Entrevista | Rúben Pereira – Mudanças na Volta a Portugal e top-10 de Nych n’O Gran Camiño

Entrevista | Rúben Pereira – Mudanças na Volta a Portugal e top-10 de Nych n’O Gran Camiño
Foto: Rodrigo Rodrigues e Igor Martins/FPC

Rúben Pereira, diretor desportivo da Anicolor / Campicarn, falou ao TopCycling, sobre as novidades da Volta a Portugal e sobre os resultados da equipa esta temporada

Rúben Pereira tem visto a sua Anicolor / Campicarn assinar uma época positiva, com resultados no circuito nacional e internacional. Saltam à vista as prestações de Artem Nych na Volta ao Algarve e n’O Gran Camiño, bem como as três etapas na Volta ao Alentejo e a vitória na Prova de Abertura.

Ainda assim, o diretor desportivo da equipa nacional lembra os ‘azares’ que impediram resultados ainda mais positivos e, pelo meio, avalia também as novidades relativas à Volta a Portugal.

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Foto: Rodrigo Rodrigues

Bons resultados… apesar dos azares

A Anicolor / Campicarn arrancou a época com um top-20 no Algarve, vitória na Prova de Abertura, três etapas no Alentejo, tudo isto antes da participação n’O Gran Camiño, onde voltaram a ser destaque. Apesar dos resultados, que deixaram a equipa “muito satisfeita”, Rúben Pereira falou, também, dos azares que impediram posições ainda mais altas.

No Alentejo, duas avarias ‘tramaram’ Nych. No Algarve, foi Santi Mesa que viu o azar bater-lhe à porta: “Teve a infelicidade de ter sido atropelado dias antes de ir para a Volta ao Algarve, em que partiu uma bicicleta específica que foi feita para ele”.

Foto: Rodrigo Rodrigues e Igor Martins/FPC

A época podia ser “ainda melhor”, mas a Anicolor / Campicarn volta a destacar-se como uma das equipas mais fortes em Portugal. Rúben Pereira admite que “ganhar tudo é difícil. Praticamente impossível”, devido à qualidade crescente do pelotão nacional, mas não deixa de olhar, por exemplo, para a Volta ao Alentejo como uma oportunidade perdida:

Saímos um bocadinho dececionados connosco, por uma infelicidade, na Volta ao Alentejo, porque sabíamos que o Artem, nas garantias que dava para aquela corrida… O Artem é um matador como ciclista. Não estou a tirar o mérito do Tiago Antunes, que é um grandíssimo ciclista. Mas tenho de reconhecer que o Artem, sofreu ali um azar bastante grande no dia decisivo”.

Rúben Pereira ao TopCycling

O erro no contrarrelógio d’O Gran Camiño

Na prova galega, não apareceram as vitórias mas os resultados voltaram a ser positivos: top 10 para Artem Nych, numa corrida onde Rafael Reis andou de amarelo, depois de ser segundo no contrarrelógio inicial. No entanto, o diretor desportivo voltou a salientar dois erros que deixaram a equipa aquém do que poderia ter alcançado:

No contrarrelógio, Artem Nych “enganou-se” e “perdeu praticamente 40 segundos“. Sem essas perdas, o ciclista russo teria terminado na sétima posição da classificação geral, a 0:18 do sexto lugar, José Félix Parra, da Kern-Pharma.

Em relação a Rafael Reis, Rúben Pereira fez mea culpa sobre uma circunstância que podia ter deixado o português numa posição ainda melhor:

O Rafa fez segundo no contrarrelógio. É um grande resultado àquele nível. Mas o nosso trabalho de casa para aquele dia também não foi bem feito. Não foi o Rafa que falhou. Fui eu, enquanto responsável da equipa. Tivemos algum trabalho específico em relação ao contrarrelógio. Fizemos alguns investimentos. E talvez um fato de contrarrelógio, como o temos usado em dias específicos (…) Talvez, se nós tivéssemos usado esse fato, no dia do prólogo do Gran Camiño, não digo que pudéssemos ter ganho, mas ia ser perto. Porque a diferença que o fato poderia ter feito naquele dia teria sido bastante importante.

Rúben Pereira ao TopCycling

Créditos: Louro Produções – Luís Ferreira

Apesar dos erros, e do sentimento de frustração no final da prova pelo que poderia ter sido, Rúben Pereira reconhece a importância de fazer corridas como O Gran Camiño, “porque é bom para os ciclistas, traz prestígio à equipa, às marcas que estão com a equipa“.

A valorização do circuito nacional continua alta, e a Anicolor / Campicarn quer ser competitiva “em duas frentes“. No entanto, o diretor desportivo da formação que chegou a liderar a classificação por equipas n’O Gran Camiño lembra as “diferenças entre uma equipa da terceira divisão e uma equipa da primeira divisão“, e fala do “orçamento de uma equipa continental de 600 ou 700 mil euros“, comparado com “uma equipa da UAE, com 60 milhões de euros, ou uma Visma com 45 milhões de euros“.

A terminar a reflexão sobre a prova galega, o diretor deixou uma palavra para o trabalho bem feito pela equipa, na preparação dos ciclistas e dos equipamentos, com especial atenção ao contrarrelógio.

As mudanças na Volta a Portugal, o objetivo principal da equipa

A terminar a conversa com Rúben Pereira, o diretor desportivo comentou também as mudanças recentemente anunciadas à Volta a Portugal, por Ezequiel Mosquera, novo organizador da Grandíssima; notícias bem recebidas pela Anicolor / Campicarn, que volta a colocar a prova nacional no topo das prioridades em 2026:

Enquanto equipa, queremos o melhor para o ciclismo. Estamos muito contentes com as últimas notícias, o Ezequiel Mosquera é alguém que conhece muito bem o ciclismo nacional, e tem já uma vasta experiência em organizar eventos, e acho que pode fazer um bom trabalho com a Volta a Portugal, pelo menos os sinais já são positivos, o facto da transmissão da Eurosport, o facto de haver possibilidade das equipas WorldTour estarem presentes… Acho que só vai elevar a nossa Volta a Portugal, e até mesmo dar prestígio a quem ganha a volta a Portugal. Porque uma coisa é nós ganharmos no nosso ciclismo interno, e outra coisa é nós ganharmos a Volta a Portugal com o pelotão internacional”.

Rúben Pereira ao TopCycling

Foto: Podium Events/Sérgio Henriques

Vale a pena destacar que a estrutura da Anicolor venceu as duas últimas edições da Volta a Portugal, o que também traz pressão acrescida para 2026. Já em jeito de antevisão antecipada, Rúben Pereira explica que a equipa “não corre sozinha“, num circuito nacional com o “nível cada vez mais alto“. A vontade de ganhar é clara, mas o diretor desportivo prefere ir “dia a dia” e “deixar que a corrida desenrole com uma pressão positiva“, até porque nas 12 etapas da Volta “tudo pode acontecer“.

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