FPC termina ligação com a Podium Events, organizador da Volta a Portugal
A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) anunciou, através de um comunicado de imprensa, que termina a ligação com a Podium Events, empresa que organiza a Volta a Portugal desde 2017. No entanto, horas depois a Podium respondeu também em comunicado e a polémica está instaurada.
A razão apresentada pela FPC prende-se com o incumprimento de obrigações contratuais por parte da Podium Events.
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Comunicado da FPC
“A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) decidiu dar por terminado, com efeitos imediatos, o contrato de concessão para a organização e exploração comercial da Volta a Portugal em Bicicleta, celebrado em 2017 com a empresa Podium Events”, começou por escrever o organismo que tutela o ciclismo em solo nacional.
“A decisão decorre do incumprimento reiterado das obrigações contratuais e de pagamento por parte da Podium Events, situação que se agravou ao longo do último ano, apesar das várias tentativas de resolução amigável promovidas pela FPC.
O contrato em vigor teria a sua conclusão apenas no final da Volta a Portugal de 2026, mas a situação de incumprimento contratual por parte da concessionária retirou à Federação qualquer possibilidade de manter o contrato em vigor, garantindo assim a defesa do interesse público, do conjunto do ciclismo português e da própria Volta a Portugal.”
Federação Portuguesa de Ciclismo

A Federação Portuguesa de Ciclismo explica, depois, as provas impactadas pela decisão: “A rescisão unilateral com a Podium Events abrange igualmente a organização da Volta ao Alentejo e da Volta a Portugal do Futuro, também incluídas no contrato de concessão”.
“A Federação Portuguesa de Ciclismo assinala o trabalho desenvolvido pela Podium Events, mas realça que o cumprimento das obrigações contratuais é imprescindível.
A FPC reafirma o seu compromisso com a valorização, modernização e internacionalização do ciclismo português, pretendendo assegurar que a Volta a Portugal se afirme como um evento de excelência”.
Federação Portuguesa de Ciclismo
A resposta da Podium Events – Polémica instalada
Horas depois do anúncio da FPC, a Podium Events divulgou um comunicado em que contesta a decisão, afirmando que não reconhece qualquer fundamento jurídico ou contratual que legitime a rescisão.
A empresa afirma ter sido informada do término do contrato através de alguns patrocinadores contactados pela Federação, e lamenta “a falta de decoro e lealdade por parte da FPC”.
De acordo com a Podium, existiam negociações em curso sobre questões financeiras, e a decisão da FPC foi tomada “sem aviso prévio” e “com base em alegado incumprimento que não corresponde à realidade”.
“A Podium organiza a Volta a Portugal desde 2001 e tem vindo a alertar a Federação para o impacto profundo que a pandemia e os escândalos de doping tiveram nas condições económicas do contrato. Solicitámos diversas vezes uma revisão equitativa e construtiva, mas sem resposta”, lê-se no comunicado.
A empresa acrescenta ainda que tem assumido “encargos substancialmente superiores aos fixados no contrato” e que solicitou várias reuniões à FPC “para verificação e conciliação de saldos e responsabilidades financeiras”, sem sucesso.
“A FPC recusou sistematicamente a realização dessas reuniões, imputando agora à Podium uma dívida sem base factual adequada”, refere a organização.
Por fim, a Podium reafirma a “plena vigência e exigibilidade do contrato” e reserva-se o direito de recorrer a todos os meios legais para defender os seus interesses.
“Lamentamos profundamente esta decisão, mas manteremos o compromisso com o ciclismo português, com a mesma dedicação e integridade de sempre”, conclui a empresa.
O futuro
Para já, a informação sobre o futuro é escassa e resume-se à promessa da Federação num futuro próximo: “A FPC tomará muito em breve as decisões que se impõem sobre o novo modelo de organização da Volta a Portugal e das demais provas até aqui abrangidas pelo contrato de concessão”.
Créditos da fotografia de destaque: Podium Events/Sérgio Henriques