Van der Poel – A história do oitavo Mundial

Van der Poel – A história do oitavo Mundial
Créditos: Flanders Classics

Mathieu Van der Poel conquistou em Hulst o seu oitavo título mundial numa corrida que dominou e que o fez ultrapassar um recorde mais de 50 anos, os míticos sete títulos mundiais do belga Eric de Vlaeminck.

Tudo começou em 2015

Desde o início da temporada de 2025/2026 que os olhos estavam postos no primeiro dia de fevereiro e em saber se o recorde de Eric de Vlaeminck ia cair ao fim de mais de 50 anos.

O belga venceu por umas impressionantes sete vezes em 1966, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973 e marcou um recorde que só poderia ser batido por alguém extraordinário, único.

Van der Poel venceu o seu primeiro mundial em Tabor em 2015, ano que também deu início a uma das maiores rivalidades da história do ciclismo.

Van der Poel voou no percurso de Hulst

Van der Poel X Van Aert

Depois de Tabor, Van der Poel viu o belga Wout Van Aert vencer o arco-íris nos três anos seguintes em Heusden-Zolder, Biele e Valkenburg.

Estas três vitórias de Van Aert acenderam não só uma rivalidade histórica, mas também empurraram Van der Poel a ultrapassar os seus limites e que fizeram dele a figura principal do ciclocrosse.

Dos oito títulos mundiais conquistados, Van der Poel viu Van Aert ficar na segunda posição por cinco vezes, uma autêntica motivação para o neerlandês.

Van Aert foi para Van der Poel o que Messi foi para Ronaldo e o que Son Goku foi para Vegeta, um rival que potenciou um enorme talento a níveis históricos e lendários.

Créditos: SprintCyclingAgency

Sonho ganhou força em Hoogerheide, 2023

Depois de ver Van Aert vencer três mundiais seguidos, Mathieu Van der Poel igualou o feito do seu rival e ganhou a corrida de 2019 a 2021.

2022 foi o ano de Pidcock e em 2023, Hoogerheide recebia novo duelo entre Van der Poel e Van Aert com o neerlandês em vantagem 4-3 em mundiais.

A corrida foi muito renhida e Van der Poel acabou por vencer Van Aert ao sprint, aproximando-se do recorde De Vlaeminck e mostrando que talvez alguém conseguisse bater os sete títulos do belga.

Estes Mundiais de Hoogerheide serviram também de ponto de viragem nas carreiras de Van der Poel e Van Aert, com o neerlandês a começar a sair por cima desta rivalidade.

Os oito Mundiais de Van der Poel

  • 2015 – Tabor
  • 2019 – Bogense
  • 2020 – Dübendorf
  • 2021 – Ooostende
  • 2023 – Hoogerheide
  • 2024 – Tabor
  • 2025 – Liévin
  • 2026 – Hulst
Foto: Flanders Classics

“Seria bom ganhar dez títulos”

Após a vitória em Hulst que lhe valeu o oitavo título Van der Poel teceu comentários sobre o seu futuro na modalidade:

“Pensei em não correr ciclocrosse durante um ano, mas não passou de um pensamento. Há sempre a opção de fazer três corridas em janeiro e os Mundiais, ou só os Mundiais. Ainda não pensei nisso mas ainda disfruto do ciclocrosse”

Quanto ao seu recorde, Van der Poel não o dá por terminado e Sven Nys também se juntou à conversa, tentando convencer o neerlandês a continuar.

“Seria bom ganhar dez títulos, Oostende (Mundiais 2027) é uma corrida bonita e no ano seguinte é em Hoogerheide. Vamos ver”.

Sven Nys comentou em tom de brincadeira que o percurso de Hoogerheide é num campo de golfe, ao que Van der Poel respondeu a sorrir que o estavam a conseguir convencer a continuar.

Van der Poel ciclocrosse Zonhoven

Ciclocrosse, onde tudo começou

“É tudo muito especial. Quando comecei no ciclismo tinha o sonho de vencer os Mundiais em elites e é incrível pensar que tenho o recorde”.

Quanto ao famoso festejo com o “SIU” de Ronaldo Van der Poel também se explicou:

“Em Espanha usamos os sinais de trânsito para fazer muitos sprints e muitas celebrações diferentes. O SIU do Ronaldo é um dos mais usados e pareceu-me ser o momento certo para o usar”

Os campeonatos do Mundo de Hulst de 2026 serviram para Van der Poel confirmar uma história que se começou a escrever em 2015 e que o viram alcançar o maior feito da história do ciclocrosse, a modalidade onde para ele tudo começou.

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