A padeira Elisabete Ferreira e a Volta a Portugal

A padeira Elisabete Ferreira e a Volta a Portugal

Elisabete Ferreira foi a melhor padeira do mundo em 2024 e é uma mulher extraordinária, visionária, que só encontramos graças à Volta a Portugal.

Elisabete Ferreira não é apenas padeira, mas embaixadora do pão, alem de ser o segredo mais bem escondido de Bragança, onde a Volta a Portugal terminou uma etapa pela vigésima vez na história.

Deixem-me contextualizar porque esta é daquelas histórias de pura sorte. Eu e o Beltrão acordamos tarde porque o transfer de 190 km entre Fafe e Bragança pesou nas pestanas.

Perguntamos ao Google pelo “melhor pequeno-almoço de Bragança”. Respondeu amavelmente Pão de Gimonde. Ok, bora lá conhecer mais um sítio.

Sítio de aparência moderna, excelentes opções de bolos e salgados. Notei que o pão era maravilhoso, mas só me dei conta do que estava a comer quando alguém disse: “Olhe, vem aí a melhor padeira do mundo.”

“O pão rápido é o oposto do pão lento. Deixa de ter sabor, de ser digerido da mesma forma. O pão lento tem menor índice glicémico porque há uma degradação dos açúcares, mas também muito mais aroma porque a natureza que está na farinha desse grão, desse cereal, vai-se sentir muito mais, porque deixamos as enzimas naturais da farinha trabalhar.”

Elisabete Ferreira ao TopCycling.

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Obrigado Elisabete! Brutal a foccacia de pistacho e chocolate e a coca de amêndoa e anis preparada para nós.

O ciclismo leva-nos aonde chegam todos e aonde não chega ninguém

Quando Elisabete Ferreira, diretora executiva do Pão de Gimonde, se sentou comigo e começou a desbobinar senti-me um ignorante. O pão é a minha debilidade gastronómica. Como é que não a vi nas notícias quando recebeu o diploma da União Internacional de Panificação e Pastelaria, em 2024?

Penso muitas vezes que, sem a Volta a Portugal, sem visitar Bragança, Gimonde ou Fornos de Algodres nunca chegaria a certos sítios, provaria certos sabores e conheceria certas pessoas. O ciclismo leva-nos aonde chegam todos e aonde não chega ninguém.

Também há ciclismo na vida desta artista, que gosta de dar uma voltinha com o marido entre Gimonde e Quintanilha, perto da fronteira com Espanha. O desporto, a boa alimentação e as relações humanas são a base de uma vida equilibrada.

Reminiscências da Maia-Milaneza na Volta a Portugal

Elisabete Ferreira à conversa com Gonçalo Moreira.

Potencial do pão de Gimonde para ciclistas

Ser a melhor padeira do mundo não é coisa de um dia ou de um concurso, mas o reconhecimento à trajetória profissional, social e académica.

Comentei com Elisabete Ferreira que o ciclismo vive obcecado com o peso e que há atletas que comem com a balança em cima da mesa. Também que vivemos na era da especialização, na qual as equipas de topo têm nos quadros nutricionistas e chefs orientados para a performance.

Somos o que comemos”, disse Hipócrates. Pensei logo no potencial do pão de Gimonde para ciclistas, que poderiam comer um alimento básico sem remorsos.

“Fiz um pão com alto teor de proteína com farinha de ervilha e fizemos as análises na universidade: 23,4 de proteína. Além do alto teor de fibra que, para mim, é até mais importante. Este pão está mais orientado para a população idosa, que já não quer mastigar tanto a carne e falta a proteína. Nós vamos passar por lá, portanto, vamos tentar deixar o legado para o futuro.”

Elisabete Ferreira ao TopCycling.

Guia da 86.ª Volta a Portugal | As etapas, equipas e análise

Em 2024, a União Internacional de Panificação e Pastelaria escolheu Elisabete Ferreira como melhor padeira do mundo.

“O pão é um superalimento”

Comunidade, proximidade e sustentabilidade estão sempre na mente de Elisabete Ferreira, que correu para o Laboratório – como chama à zona de trabalho – para nos preparar uma foccacia de pistacho e chocolate e uma coca de amêndoa e anis, na qual queima o anis levando à caramelização da amêndoa à nossa frente.

Como é que algo tão tradicional como o pão transmontano motiva nesta padeira inquietudes que a levam a investigar novas receitas, novos ingredientes e analisar os produtos em ambiente universitário?

“O pão é um superalimento só que o tratamos mal porque sempre o tivemos em cima da mesa disponível, mas quando deixarmos de ter padeiros que fazem produto diferenciador e só tivermos o industrial é que vamos sentir falta desta identidade. Temos que cuidar aquilo que é nosso.”

Elisabete Ferreira ao TopCycling.

Como dizem em Trás-os-Montes, o que é demais é moléstia. Pegamos nas mochilas e fomos em direção à meta, na Rua Prof. Dr. António Gonçalves Rodrigues, mais felizes e bem alimentados por uma mulher extraordinária que a Volta a Portugal colocou no nosso caminho.

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