da estrada – os patrocinadores continuam presentes, mas estão menos mãos largas – e ir para casa a correr para ver o final da etapa.
Hoje, desde qualquer telefone abrimos uma app de streaming e está feito!
Etapa 3 | Hugo Nunes “engana” o pelotão

Pelotão já não tem ONCE, Banesto, Mapei ou Saeco
Muita coisa tem vindo a mudar. O pelotão já não tem ONCE, Banesto, Mapei ou Saeco, mas por outro lado as estrada não são o inferno que eram na década de 90.
Um dia estive em Sogamoso, Colômbia, na casa do ex-ciclista Chepe González. Foi um trepador extraordinário duas vezes rei da montanha no Giro de Itália e vencedor de etapas tanto na prova italiana como no Tour de France.
A padeira Elisabete Ferreira e a Volta a Portugal

Castigo é castigo
A certa altura perguntei-lhe “então e correste em Portugal?”. Chepe González parou e disse: “Muito calor e as estradas eram más. Um dia ia abandonar no Giro e o diretor disse que se pusesse o pé no chão ia correr a Portugal de castigo.”
Não abandonou esse Giro, mas acabou por vir à Volta em 2001 e não terminou qualquer etapa nos 100 primeiros… castigo é castigo!
Fartei-me de rir e informei-o de que atualmente dispomos de ótimas condições logísticas e estradas que parecem tapetes persa.
Reminiscências da Maia-Milaneza

Picanha, feijoada e cozido à portuguesa
O calor é que não falha, tal como o fogareiro, embora o menu das etapas montanhosas já não seja só febras e entrecosto.
Na Senhora da Graça vi picanha, feijoada e cozido à portuguesa e tenho um amigo francês que com estes petiscos nem tinha chegado ao topo… não é Olivier?
A cerveja sofreu da evolução dos gostos do consumidor e a garrafa de 30 cl deu lugar à mais prática mini.
Etapa 2 | Pau Martí vence no sterrato de Fafe

Luís Montenegro veio à Volta pelo segundo ano consecutivo
Também a estrada continua a revelar os artistas anónimos que refletem no asfalto a paixão pelos ciclistas. Não é fácil estar de rabo para o ar a pintar com 35 graus.
A nossa corrida está diferente, mas continua a ser a festa do povo. Nem o primeiro-ministro quis perder a oportunidade de se deixar ver; Luís Montenegro veio pelo segundo ano consecutivo e essa é uma boa notícia para o ciclismo.

Prometemos uma segunda edição deste artigo com o retrato das subidas à Senhora da Graça, Alto da Torre e Alto de Montejunto.
Aí o espírito ainda é o de outros tempos, seja a apoiar quem sobe de bike seja a saudar quem passa de carro.