João Almeida regressa na Polónia: “Quero ganhar ainda este ano”

Há cerca de um ano, Portugal vibrou com as batalhas entre João Almeida e Jonas Vingegaard na Vuelta a Espanha, no entanto, esta temporada a irregularidade do português não permitiu voltar a sentir essas emoções, algo que pode estar prestes a mudar na Volta à Polónia.
É na única corrida por etapas do WorldTour situada no Leste da Europa que, a partir de segunda-feira, se apresenta o ciclista de 27 anos, natural de A dos Francos, Caldas da Rainha.
Em conferência de imprensa com os média nacionais, João Almeida apareceu sorridente e garantiu que está pronto para discutir uma corrida que já venceu em 2021.
“Sinto-me bem, estou pronto para correr, esperemos que corra tudo bem e que não haja azares na Volta à Polónia. Tenho boas memórias do passado, é uma das boas corridas de preparação, com bom nível, para ver como é que estou na realidade. Vai ser uma corrida que me vai fazer bastante bem, com esforços que também preciso de fazer. Obviamente que gostava de ganhar uma etapa e a geral ainda mais, mas vamos dia a dia, sem pressão.
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Foto: Unipublic / Cxcling / Angel Camarena
Por decisão da equipa vai à Polónia
Se pelo português fosse, esta semana faria a Volta a Burgos, onde o tipo de etapas e de subidas se assemelha ao que vai encontrar na Vuelta. Os rivais também são de maior entidade, como Giulio Pellizzari, Felix Gall e Mathys Rondel – que saíram bem do Giro – e homens em forma como Markel Beloki, recente vencedor do Tour de l’Ain.
Por decisão da equipa vai à Polónia, o que talvez não seja mal pensado tendo em conta que os rivais mais importantes são Neilson Powless, Santiago Buitrago, Louis Barré e Iván Romeo – atletas castigados por lesões e quedas recentes –, além dos irregulares Aleksandr Vlasov, Valentin Madouas, Max Schachmann e Steff Cras.
“Não é das corridas que se adequa 100 por cento às minhas características em termos de montanhas e de subidas longas e duras. Vai ser um bom primeiro contacto com a competição, num país de que eu gosto. No final há algumas etapas duras e um contrarrelógio final que, apesar de ser curto, vai ser importante por voltar a competir num contrarrelógio, que eu tenho trabalhado imenso. Sinto-me em forma, sinto-me bem, temos uma primeira corrida para ter contacto com o pelotão e com alguns adversários.”

Foto: A.S.O./Charly López
“Depois de experimentar o grupeto não ia querer outra coisa”
Para trás ficaram cinco meses de más sensações e de objetivos adiados, como quando teve que adbicar do Giro. Também foi duro correr o Dauphiné sem conseguir terminar qualquer etapa em linha nos 100 primeiros.
Não é normal ver um campeão descolar em subidas de quarta categoria ou chegar no grupeto, mas o corredor da UAE procurou encarar essas situações com um misto de bom humor e trabalho psicológico.
“Não queria muito lá ter ido, mas tinha a corrida no meu programa e fui dar o meu melhor. Sabia que não estava em forma e que não estava bem preparado; chegou a um ponto em que já não era útil à equipa e foi-me sugerido ir para casa. Na brincadeira, no grupeto, alguns corredores com quem tenho mais confiança diziam que me estava a habituar mal, que ali não era o meu lugar, que depois de experimentar o grupeto não ia querer outra coisa. Como atleta de alto rendimento o lado mental é muito importante; eu tenho treinado este aspeto e o saber gerir a expetativa é tudo nestas corridas. Sabia que não ia estar bem, sabia o que tinha nas pernas e já fui com a expetativa de saber qual seria o meu lugar. Não saí desapontado nem nada.”

Foto: Unipublic / Cxcling / Naike Ereñozaga
Apontar ao pódio na Vuelta é ambicioso
Após fazer um reset mental para preparar a segunda parte da época, João Almeida transmitiu boas sensações no encontro com os jornalistas.
Em determinado ponto da conversa foi-lhe perguntado se sentia com capacidade para lutar pela vitória na Vuelta, caso Tadej Pogacar não vá?
“A resposta é sim, mas neste momento vou-me focar na Volta à Polónia. Numa Vuelta com ele a probabilidade de ganhar é quase zero, numa Vuelta sem o Pogacar as probabilidades sobem drasticamente, mas será sempre uma Vuelta muito boa e na qual posso apontar para os lugares cimeiros da corrida, para o pódio, se estiver bem é o meu lugar e onde tenho que estar.”
Sem subir ao pódio de uma prova por etapas desde a Volta ao Algarve, apontar ao pódio na Vuelta é ambicioso, mas em condições normais também é natural.
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Foto: Unipublic / Cxcling / Antonio Baixauli
Se pedalar como falou, vêm por aí semanas divertidas
Foi uma conferência de imprensa onde João Almeida falou claro e que terá deixado em quem nela participou ótimas sensações.
Os jornalistas, tal como os ciclistas, também vivem de feelings, de fezadas e de intuições. Ao vê-lo descolar no Dauphiné quem não terá temido que 2026 pudesse tornar-se num ano perdido? Isto após um 2025 vintage, onde João Almeida foi 2.º na Vuelta e ganhou três Voltas no WorldTour – Suíça, Romandia e País Basco.
Quando acabou a reunião virtual com o corredor da UAE, a adrenalina estava disparada, pelo menos no TopCycling. Se pedalar como falou, vêm por aí semanas divertidas.
“Acho que estou numa forma bastante boa, esforcei-me imenso nos últimos meses para estar na melhor forma possível. Fiz bons treinos e uma boa preparação, portanto, esta última parte da temporada tem tudo para correr bem. Quero ganhar ainda este ano, porque não ganhei, é aí que está a minha cabeça neste momento. Claro que uma coisa é treinar e outra é correr, mas tenho bons indicadores e boas sensações, acho que vou estar competitivo.”
A Volta à Polónia decorre entre 3 e 9 de agosto e têm transmissão nos canais Eurosport.
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