Campeonato do Mundo XCO 2026 | Val di Sole – Frei e Pidcock conquistam o arco-íris

Correu-se, no último fim de semana de agosto, o campeonato do mundo de XCO, no circuito de Val di Sole, em Itália. Sina Frei e Pidcock foram os grandes vencedores
Fim de semana grande na temporada de ciclismo de montanha, com o Campeonato do Mundo XCO a decorrer em Val di Sole, com os melhores nomes da modalidade, e com representantes portugueses em prova.
Na corrida feminina, Sina Frei arrancou de início para uma exibição dominadora, fez o percurso praticamente sozinha, e junta o título mundial ao bicampeonato europeu que já tinha em seu nome.
A prova masculina foi de maior equilíbrio: a corrida culminou com uma batalha entre Charlie Aldridge e Thomas Pidcock, que terminou com a segunda conquista no Mundial para o bicampeão olímpico em título.

Corrida feminina – Frei em modo imperial
A corrida feminina teve uma dominadora praticamente do início ao fim: Sina Frei confirmou o grande momento de forma, que já tinha demonstrado nas últimas rondas da Taça do Mundo XCO.
Depois de um start loop que serviu para selecionar o grupo das favoritas, e onde Alessandra Keller teve um furo que comprometeu a sua corrida, Sina Frei começou a primeira volta com um ataque ao qual apenas Jenny Rissveds conseguiu responder.
O grupo perseguidor conseguiu juntar-se ao duo da frente, mas as cartas estavam na mesa: na segunda volta, novo ataque da suíça, que desta feita fez descolar todas as rivais exceto a italiana Martina Berta.
Frei e Berta destacaram-se na frente. Atrás seguia Nicole Koller, na perseguição, com Puck Pieterse a fechar o top 4, lote de corredoras que ainda podiam chegar à vitória. À passagem dos 30:00 de corrida, a dupla da frente tinha 0:10 de vantagem sobre a neerlandesa, que, por sua vez, ultrapassava Rissveds, que viu um furo hipotecar qualquer hipótese de triunfo.
No início da terceira volta, Frei rematou o recital que ia dando até esse momento: nova aceleração, desta feita para ficar isolada na frente da corrida. Uma volta depois, a vantagem já era de 0:30. Koller alcançou, entretanto, Berta, e as duas seguiam juntas no que parecia a luta pelas restantes posições do pódio.

O resto da corrida prosseguiu com esta configuração. Frei foi aumentando a vantagem, e cruzou a meta em Vale di Sole, isolada, para se sagrar campeão do mundo com mais de 1:00 de vantagem sobre as perseguidoras mais próximas.
Berta e Koller discutiram as restantes medalhas até ao fim, com a italiana a sair por cima, e a conseguir a prata em casa. A Suíça confirmou, ainda assim, ouro e bronze no Campeonato do Mundo XCO.
Ana Santos, única portuguesa em prova, terminou na posição 30.
Vídeo resumo da corrida
(Em atualização)
Top 10 da corrida
| Classificação | Corredora | País | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1 | Sina Frei | SUI | 1:27:50 |
| 2 | Martina Berta | ITA | +1:07 |
| 3 | Nicole Koller | SUI | +1:07 |
| 4 | Puck Pieterse | NED | +1:25 |
| 5 | Samara Maxwell | NZL | +1:48 |
| 6 | Evie Richards | GBR | +1:58 |
| 7 | Jenny Rissveds | SWE | +2:29 |
| 8 | Laura Stigger | AUT | +2:41 |
| 9 | Savilia Blunk | USA | +2:48 |
| 10 | Haley Batten | USA | +3:13 |
Corrida masculina – Batalha britânica no Mundial
A prova masculina começou com maior equilíbrio em relação à feminina: com Thomas Pidcock e Mathieu van der Poel e partirem de posições atrasadas na grelha, foram outros nomes a consolidar-se na frente da corrida numa fase inicial, com figuras fortes da modalidade como Boichis, Martin, Azzaro, Aldridge, Vidaurre, entre outros.
Os ataques iam-se sucedendo e o grupo ia ganhando novas configurações, mas um dos destaques acontecia atrás: se Van der Poel nunca encontrou as melhores pernas, Pidcock encetava a recuperação para chegar ao grupo da frente.
O britânico chegou mesmo à frente da corrida, e a meio da prova, na quarta volta, seguia já muito perto de Aldridge, Vidaurre, Boichis e Punchard, canadiano que tinha feito a ponte para a cabeça da prova. Os cinco tinham, nesta altura, 0:30 de vantagem sobre o grupo perseguidor. Pidcock demorou mais um pouco a encostar, mas conseguiu cumprir essa recuperação pouco depois.
Na sexta volta, Pidcock mexeu: a aceleração deixou o grupo ainda mais restrito: Boichis e Punchard perderam o contacto e a luta passava a ser a três. Uma volta depois, o cenário repetiu-se, e desta vez a vítima foi o ciclista chileno.
Numa repetição do campeonato da Europa em Melgaço, Pidcock e Charlie Aldridge seguiam os dois na frente, naquele que parecia o duelo decisivo pelo Mundial. A movimentação crucial da corrida chegou na reta final da sétima volta, quando Pidcock aproveitou uma subida para atacar, e se isolou na frente. Na entrada da última volta, a diferença para o segundo era de 0:10.

Nessa oitava volta, Vidaurre teve um problema mecânico que deixou de lado a hipótese de uma medalha. Quem se destacou foi Punchard, uma das surpresas da corrida, que chegou, isolado, à medalha de bronze.
Na frente, Aldridge nunca conseguiu voltar à roda do líder. Thomas Pidcock conquista, assim, o título de campeão do mundo de XCO, com o seu compatriota a fechar na segunda posição.
Portugal teve tripla representação na corrida masculina: Roberto Ferreira fechou na posição 69, Gonçalo Amado foi 74º e João Cruz terminou no 75º lugar.
Vídeo resumo da corrida
(Em atualização)
Top 10 da corrida
| Classificação | Corredor | País | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1 | Pidcock Thomas | GBR | 1:25:26 |
| 2 | Aldridge Charlie | GBR | +0:17 |
| 3 | Punchard Cole | CAN | +0:31 |
| 4 | Vidaurre Kossmann Martin | CHI | +0:59 |
| 5 | Boichis Adrien Yves Claude | FRA | +1:06 |
| 6 | Azzaro Mathis | FRA | +1:47 |
| 7 | Lillo Dario | SUI | +1:54 |
| 8 | Colombo Filippo | SUI | +2:02 |
| 9 | Puntener Fabio | SUI | +2:04 |
| 10 | List David | GER | +2:08 |