Giro – De Cassano Magnago a Mafra à boleia da história da arte

Giro – De Cassano Magnago a Mafra à boleia da história da arte

O que liga a meta da 14ª etapa do Giro de Itália ao “Rei Sol” português? História da arte e ciclismo. Não é este o desporto mais incrível do mundo?

“Ti amo” é um espaço de amor à cultura italiana e ao Giro. É também uma música de Umberto Tozzi. Proponho 21 histórias para 21 etapas.

Partida da 14ª etapa ainda em território suíço e ainda no cantão do Valais. Sierre é terra de raclette e nada liga com um bom queijo como os vinhos da região – o Petite Arvine e o Fendant.

O pelotão despede-se da Suíça e reentra em Itália via Passo Simplon. A montanha dá tréguas e permite chegar ao Vale de Ossola desde o qual acedemos à meta em Cassano Magnago.

Ao atravessarem a montanha os corredores nem se darão conta da omnipresença do Passo Simplon no quotidiano. Por exemplo, quando visitam Milão, cujo Duomo foi construído com a pedra mármore extraída da pedreira de Candoglia escavada nas vertentes rochosas do Simplon.

Sierre (Suíça) é localidade de partida da etapa 14 do Giro de Itália.
Créditos: RCS

Dia de Mark Cavendish

Sprint à vista em Cassano Magnago! O segundo da semana após vitória de Pascal Ackermann em Tortona. Não tem sido um mau Giro de Itália para os sprinters: mediram forças na 2ª etapa (vitória de Jonathan Milan), na 3ª etapa (vitória de Michael Matthews), na 5ª etapa (vitória de Kaden Groves) e na 6ª etapa (vitória de Mads Pedersen).

Tendo em conta que Groves e Petersen já abandonaram quem sabe não é dia de Mark Cavendish somar a 17ª no Giro? Seria o primeiro triunfo do ano para o Míssil da Ilha de Man.

Cada vez que estudo uma cidade ligada a uma prova de ciclismo penso: o que me levaria a visitar este sítio? No caso de Cassano Magnago seria o escultor Giovan Battista Maino.

Só o nome não nos leva a associar o artista ao seu legado, mas se visitarem a capela de São Pedro – no Vaticano – ou lançarem a tradicional moeda na fonte de Trevi – em Roma – procurem as esculturas que o tornaram famoso.

Em Cassano Magnago, meta da etapa, nasceu o escultor Giovan Battista Maino.
Créditos: RCS

Escultor de confiança de D. João V

Giovan Battista Maino foi escultor de confiança de D. João V. Durante 43 anos “O Magnânimo” foi o regente da coroa portuguesa e um dos maiores mecenas do período conhecido como Arte Moderna – a transição entre o Renascimento iniciado no século 14 e a Idade Contemporânea a partir de meados do século 18.

Esta política criativa permitiu edificar alguns dos principais monumentos de Lisboa e arredores e foi financiada com o ouro que chegava aos quilos da colónia brasileira.

A abundância permitiu a Portugal criar uma identidade cultural e parte dela resultou do génio de Giovan Battista Maino. Onde podemos ver a obra do italiano? Visitando o convento de Mafra observem as esculturas dos Arcanjos Miguel e Gabriel; outrora poderíamos ter contemplado a estátua em prata da Imaculada Conceição que adornou o Paço da Ribeira – residência oficial dos reis portugueses no Terreiro do Paço até ser destruído pelo terramoto de 1755.

Quem melhor do que o professor José Hermano Saraiva para contextualizar a vida e obra de D. João V?

Não é o ciclismo o desporto mais incrível do mundo?

Já agora, porque este “Ti Amo” é dedicado à arte, quando passearem por Lisboa e ao longe avistarem a silhueta do Aqueduto das Águas Livres reservem um pensamento para D. João V. Foi o “Rei Sol” português o promotor da obra.

De Cassano Magnago a Mafra à boleia da história da arte e de Giovan Battista Maino. Não é o ciclismo o desporto mais incrível do mundo?

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