Giro – Stracciatella na Alta de Bérgamo

Giro – Stracciatella na Alta de Bérgamo

Etapa inspirada na Volta à Lombardia com quase 4000m de acumulado. Bérgamo marca o final da segunda semana do Giro de Itália.

“Ti Amo” é um espaço de amor à cultura italiana e ao Giro. O comentador Gonçalo Moreira propõe 21 histórias para 21 etapas.

No Giro as etapas são como os hotéis: recebem estrelas de zero a cinco e a 15ª é de quatro estrelas. Ao contrário dos hotéis, quanto mais estrelas recebe a etapa maior o desconforto. É um pouco sádico na realidade.

Pela frente 195km e 3800m de desnível acumulado com partida de Seregno, a cidade das oito praças – a da basílica de San Giuseppe tem vista sobre a Piazza Concordia e é a mais icónica.

A meta é em Bérgamo por isso o dia é inspirado na Volta à Lombardia. O último campeão na cidade foi Tadej Pogacar (2021).

Em vez das folhas mortas apanhamos Bérgamo na primavera, a altura certa para provar a stracciatella. Sabiam que foi na Alta da cidade que nasceu este gelatto? A pastelaria La Marianna inventou a stracciatella em 1961.

João Almeida à partida para a etapa 15 do Giro de Itália. Créditos: LaPresse

Terreno (teórico) de emboscadas

Bérgamo merece uma visita no seu todo, mas a zona Alta tem o charme e o peso histórico. Todas as noites, às 22:00 horas, a torre que os bergamascos conhecem como Campanone dá 100 campanadas na Piazza Vecchia. É assim desde a época medieval onde anunciava o recolher obrigatório na Città Alta.

Da perspetiva dos favoritos ao Giro este é terreno (teórico) de emboscadas. Logo ao km 35 sobem Valico di Valcava – quase 12km a 8%. Respiram na descida e estando a nordeste de Bérgamo vão em direção ao Selvino pela vertente tradicional – desde Nembro são 11km a 5,6%. Aqui começa a dureza porque enlaçam Selvino com Miragolo San Salvatore (5km a 7% com um truque porque a subida suaviza nos últimos 1250m, mas os primeiros 4km têm muitas zonas acima dos 10%).

Mark Cavendish fez 38 anos e teve direito a bolo em Seregno.
Créditos: LaPresse

Habemus victorem!

Desde este ponto dirigem-se a Bérgamo passando na meta a 53,8km da conclusão da etapa. São 29km que servem de pausa para a última subida: Roncola Alta começa aos 41km para o final e propõe 10km que abrem com uma parede a 17% e nos 6km seguintes alterna entre 7-9%! Vai doer…

O acesso a Bérgamo é técnico, tem pavé, estradas estreitas e curvas apertadas. Aqui está o ponto chave: como estão na Alta da cidade aos 5km para a meta apanham rampas de 9-12% durante 1km até ao Largo Colle Aperto – além de tramos de pavé. Quem sair daqui com 10-15 segundos de vantagem ganha em Bergamo porque a entrada na rua Papa João XXIII é feita em descida e é lá que está colocada a meta!

Habemus victorem! Temos vencedor! Pelo menos da etapa; quanto à geral é um dia de movimentações no papel até porque segunda-feira descansam antes de subirem o mítico Monte Bondone no dia seguinte.

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