Viagem à Croácia – Teste ao Shimano XT Di2 com Auto Shift e Free Shift

Viagem à Croácia – Teste ao Shimano XT Di2 com Auto Shift e Free Shift

A Shimano convocou alguns especialistas e a imprensa mundial para apresentar as suas novas tecnologias Auto Shift, Free Shift e Linkglide assim como o novo Deore XT Di2, que conjugado com os motores EP8 e EP6 tem a capacidade de oferecer mudanças automáticas.

Dois dias de testes – O vídeo mostra tudo

O vídeo não é simplesmente técnico, era impossível ir à Croácia e não mostrar também um pouco dos trilhos e paisagens, mas ao longo do mesmo mostro como tudo funciona e além disso, mostro também de forma genuína como a minha opinião sobre o sistema foi mudando ao longo dos dias, após afinação e utilização.

Testar a sério

Não se tratou só de uma apresentação, mas também de dois dias de testes nos quais o objectivo foi testar, testar, testar, com vários tipos de afinações e por vários terrenos.

A mensagem passada pelos responsáveis da Shimano era que no final de cada dia cada um de nós desse a opinião sincera sobre o sistema, e que questionasse sobre como poderia afinar melhor ao seu gosto.

Alguns dos responsáveis pelo desenvolvimento do sistema estavam presentes e sairam para pedalar com os grupos de teste, no sentido de explicar como escolher o setup pretendido, mas também no sentido de recolher o feed back de cada um. Inclusive no final dos dois dias de testes foi-nos pedido para mostrar o setup de Auto Shift escolhido, provavelmente para avaliarem se era muito diferente de utilizador para utilizador, ou muito diferente do setup base que colocaram no início.

Senti-me um verdadeiro piloto de testes, porque além de testar os sistemas durante dois dias em vários tipos de terreno e com diferentes dinâmicas de pedalada, houve uma constante preocupação dos responsáveis da marca em perguntar o que estava a achar do sistema, o que sentia falta, o que poderia afinar para ficar mais ao meu gosto.

Explico como funciona o Free Shift e Auto Shift

Auto Shift

Não é a primeira vez que a Shimano tenta desenvolver algo assim, no passado a marca já havia desenvolvido sistemas baseados na cadência para o Auto Shifting, nomeadamente o Auto-D em 1997, o Shimano Coasting em 2007, bem como o Shimano Nexus e Alfine Di2.

Desenvolver a funcionalidade de mudanças automáticas para um sistema de transmissão baseado num desviador foi um desafio bem maior do que os referidos antes, além de que este é um sistema desenvolvido para bicicletas de montanha, onde dinâmica de pedalada é muito diferente, pois há muitos mais obstáculos, alterações de terreno e inclinações do que numa utilização mais urbana.

Os responsáveis pelo desenvolvimento afirmaram mesmo que no início parecia missão impossível desenvolver um sistema de mudanças automáticas para BTT, pois os pontos de passagem alteram constantemente, mas conseguiram fazê-lo e está apenas disponível com os motores EP8 e EP6.

Quando utilizado com as unidades eléctricas da Shimano, EP8 e EP6, o Shimano Deore XT Di2 tem a capacidade de colocar e retirar as mudanças automaticamente, a tecnologia Auto Shift e Free Shift é desenvolvida especificamente para bicicletas eléctricas de montanha (e-MTB) e baseia-se num algoritmo que tem em conta a cadência de pedalada do ciclista, a força que este coloca nos pedais e a velocidade a que se desloca.

Ajustabilidade e configuração ao gosto de cada utilizador

Tendo como base a cadência, força aplicada pelo ciclista e velocidade de deslocação, os pontos de passagem de mudança são configuráveis e ajustáveis ao gosto de cada um, tanto manualmente (no display da unidade eléctrica) como na aplicação e-tube da Shimano.

Existem três setups ou modos disponíveis, o Manual para utilizar as mudanças normalmente, o Automático 1 (A1) e Automático 2 (A2), os quais podemos configurar para diferentes dinâmicas de pedala como por exemplo, a pedalada nas transições ou asfalto, e a pedalada nos trilhos da montanha.

Através do pequeno botão posicionado em baixo do logotipo “Deore XT”, fácil e rapidamente podemos alternar entre eles.

No vídeo mostro como funciona.

Free Shift

Assim como o Auto Shift, também o Free Shift está disponível apenas em bicicletas com o sistema de transmissão XT Di2 e com os motores mencionados acima.

“Free Shift” é uma nova tecnologia que permite que as mudanças mudem sem que tenhamos que pedalar. Quando estamos em descida e a bicicleta diminui a velocidade o sistema tira mudanças, para que quando retomamos a pedalada, o façamos na mudança certa (nem mais leve, nem mais pesada).

Sinceramente, este foi o sistema que mais gostei, é impressionante e dá imenso jeito nos trilhos mais apertados e técnicos.

Também este sistema funciona em modo manual (caso o Auto Shift não mude, podemos fazê-lo manualmente), em plena descida e sem pedalar, se pressionamos o botão para retirar mudança, o desviador troca a mudança.

No vídeo mostro como funciona o sistema.

Tecnologia Linkglide

Para desenvolver a tecnologia Auto Shift os responsáveis de desenvolvimento da Shimano cedo chegaram à conclusão de que era necessário ter cassete e corrente que suportassem este sistema, pois o torque colocado tanto pelo motor como pelo ciclista em situações onde as mudanças mudam quando o sistema decide mudar são enormes.

Se és do que está habituado a tratar bem da cassete e corrente, colocando as mudanças suavemente sem que a cassete faça aquele ruído assustador “clanck”, vais ficar assustado ao utilizar o Auto Shift, pois em subidas ou obstáculos extremos vais ouvir a corrente e cassete em pleno esforço.

Nesta cassete também utilizam o aço como material de construção, mas o formato da mesma é ligeiramente mais grosso e após vários testes efectuados pela marca os dentes desta cassete apresentam em 5000 passagens de mudança, um desgaste similar ao de uma cassete Hyperglide (HG) em 1200 passagens. A cassete Linkglide dura 3 vezes mais.

“Ruído? Sem problema, simplesmente continua a pedalar.”

Esta foi a mensagem que nos passou um dos responsáveis de desenvolvimento do Auto Shift, que nos explicou que a tecnologia Linkglide foi desenvolvida para aguentar esses “maus tratos” e que simplesmente não há razões para preocupação, a corrente não vai partir (e não partiu, posso afirmar).

De acordo com os responsáveis pelo desenvolvimento, o peso extra (em relação à tecnologia de cassete e corrente HG+) não é significativo. Tive a oportunidade de ter ambas as cassetes na mão e embora não pesasse na balança cada uma, confirmo que não notei grande diferença.

Opinião final

Acredito que o Auto Shift vá encontrar popularidade no publico de e-MTB menos experiente, que adquire uma bicicleta eléctrica para fazer a sua volta de lazer pela montanha sem preocupações com a rapidez, porque funciona bem e “descomplica” a vida de quem quer desfrutar da paisagem e de quem tem menos experiência nos trilhos.

Do ponto de vista comercial, temos ainda que ter em conta que o mercado não se trata só do utilizador individual que adquire uma bicicleta para si. Dei por mim a pensar nas empresas de bike tours, que muitas vezes têm como clientes pessoas sem experiência e para as quais este sistema é simplesmente fantástico, porque facilita a vida do utilizador e do guia.

Entre o utilizador mais experiente, que faça BTT há anos e goste de ripar rapidamente pelos trilhos, não acredito que achar o sistema Auto Shift fenomenal. O XT Di2 em modo manual oferece uma experiência perfeita e quando se quer andar rápido, o automático por vezes demora a reagir às alterações do terreno no trilho.

As mudanças automáticas não serão do agrado de todos, da mesma forma que as bicicletas eléctricas não são, ou que os grupos de transmissão electrónica não são, mas tal como outras tecnologias é mais uma opção, para os que só querem pedalar e desfrutar sem ter que se preocupar em trocar de mudança.

Já a tecnologia Free Shift é diferente, neste caso tanto os menos experientes como os mais experientes (inclusive quem faz competição com e-Bikes), creio que vão adorar este sistema, é simplesmente fantástico!

Este sistema, além de ajudar a evitar situações de maior stress para corrente e cassete (porque permite que se arranque na mudança certa), também ajuda descer mais rápido, nas em zonas técnicas.

Onde pode esta tecnologia chegar no futuro?

A função Free Shift não não estará disponível em bicicletas movidas manualmente tão cedo, pois depende de ter um motor para rodar o prato mesmo sem o ciclista estar a pedalar, de qualquer forma gostei tanto que o meu desejo era que isso fosse possível, um dia estar disponível em bicicletas normais não eléctricas.

A função Auto Shift é diferente, acredito que seja difícil mas com a evolução que vamos vendo não vou dizer que seja impossível, um dia bicicletas não eléctricas com tecnologia Di2 poderem ter Auto Shift.

O tempo o dirá, com a Shimano quase tudo é possível e a prova está aqui, ao desenvolverem o Auto Shift e Free Shift para bicicletas de montanha fizeram algo que era impensável há uns anos atrás, é assim que está a industria das bicicletas, não se pode dizer que é impossível no futuro.

Para saberes mais pormenores sobre estas tecnologias, disponibilidade e preços, podes consultar e contactar o importador Shimano em Portugal aqui: https://www.scvouga.pt/pt/ciclismo

Por: Luís Beltrão

Créditos das imagens: Dan Milner e Irmo Keizer / Shimano

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