Fabio Jakobsen dá a primeira entrevista após queda grave

Fabio Jakobsen dá a primeira entrevista após queda grave

Fabio Jakobsen falou pela primeira vez sobre a terrível queda na Volta à Polónia em Agosto de 2020.

Recordar que o jovem ciclista holandês esteve envolvido numa grave queda no final da 1.ª etapa quando sprintavam a mais de 80km/h. onde foi empurrado pelo seu compatriota Dylan Groenewegen, tendo embatido violentamente nas barreiras de proteção.

Dessa queda resultaram vários ciclistas feridos, mas o que ficou em estado grave foi Jakobsen, que esteve em coma induzido e que sofreu graves lesões no nariz, palato, maxilar e pulmões.

O jovem de 24 anos deu uma entrevista ao jornalista , do jornal holandês AD.nl , na qual falou sobre p que se lembra do sucedido, sobre os meses de recuperação, sobre Dylan Groenewegen e sobre o seu futuro.

Sobre aquele dia

A ultima coisa de que se lembra é da entrada no ultimo quilómetro, de ir na roda dos seus colegas Davide Ballerini e Florian Sénéchal, depois disso não se lembra de nada mais.

“O meu colega de equipa Florian Sénéchal encostou a bicicleta e correu na minha direção. Viu-me caído no asfalto, entre as barreiras. Havia sangue por todo lado. As pessoas ao redor não fizeram nada – ficaram paralisadas com a visão. O Florian viu que eu me estava a asfixiar no meu próprio sangue, não me conseguia mexer, ele viu o pânico nos meus olhos e por reflexo pegou na minha cabeça, ergueu-a ligeiramente para que o sangue escorresse da minha boca e garganta. Aí fiquei mais calmo, disse ele. Ele também não se lembra de mais nada a partir de aí.”

Quem coordenou todas as operações até chegada do helicóptero foi o médico da UAE-Team Emirates, que tem experiência de trauma e de imediato saiu do carro para socorrer o ciclista da Deceuninck Quick-Step.

Os primeiros dias no hospital

Fabio Jakobsen teve uma forte contusão cerebral, rachas no crânio, nariz partido, zona do palato rasgada, assim como o nervo das cordas vocais que também foi atingido. Ficou sem dez dentes e parte do seu maxilar superior e inferior desapareceu. Teve vários cortes na cara, a orelha cortada, polegar partido, lesões no ombro e pulmões. 

O ciclista só se recorda de acordar no hospital com 3 médicos em seu redor, e um dia depois a visita da sua família e de uma psicóloga da equipa. Jakobsen diz que ao ver os seus familiares de bata e máscara pensou na gravidade da situação, apontou com o dedo para o pulso perguntando que horas eram por gestos, disseram-lhe a hora e o dia, foi quando se apercebeu que tinham passado 3 dias após a queda.

Descreve que os primeiros dias no hospital foram os mais longos da sua vida tal eram as dores, ou pavor de se engasgar, pensou muitas vezes que iria morrer.

Diz que recebeu a visita de um padre, que não é religioso mas que pensou: “pode não ajudar, mas também não vai doer. Se fosse buda ou um imã pensava o mesmo, estava desesperado, só queria viver.”

O presente e o futuro

Apesar do que sofreu e está a sofrer, não perdeu o sentido de humor, dizendo ao jornalista que quando embateu no comissário da UCI que estava junto ás barreiras, foi com o rabo e que “a sorte dele é que tenho um rabo gordo”, disse Jakobsen.

Diz estar calmo consigo mesmo, que apesar de parecer que saiu de uma luta de boxe com Mike Tyson, nãoestá preocupado com a aparência mas sim com a recuperação interna dos órgãos, onde o dano foi maior. (Só no próximo Outono esperam ter condições para lhe voltar a fazer o implante dos dentes que lhe faltam).

O ciclista holandês já voltou a pedalar, mas diz que o processo é longo, primeiro terá que se recuperar, depois terá que voltar a ser uma pessoa normal e só depois se verá se pode ser ciclista profissional novamente.

Já voltou a pedalar com alguns colegas de equipa, diz que passou numa a zona a uns 30 km/h e ficou eufórico de alegria.

” Senti-me como se estivesse a descer os Campos Elísios na última etapa do Tour. Percebi o quanto amo a minha profissão, o quanto gosto de correr. “

“Os médicos e o meu treinador não querem marcar data para o meu regresso. Dizem: vai com calma, passo a passo.”

Fabio Jakobsen diz que no seu interior desejava estar de regresso em Março, mas que sendo realista seria ótimo se voltasse em Agosto.

Sobre Dylan Groenewegen

“É muito claro. O Dylan desvia-se da sua linha e fecha a porta quando eu passo. Todo a gente viu isso, acho eu. Se ele fechar a porta um pouco antes, ainda posso travar. Se ele o fizer um pouco mais tarde, eu já teria passado. Foi no momento exatamente errado, eu não tinha para onde ir. Acho que estávamos a pedalar além dos 84 km/h. , e o tempo de resposta é ainda mais curto do que o normal. ”

Diz que acima de tudo foi uma pena para ambos, para as suas equipas e para o desporto, eram os dois mais rápidos do pelotão e tudo ficou estragado para ambos.

Fabio Jakobsen afirma ainda que Groenewegen devia ter pensado nas consequências. 

“Somos humanos, não animais. Isto é um desporto, não uma guerra onde vale tudo.”

Diz que Dylan Groenewegen lhe enviou mensagem a perguntar como estava a se se podiam encontrar, que percebe que isto também pesa na sua consciência mas que ainda não está preparado para isso.

Acrescenta que entende que quanto melhor ele ficar, melhor também será para ele. Ele também não queria que istoa acontecesse. 

“Ele recebe um monte de merda de pessoas anónimas atrás de seus teclados – isso é ridículo. Eu sinceramente espero que ele rapidamente seja capaz de fazer o que ele faz bem nos sprints, e que isto fique para trás.”

Fabio Jakobsen ainda aborda questões como a questão da segurança das chegadas das etapas, dizendo mesmo que não volta a correr se as barreiras de proteção não tiverem maior segurança, e que as chegadas em descida a alta velocidade devem ser retiradas.

Sobre o castigo de Groenewegen, diz que tem que haver uma forte punição para quem faz aquele tipo de manobras, de tal forma que o atleta pense na próxima vez não a fazer, mas acrescenta que os ferimentos graves que tem também foram causados pelas barreiras e pela forma como estavam montadas, que está a decorrer uma investigação no sentido de apurar isso.

O seu contrato com a Deceuninck termina em 2021 e há um cenário que pode acontecer, que é ele não ter nenhuma equipa interessada nele por causa de uma acção que não foi ele que desencadeou.

Jakobsen diz que não estudou direito, mas que várias entidades podem ser responsabilizadas, desde Groenewegen, passando pela Jumbo-Visma, a Volta à Polónia e a própria UCI.

“Gosto de correr na Deceuninck-Quick-Step e certamente não terei que sair. Mas talvez me digam da Jumbo-Visma: oferecemos-te um contrato, independentemente do retorno que possa ter. Essa também é uma forma de assumir responsabilidades. E se eu acabar numa equipa com o Dylan, ele pode ser o meu lançador, hahaha. ”

Podes ver a entrevista original e completa aqui no site do AD.nl

Subscreve a newsletter semanal para receberes todas as notícias e conteúdo original do MARRETAMAN.pt. Segue-nos nas várias redes sociais Youtube , Instagram , Twitter , e Facebook.

Noticias relacionadas

Canyon Inflite 2022 – Novas cores e especificações

Canyon Inflite 2022 – Novas cores e especificações

Jogos Olímpicos – Contrarrelógio

Jogos Olímpicos – Contrarrelógio

Jogos Olímpicos – Prova de XCO Feminina

Jogos Olímpicos – Prova de XCO Feminina

TREK First Light – O esquema de cores inspirado no Japão

TREK First Light – O esquema de cores inspirado no Japão

No Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreva a Newsletter

* Preenchimento necesssário

Escolha a newslwtter que pretende receber:

Categorias de Artigos