Artem Nych é reforço para André Cardoso na Feira dos Sofás-Boavista

O siberiano Artem Nych, bicampeão da Volta a Portugal, é o reforço estrela da Feira dos Sofás-Boavista dirigida por André Cardoso, que tem os olhos postos na maior prova do calendário nacional. O plantel deverá ter 10 ciclistas, entrando corredores experientes e resultados provados, como Harrison Wood.
Nych, de 31 anos, tem um registo impressionante na Volta a Portugal: duas vitórias (2024 e 2025), um 2.º lugar (2026) e ainda foi 4.º na estreia (2023), sempre ao serviço da Anicolor de Ruben Pereira. Já Wood, de 26 anos, fez dois anos no WorldTour com a Cofidis e vai para a terceira época no nosso pelotão – após representar Feirense-Beeceler e Anicolor; ao serviço da estrutura de Santa Maria da Feira foi 16.º na passada Volta, após ter ajudado Nych a vencer a edição anterior.
De saída estão o sprinter Iker Bonillo e o multifacetado David Dominguez, que assinaram pela Efapel, além dos jovens João Anunciação e João Paulo Silva, que não renderam o que era esperado pelos responsáveis da formação com sede em Paredes.
Quanto à chegada de Artem Nych, André Cardoso não confirma nem desmente, mas sabe por onde quer levar o projeto.
“A equipa vai estar mais talhada para tentar ganhar a Volta a Portugal, para tentar ganhar gerais. Em 2026 superamos as expetativas. Éramos a equipa mais jovem, tivemos cinco vitórias e discutimos quase todas as corridas. No GP Abimota estivemos de amarelo e podíamos ter ganho, as outras equipas é que preferiram ver a Feira dos Sofás-Boavista a perder do que serem eles a discutir a corrida, o para mim não faz grande sentido, mas cada um define a sua estratégia. Não ganhamos nós, mas também não ganha a Feira dos Sofás-Boavista, foi isso que senti.”
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Foto: Feira dos Sofás – Boavista
Desde 2016 que o Boavista não subia ao pódio da Volta a Portugal
A época de 2027 será o segundo ano de André Cardoso como diretor desportivo da Feira dos Sofás-Boavista, isto após ter ocupado o lugar que durante quatro décadas foi do professor José Santos, que continua a coordenar as operações nos bastidores do projeto.
Há que dar continuidade a um projeto que venceu cinco provas na época passada:
- Fábio Costa | 2.ª etapa GP Abimota
- Fábio Costa | 3.ª etapa GP JN
- Rubén Rodrigues | 1.º Prova de Fundo Campeonato Nacional de sub-23
- Iker Bonillo | 2.ª etapa GP Douro Internacional
- Pedro Silva | 1.º GP Internacional TSF-JN
Os números tornam inevitável a avaliação positiva do trabalho do antigo ciclista de Caja Rural, Garmin e Trek.
O ponto alto da temporada, no entanto, foi atingido com a subida ao pódio da Volta a Portugal por parte de Pedro Silva, que foi 3.º classificado atrás do campeão Alexis Guerin e de Artem Nych, o duo dinâmico da formação de Rubén Pereira.
Não oficialmente, desde 2016 que o Boavista não subia ao pódio da Volta a Portugal – há 10 anos foi Daniel Silva a terminar em 3.º lugar, mas o resultado foi anulado quando o trofense foi suspenso por oito anos devido a anomalias no passaporte biológico.
Voltar a esse patamar com um diretor desportivo estreante outorga ainda maior mérito a André Cardoso.
“A Volta a Portugal é o elo de ligação com as pessoas, é o ponto alto e toda a gente estava à espera de ver do que a equipa era capaz. Também aí superamos as expetativas e fomos, à parte da Anicolor-Campicarn, que ganhou, a equipa mais raçuda, batalhadora, sempre à procura de dar a volta por cima. Com sorte ou com azar acabamos por ter o melhor português e colocar o Pedro Silva no pódio. Foi o viver de um sonho, o Pedro consolidou-se como um dos melhores a correr em Portugal, daí ter ido ao Europeu e ter ganho o GP TSF/JN.”
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Foto: Kim Schmidt / Škoda Tour de Luxembourg 2026
Um ciclista com humildade e inteligência de corrida
Com 27 anos, Fábio Costa foi, em 2026, o corredor mais velho da Feira dos Sofás-Boavista, o que mostra a juventude do bloco.
O corredor natural de Ermesinde iniciou o ano a recuperar de um par de costelas partidas e quando voltou foi o capitão que a equipa precisava. Em fevereiro e em março, essa ausência foi colmatada por um grande David Domínguez, que se preparou no ciclocrosse e rapidamente deu resultados: 6.º na Clássica de Santo Thyrso, 3.º na Clássica da Primavera, 5.º no Troféu da Arrábida, 11.º na Volta ao Alentejo e 6.º na Clássica de Viana do Castelo.
A presença de Fábio Costa elevou o nível dos boavisteiros, aliás, foi ele a somar o sempre importante primeiro triunfo do ano, já no mês de junho, e ainda deu a cara na Volta ao Luxemburgo, no final do ano, entrando em fuga logo na etapa de abertura.
“É um ciclista que chega bem em grupos pequenos e é rápido. Tem uma personalidade muito vincada e os colegas olham para ele pela bagagem que tem, tanto para ele como para o Pedro Silva. Foi capaz de pegar nessa experiência e ajudar os mais novos a crescer. A vitória do Iker Bonillo – na 2.ª etapa do GP Douro Internacional, no Porto – resulta de uma conversa entre nós, na qual percebemos a geral era impossível e apostamos na etapa. Só um ciclista com humildade e inteligência de corrida, porque há coisas que são decididas no momento, a 10-20 quilómetros do final, é que consegues chegar ao sucesso.”

Diretor sem preconceitos
Vista desde fora, a posição de diretor desportivo parece reflexiva e dada a tarefas de perfil mais intelectual, isto é, aos olhos de quem segue o ciclismo poucos saberão que André Cardoso tanto dá a tática como massaja um atleta.
Desde que deixou de pedalar como profissional, em 2023, o gondomarense esteve em formação contínua. Foi diretor adjunto da sub-23 espanhola Technosylva e deu apoio logístico à norte-americana Project Echelon sempre que correram em Portugal.
Um diretor sem preconceitos, que ajuda a preparar os carros e os bidões, e até dá umas massagens de vez em quando, aspetos que ajudam na boa relação entre André Cardoso e os auxiliares. Em 2027, as coisas não devem alterar-se e o único reajuste é a divisão de responsabilidades na tomada de decisões com Luís Machado, que há duas décadas trabalha com o professor José Santos.